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Título: Lutemos, pois. É o que nos cabe...
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 26/06/1999
 

"O medo não é mestre, é um louco que delira constantemente" (Oscar Quiroga)

01. Foi uma quarta-feira representativa esta que passou. Um dia frio a revelar o quanto são frágeis os fios dessa teia assustadora -- e onipresente -- chamada modernidade.

02. Pela manhã valeu a visita de um amigo de longa data e poucos encontros. Foi apenas uma passada rápida pela Redação de GI, tempo suficiente para o café sem açúcar e uma série de constatações igualmente amargas, de onde veio dar nosso País. Somos da geração que ousou sonhar com o fim da Ditadura e acreditávamos que todo o mal fardava-se de verde oliva. Hoje, entendemos que não é bem assim. Era mais fácil detectarmos quem entendíamos como obstáculos às nossas idéias e ideais. Brigávamos, mesmo que desajeitadamente e à nossa maneira, por um Brasil de todos os brasileiros. Justiça social, eleições diretas em todos os níveis e um país soberano a gerir seu grande destino -- era por essa rota que caminhávamos com a certeza de que semearíamos uma Nação contemporânea, justa e igualitária.

03. É companheiro, sabemos hoje que não é bem assim. A vida, como naquela dolente canção dos Beatles, é uma longa e sinuosa estrada. E logo na quebrada da primeira curva alguns dos chamados baluartes da democracia mostraram a que vieram. Aboletaram-se no Poder, vestiram a carapuça daqueles a quem combatiam, fecharam alianças espúrias com os que serviram aos generais-presidentes e entregaram o País ao bel-prazer do capital estrangeiro. Falam em globalização, em estar conectados com o Planeta e o que temos ao redor, como resultado mais concreto, é a favelização das grandes cidades, a disseminação da miséria, a violência das ruas... O medo do nada, o medo de tudo...

04. Segure essa onda, amigo. Quer saber: este canto do mundo chamado Ipiranga/São Paulo/Brasil ainda precisa muito de gente como você. Que acredita no ser humano. Que sonha e ama e luta. Lutemos, pois. Apesar de todos os contratempos, de todas as desilusões, ainda somos os privilegiados em condições de mudar o placar do jogo da vida. Gente é para brilhar, não para morrer de fome, de tédio. De susto, de bala ou vício...

05. À tarde, a questão foi outra. Tentei por diversas vezes falar com uma pessoa muito próxima. Queria lhe passar uma novidade sobre um assunto comum. Nada transcendental, embora nos dias atuais a gente nunca sabe exatamente o que é ou não é importante. Pois bem, liguei por diversas vezes. Em algumas ocasiões, ninguém atendia a ligação (soube depois que o telefone seqüencial da empresa está com defeito e determinados canais não completam a ligação). Em outras, a voz da telefonista era implacável: o ramal está ocupado, aguarda?. No celular, sem chance: área fora de serviço. Depois de tentar pela enésima vez fiquei a matutar que, por mais engenhocas que o homem invente, a comunicação interpessoal ainda é um achado. Quase uma obra divina. Ademais, fica sempre a impressão de que o que ontem era novo hoje, a bem da verdade, pode estar caindo de maduro. Sinais dos tempos.

06. Para me conformar do insucesso, adotei uma postura cética. Nem era tão importante assim. Uma bobagem que, em caso afirmativo, poderia mudar todo o meu projeto de vida. Mas, o que é o futuro senão o ontem que virou hoje e ousa preparar o amanhã?

07. Na verdade, só me conformei mesmo quando vi o presidente à noite na TV. Ele queixava-se da sua base partidária no Congresso e, creio eu, de alguns ministros que andam às turras por um naco maior do Poder. Dizia ele que seus limites (creio eu de tolerância) haviam se esgotados -- e aí, pensei, agora ele vai governar? Mas, logo em seguida, veio anúncio do novo aumento dos combustíveis e, constatei, que tudo vai continuar como está...

 
 
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