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Título: Essa abissal distância entre nós e os tucanos
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/08/1996
 

01. Os paulistas da Grande São Paulo não aprovam o rodízio de veículos, em vigor a partir de segunda, dia 5. O secretário do Meio Ambiente, Fábio Feldman, e seu staf verde, no entanto, insiste na operação. Querem preparar a população e evitar o recrudescimento da contaminação ambiental na megalópole.

02. A medida, desde seu anúncio, se revelou polêmica. Conta mesmo com respeitáveis pareceres desaconselhando a implantação. Autoridades internacionais em meio-ambiente falam em equívoco. Revelam que todo esse cerimonial (leia-se gastos) pode ser em vão. Não se sabe sequer quais serão as condições ambientais no próximo mês. Se a qualidade do ar for boa, para que o sacrifício? A Ordem dos Advogados do Brasil já se pronunciou contraria. Diz que a medida traz aspectos inconstitucionais. Ainda ontem já se divulgava a primeira liminar judicial contraria ao rodízio...

03. O Governo, mesmo assim, insiste em fazer ouvidos moucos.Com o beneplácito do governador Mário Covas, prefere não sintonizar a voz das ruas, a voz da nossa gente. Uma pena.

04. A bem da verdade, essa abissal distância entre governantes e governados tem sido praxe no Brasil de hoje. Também na esfera federal, os senhores do Poder se arrogam prerrogativas inimagináveis a nós, pobres mortais. Consideram-se tolamente senhores únicos da verdade, acima do bem e do mal.

05. Que o diga a equipe econômica de FHC. Quanta falta de sensibilidade. Um dia depois do Congresso reverberar a vontade do ministro Adib Jatene e aprovar a malfadada Contribuição Provisória de Movimentação Financeira, eis que nos apresentam outro prato feito, diga-se, de difícil digestão. Ao liberar as tarifas bancárias, nossos próceres em Economia mostraram uma grande preocupação com a saúde de nossas instituições financeiras. Em contrapartida, só referendaram a indiferença com que tratam a saúde de nossos bolsos a cada dia mais aviltados por taxações e impostos.

06. O usuário da rede bancária -- uma necessidade em nossos inseguros dias -- não tem qualquer instrumental de luta diante das cobranças que o banco vier a lhe fazer. Ele tanto pode lhe cobrar 0,30 centavos de reais por um talão como pode lhe imputar uma taxa absurda para fazer uma ordem de pagamento. Também não podemos estar mudando de banco a toda hora em busca de tarifas promocionais. Parece óbvio que vamos ficar nas mãos dos banqueiros. E não nos restará outra alternativa senão agüentar mais esse tranco. O próprio Instituto de Defesa do Consumidor já está estudando a questão que, de tão absurda, nem parece ser real. 07. É, no entanto, uma voz única a clamar nesse deserto de bom-senso e vontade política que se transformou o Brasil de hoje.

NR: Escapa-me à memória o nome do autor da frase. Sei que é sintomática nessa manhã de quinta-feira, ainda curtindo uma ressaca nigeriana. O futebol sempre foi uma alternativa à miséria. O futuro do futebol, acredite, está na África.

 
 
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