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Título: Consciência e cidadania
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 16/06/2000
 

01. O deputado federal, Jair Menegheli, esteve na manhã de terça-feira na Universidade São Marcos. Veio a convite dos alunos do curso de Fisioterapia para falar sobre o movimento sindical do Brasil nos anos ditatoriais, especialmente das greves dos metalúrgicos nos anos 78/79/80. Dentro da disciplina de História Moderna - Atualidades, os alunos investigam os fatos que mudaram a cara do País nos últimos 50 anos e o movimento do ABC foi o primeiro ato público de repúdio ao sistema vigente. De início, como Menegheli deixou claro, teve um caráter apenas reivindicatório. Lutavam por melhores salários. Mas, logo a seguir, acabou por ampliar seus limites para a área da política e da cidadania. Sensibilizou a sociedade que tomou consciência dos males do arbítrio e pôs em xeque o próprio regime militar, que o combateu duramente com armas, bombas, cacetetes e cães ferozes. Para a História, as greves do ABC passaram como um marco do processo de redemocratização do País que desaguou na manifestação pelas diretas e, finalmente, na vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 85.

02. Durante hora e meia, o deputado do PT lembrou dos tempos de metalúrgicos na Ferramentaria da Ford e como se deu a jornada da alienação à consciência para os embates sociais que iam além das paredes da fábrica. Sua entrada para o corpo associativo do sindicato (então presidido por Luiz Inácio Lula da Silva) deveu-se à necessidade de fazer um curso de Madureza. Quem fosse sócio, pagava a metade, então lá foi ele. Posteriormente, envolveu-se com o movimento sindical ao perceber que a velha máxima ("A união faz a força") é a mais absoluta das verdades até o compromisso de ocupar a presidência do Sindicato dos Metalurgicos do ABC.

03. "É sempre importante ressaltar aquele momento que foi relevante para a História recente do País. Sempre cabe uma avaliação dos nossos passos e conquistas. O Partido dos Trabalhadores nasceu da necessidade de consolidar esses avanços e enfrentar novos desafios para a sociedade como um todo. Temos consciência de que, apesar de tudo, ainda estamos longe do Brasil ideal. Mas, continuarmos na luta é o que importa. E é o que fazemos."

04. Sobre o momento presente, Menegheli enfatizou que Educação e Saúde deveriam ser as prioridades de todo e qualquer governo que se pretenda sensato. Mas, ressaltou, há outras questões tão prementes quanto: a reforma agrária ("uma questão que já deveria estar equacionada há tempos") e o desemprego. "Vivemos um momento angustiante. Para se ter uma idéia, nos anos 70 só em São Bernardo haviam 140 mil metalúrgicos. Hoje, nas sete cidades do ABC, esse número não ultrapassa as 102 mil vagas". E disse mais: "E, olhe, que não são só os metalúrgicos que vivem esse grave problema. Todas as categorias profissionais passam por esse funil. Em casa mesmo, duas das minhas filhas ainda estão fora do mercado, com curso superior e tudo mais".

05. O País anda fora dos eixos. A tal da globalização não é a ambicionada pedra filosofal que se propõe a resolver todos os males da Humanidade. Em tempos de grampos telefônicos, Ilhas Caymman, reformas que não se completam e exportações exageradas ("Hoje, chegamos ao cúmulo de importar côco da Bahia diretamente da Malásia. É um absurdo!), é sempre salutar ouvir vozes sensatas falando aos jovens. Até porque é a partir deles que se pode sonhar em construir um Brasil de todos os brasileiros. Consciência e cidadania são a base desses novos -- e promissores -- tempos.

 
 
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