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Título: O preço de uma paixão *
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 05/07/2008
 

Quanto custa uma paixão?

Um amor verdadeiro tem preço?

Não sei quem poderá avaliar tanto um quanto outro – o custo de uma paixão, o preço de um amor – e olhe que nem precisa ser verdadeiro. Pode ser made in China mesmo, um desses amores fugazes que dura o tempo de um delicioso equívoco.

Como disse, não sei se existe tal consultor financeiro na praça, sei sim, porque ele me disse, que o Nando vai querer receber uma gorda indenização com juros de mora, correção monetária e tudo o mais que ele tiver direito, visto do que ocorreu nesta semana – e o levou dos píncaros do paraíso a dias de martírio e desolação.

É uma longa história que tento resumir nas linhas que se seguem...

II.

Há coisa de três ou quatro anos – uma eternidade para os novos sentimentos –, Nando e Fabi se curtem, digamos, à distância. Não saem do chova-e-não-molha por motivos que não sabem e não querem explicar.

Para ser sincero, são dois vacilões.

Mas, que rola uma sinergia é inegável.

Um dia até saíram para almoçar num restaurante maneiro, esticaram o máximo as mastigadas e a conversa. Não saíram disso, porém.

III.

Depois ainda chegaram se ver profissionalmente uma ou outra vez. Ameaçaram um novo encontro que, na verdade, nunca aconteceu. Mais por causa da moça que sempre se disse confusa e sem saber bem o que queria da vida.

Emails daqui, telefonemas no celular dali, foram tocando a vida no ‘quem-sabe-um-dia’.

Insistiram no zero a zero, embora quisessem o um a um.

IV.

Há que se viver para entender a vida.

No entanto, amigos, nem sempre basta amar para se entender as sinuosidades de um amor – ou coisa que o valha, que hoje em dia essas situações não andam claras.

Os email foram rareando enquanto as ligações cessavam.

Resultado. Os dois se perderam.

É da vida e dos amores...

V.

Até que dia desses, o simpático Sr. Acaso resolveu entrar em cena.

Um encontro banal numa praça de alimentação mais banal ainda reacendeu a velha chama (sempre quis usar essa expressão). E os dois que andavam tristes, descrentes desse mundo, reencontraram-se.

-- Quero ver você de novo e sempre.

Ele lhe disse.

Ela gostou do que ouviu e respondeu:

-- Eu também. Agora me sinto mais segura...


VI.

Estavam acompanhados. Por isso, seguiram, com os respectivos grupos, mesmo sinalizando um próximo encontro.

-- Eu ligo, disse ele, que estranhamente vestia a camisa do Flamengo.

-- Te emeio, completou ela. As amigas já se mostravam impacientes com a demora do papo dos dois.

VII.

No minuto seguinte, Nando conferiu o número de Fabi na agenda do velho celular.

-- Precisa trocar essa tranqueira.

Estava tão feliz que nem escutou que nem ouviu a recomendação do amigo.

VIII.

Naquele mesmo dia, Nando ligou.

Ela foi bem receptiva.

Claro, iriam se ver, sim.

Foi o que reafirmou depois num breve email.

Quando?, teclou ele.

Pra semana, respondeu a moça.

Sem falta, animou-se o rapaz.

"Eu procuro vc."

Assim, Fabi finalizou a empolgante conversação.

IX.

Nesta terça pela manhã ou foi no início da tarde, ele abriu a telinha e incrédulo viu o nominho dela piscando entre as mensagens recebidas. Ficou feliz feito pinto no lixo. Quicou a resposta – “Quando?” – assim que leu as breves palavras.

-- Seria uma boa um café depois do trabalho, aqui, por perto, nos Jardins.

No fim da noite, outro email de Fabi com proposta irrecusável.

“Qualquer noite, menos quarta. Tenho um compromisso.”

X.

Melhor impossível.

Naquele dia quando se encontraram na tal praça de alimentação, ele acabara de se engajar na versão paulistana da Liga dos Urubus, união de flamenguistas e afins -- por isso, a camisa rubro-negra -- para secar o Fluminense na final da Taça Libertadores da América. Teria a noite livre, portanto, para ver a sensacional decisão.

Melhor impossível, repetiu para se convencer do milagre.

Teclou convicto:

“Na quinta, então.”

Um “ok” foi a resposta.

XI.

Bem, o resto da história vocês, meus caríssimos cinco ou seis leitores, podem imaginar.

Tirando a derrota do Nense, nada deu nada certo para Nando.

Para Fabi, nem isso.

Na quarta-feira à noite, Nando pulou tanto nas comemorações pela vitória do LDU e nem percebeu que desapareceram as letras e os números do visor da tranqueira do celular.

Quando se deu conta, quase noite de quinta, dia do encontro, correu para uma dessas oficinas que consertam aparelhos.

Ouviu uma frase conhecida:

-- Tem conserto, não. Precisa trocar essa tranqueira, doutor.

Tarde demais, mas havia a internet.

XII.

Havia.

No mesmo dia, deu pane nos equipamentos da Telefònica e milhares de paulistanos ficaram sem acesso à internet. Nando e Fabi, entre os desplugados.

Ela, marrenta que só, achou que seria bandeira demais correr para uma lan house. Não quis dar esse “boi” a ele que, aliás, imaginou, bem que poderia ter ligado.

Enquanto isso, um Nando desesperado clamava na fila da loja da Vivo no mesmo shopping em que ambos se encontraram dias antes.

-- Se eu nunca mais encontrá-la, vou tascar um processo a Telefònica. Vou querer uma indenização milionária por perdas e danos.

XIII.

Nando não sabia. Mas, Fabi também estava desconsolada. Não era pelo desencontro dos dois. Nem lembrou do compromisso, na verdade. É que, desde garotinha, acreditem!, ela é fã de Renato Gaúcho.

Vai daí...

 
 
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