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Título: Trombadinhas de todos os calibres
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/08/1996
 

01. O falante Chiquinho Caponaro, um dos mais renomados cabeleireiros da região, chegou assustado ao campo do União Mútua na manhã de domingo. Ele saiu de sua residência, no Jardim da Saúde, para jogar um futebolzinho esperto com os amigos da Vila Carioca, uma prática que mantém há anos. Ao chegar no trevo do Sacomã, que está em obras, não teve como escapar do inevitável congestionamento, habitual mesmo nos finais de semana. Chiquinho não escapou também da ação de dois garotos que se aproximaram do carro e foram logo ameaçando: "Ô tio, vai passando tudo o que tem aí. Não bobeia, não, que a gente está armado, falo". Enquanto falavam, escondiam uma das mãos sobre a manga do moleton, simulando empunhar um revolver.
--Tá vacilando muito, quer tomar um tiro?
Pelo sim, pelo não, Chiquinho achou melhor entregar os 80 reais que trazia no bolso. Os trombadinhas sumiram em meio aos canteiros de obras. Ele ficou aliviado. Vão-se os anéis, ficam os dedos, filosofou.

02. Ao me narrar sua desventura, Chiquinho já manifestava, porém, uma compreensível indignação. Os meninos não podiam ter mais do que 13, 14 anos e já estavam nessa vida. Não lastimou o dinheiro perdido, mas o futuro incerto, dos garotos e de todos nós. É a lei da selva, cara. Chiquinho ficou mais arrasado ainda quando lhe contei que, diariamente, casos como o seu acontecem naquele e em outros pontos do Ipiranga. Por diversas vezes, nossa Gazeta do Ipiranga noticiou o fato, até em primeira página. As respostas das autoridades para a questão batiam sempre na mesma tecla: falta de contingente, mesmo para policiar pontos críticos da cidade.

03. Na manhã de segunda-feira, uma grata surpresa. Eu, Chiquinho e todos os paulistanos encontramos uma cidade absolutamente policiada. Em quase todos os cruzamentos, especialmente os de maior movimento de veículos, duplas, trincas e até quartetos de policiais estavam ali postados, de prontidão, para...multar -- pois é, multar -- os motoristas que ousassem burlar o rodízio de veículos, imposto pelo Governo do Estado. De onde surgiram, tantos guardas? -- era pergunta que todos se faziam. Por onde andavam quando trabalhadores, como o Chiquinho, e donas de casas são assaltadas nos cruzamentos, à saída das compras, nos parques e praças da supermetrópole? O número de multas aplicadas, por exercermos nosso inalienável direito de ir e vir, já superava a casa dos 30 mil até a amanhã de ontem. Assim fica difícil entender se o Governo é por nós ou está contra nós...

04. Esse grau de incompreensão, digamos, popular se estende também à área federal. A equipe econômica de FHC, vira-e-mexe, nos surpreende, temerariamente, com suas estratégias. Em tese, são ao nosso favor. Na prática, um desastre. O Plano Real acabou com a inflação (ótimo!), estabilizou a moeda (ótimo!) e pôs fim a ciranda financeira (notável!). Mas, no bojo dessas conquistas, vieram as medidas recessivas, o dinheiro ralo, a queda do volume de negócios, inadimplência, recordes de falência, estagnação social e desemprego em massa. Outra pergunta: o que mudou para nós? Continuamos à deriva...

05. Em julho, a taxa de juros do cheque especial superou os 14 por cento. Quem for ao banco buscar socorro financeiro vai encarar juros que batem nos 18 por cento. Agora, se você é um desses poupadores ferrenhos -- que pensa no futuro e cousa e lousa... -- prepare o seu coração. Nesse mês, seu rendimento será de algo em torno de 1 por cento. Entendeu a ciência? Você pegou emprestado, paga -- vamos no barato -- mais do que 10 de juros, certo? Você poupa -- empresta ao banco -- e recebe rendimento de 1 por cento, mas vai pagar tarifa bancária. É por nós ou está contra nós...

06. Respostas com FHC, Malan, Kandir, Covas, Feldman e Cia...

 
 
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