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Título: Montoro, FHC e Covas
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 09/03/2001
 

"E eu tenho certeza de que, de onde esteja, você vai nos olhar" (Presidente Fernando Henrique Cardoso no enterro do governador Mário Covas)

01. A morte do governador Mário Covas abre espaço no PSDB para a segunda geração do tucanato, encabeçada, desde já, pelo herdeiro de Covas, o agora governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

02. Na verdade, só restou o presidente Fernando Henrique Cardoso, do triunvirato que fundou o PSDB na década de 80 e que era composto por Franco Montoro e Mário Covas. Vale lembrar que o ministro José Serra também foi membro fundador do partido, mas seu nome nunca teve a mesma projeção de FHC, Montoro e Covas.

03. Não é errado dizer que o partido, desde o primeiro momento, pensava nos três como virtuais presidentes da República. Na ordem natural das coisas, Montoro, por ser governador de São Paulo (82/86) e comandar o movimento das Diretas-Já, era o primeiro da lista para uma provável candidatura presidencial. No entanto, seu nome foi preterido ao de Mário Covas para a eleição de 89, vencida por Fernando Collor.

04. Montoro perdeu muito do cacife político após deixar o Governo paulista. Os adversários do PSDB espalharam o estigma (injusto) de que o ex-governador era trapalhão, trocava nomes e havia feito um governo sem brilho. Covas, então, enfrentou o desafio de ser presidenciável. Sua postura independente acabou por assustar empresários e os meios de comunicação, que bandearam-se, de mala, cuia e interesses, e literalmente tramaram a vitória collorida.

05. Há quem afirme que, dentro do próprio PSDB, os correligionários de Covas enfrentaram dificuldades durante a campanha. Alas mais oportunistas já almejavam se aproximar do favorito das pesquisas, Fernando Collor. Tanto que ainda hoje os petistas reclamam da demora dos tucanos em apoiar Lula após a definição do primeiro turno. Covas foi um dos raros que nunca hesitou e subiu no palanque para defender o candidato natural das esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva.

06. Aliás, é histórica a indignação de Mário Covas quando soube que parte do PSDB maquinava a possível indicação de Fernando Henrique Cardoso como ministro das Relações Exteriores do Governo Collor. FHC estava bastante inclinado a aceitar o convite. Tanto que foi um dos primeiros a sentar-se ao lado de Collor e cumprimentá-lo pela vitória.

07. Do alto da sua autoridade, Covas chamou às falas os oportunistas. Fez valer as propostas do PSDB e não mandou recado. Foi pessoalmete falar com Fernando Henrique e esclarecer que o partido não comporia, em nenhuma instância, com o Governo que ora tomava posse. Dizem que houve uma conversa difícil, mas prevaleceu a voz da razão. A voz da ética. A voz de Mário Covas, um político que sempre soube honrar o mandato que o povo lhe conferiu nas urnas.

 
 
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