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Título: A gente já viu esse filme
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 16/11/2001
 

"Faça, primeiro, o necessário. Depois, o possível. Em breve estará fazendo o impossível" (São Francisco de Assis)

01. A semana foi de Roseane. As revistas semanais, jornais e noticiários de todos os calibres trataram a governadora do Maranhão como a mais provável candidata à Presidência pela aliança situacionista, que hoje é encabeçada pelos tucanos do PSDB. Por ser do PFL, a filha do ex-presidente José Sarney (PMDB) seria o denominador comum de interesses dos três partidos. Para dar sustentação à escolha, o reforço de sempre -- as pesquisas de intenção de votos que a colocam bem a frente de postulantes como os ministros José Serra e Paulo Renato -- e a surpreendente adesão da primeira dama, professora Ruth Cardoso, que lhe acenou com elogios e confiança em recentes entrevistas concedidas à Imprensa.

02. A coluna da semana passada tratou exatamente da ciranda dos presidenciáveis a partir de uma frase do pensador Anatole France -- O futuro permanece escondido até dos que o fazem. Fez também um breve relato sobre a atuação da mídia nas três últimas eleições que escolheram nosso mais alto mandatário. As alas mais conservadoras -- e que, de uma forma bem clara, se mantêm no Poder desde sempre -- exercem com muita destreza aquele toque mágico. Na hora H, depois de meneios e livre da capa de fundo acetinado, sacam da cartola o nome que mais convém à perpetuação das elites no Palácio do Planalto.

03. Os exemplos recentes são pródigos. Foi assim com Tancredo Neves em detrimento do deputado Ulysses Guimarães. Foi assim com o Globo Repórter que consagrou um ano antes Fernando Collor como o Caçador de Marajás e depois abandonou o barco quando "elle" exagerou nos 30 por cento. Foi ainda mais massificante nas duas eleições seguintes quando elegeu e reelegeu Fernando Henrique e consolidou a mais trágica aliança de direita da História do País.

04. Nada contra, nem a favor de dona Roseana, muito pelo contrário. Sei que é filha de ex-presidente-escritor (com texto um tanto barroco para o meu gosto) que, para voltar a cena política, precisou transferir seu título eleitoral para o Amapá. Dizem ter uma atuação política e que faz um governo de razoável para bom no Maranhão. Como em quase todos os estados do Nordeste, há uma área, onde circulam os turistas, que merece todos os cuidados e melhoramentos enquanto sobra o Deus-dará para os arrebaldes.

05. Como ia dizendo, nada contra. São coisas deles lá em cima. Nós aqui também temos nossas misérias e vicissitudes sociais que muitos preferem jogar pra debaixo do tapete. O que me incomoda, como cidadão, é o endeusamento de determinados nomes/personagens que, de repente, não mais que de repente, querem nos impingir como solução para todos os males. Chagas sociais que, na verdade, não vão cicatrizar da noite para o dia e requerem um grau de responsabilidade e consciência muito maior do que têm demonstrado os senhores do Poder.

06. Há uma idéia geral de que vivemos tempos difíceis. De guerra, bioterrorismo, violência urbana, apagões, casa dos artistas e congêneres. Toda essa convulsão acaba por fazer com que as pessoas se entreguem e, à sua maneira, apertem o piloto-automático e que se dane... É justamente nesse clima de desalento que surgem os salvadores-da-pátria com ares de que vão provocar uma imensa mudança. Mas, o que querem, na verdade, é deixar tudo como está. Para que os mesmos continuem se dando bem...

(*) Em tempo: a missa de sétimo dia pelo falecimento do diretor do Ypiranga, Mário Calza, será segunda (dia 19), às 20h30, na igreja São José. O CAY perde o decano de sua história.

 
 
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