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Título: O Castelo dos Sammaronne e o Ypiranga de todos nós
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 17/08/2001
 

"O problema do nosso tempo é que o futuro não é aquilo que costumava ser" (Paul Valéry)

01. Num tempo que o próprio tempo gostaria de esquecer, mas que a gente teima em lembrar, o Ipiranga tinha lá seus ares de nobreza. Quem duvidar que confira a foto -- e os mais velhos, claro, irão se lembrar: o castelo dos Sammaronne que localizava-se onde hoje se situa o bairro do Moinho Velho, nas proximidades da praça Monte Azul, do lado direito, bem no início da via Anchieta. O registro fotográfico é da década de 50 (não foi possível precisar o ano), quando a urbanização daquela região se intensificou, e inclusive o trânsito intenso começou a mudar a cara daquelas paragens. Já não havia a lagoa do Sacomã, nem a primeira sede do Clube Atlético Ypiranga. Só as enchentes persistiram, ainda por um longo período, a afligir os pobres plebeus que moravam no entorno do castelo...

02. Àquela época, as enchentes causavam grande temor e eram responsáveis pelas maiores dores de cabeça dos moradores e comerciantes locais. Pelas histórias que se ouve de antigos ipiranguistas, eram as maiores e também as únicas. O Ipiranga era tido e havido como uma região tranqüila, boa para se morar, não muito distante do centro velho da cidade (onde tudo acontecia), com indústrias e comércio promissores, muitos campos de futebol e um clube que disputava a divisão principal do campeonato paulista, com determinação, coragem e honra.

03. O Clube Atlético Ypiranga era considerado um celeiro de craques. Sempre revelou grandes talentos para o futebol brasileiro. Dois deles -- Arthur Friendereich e o goleiro Barbosa -- são referências obrigatórias em toda e qualquer obra que fale da história do esporte no País. Causava sensação. Era uma espécie de São Caetano na Copa João Havelange. Perdoem-me o sulcaetanenses, mas com muito mais charme e futebol sempre vistoso.

04. Era marcante a coragem com que enfrentava o chamado trio-de-ferro (Palmeiras, Corinthians e São Paulo) de igual para igual. Seja por isso, seja pelo fascínio das camisas de listas largas alvi-negras (que dizem chegou a inspirar outros uniformes em equipes do Brasil), o Ypiranga, assim mesmo grafado com y, era considerado a segunda equipe de todos os paulistanos. Para muitos ipiranguistas, a primeira e única paixão esportiva.

05. Não sei se exagero. Mas, creio que posso colocar entre esses privilegiados torcedores o atual presidente do Clube Atlético Ypiranga, Roberto Nappi, e o sempre diretor Mário Calza, que tem a história do clube de cor e salteado e até pouco tempo foi vizinho de parede do CAY. Ou seja, era um ypiranguista de tempo integral.

06. Nappi e Calza estarão presentes amanhã na festa de encerramento das festividades de 95º aniversário do Ypiranga, recepcionando outras tantas personalidades que, de um modo ou de outro, também contribuiram para escrever a história do clube e deste bairro-cidade. Que pode lá ter perdido suas filigranas de nobreza (especialmente porque toda a metróple se aviltou e recrudesceu seu ritmo de vida), mas que soube preservar uma de suas mais caras tradições, o Clube Atlético Ypiranga. Fez melhor: transformou numa das mais completas instituições esportiva, recreativa e social do País.

07. Parabéns, ypiranguistas! E como diria o Laerte Toporcov, outro ypiranguista quatrocentão, vamos começar a contagem regressiva para a grande festa do centenário...

 
 
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