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Título: O jornal em suas mãos
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 27/04/2001
 

"Quanto mais cedo você fizer novos amigos, mais cedo você terá velhos amigos" (Eric Bene)

01. Um tempo do Brasil esperança. Do governo JK, da construção de Brasília, da indústria automobilística, da bossa-nova, do poetinha Vinícius de Moraes e da seleção canarinho, pela primeira vez naquele ano campeã mundial de futebol. Tempo de esperança, sim, personificada na menino prodígio, que impressionou o mundo, Edson Pelé Arantes do Nascimento. Tempo de sonhos e ideais embasado na efervecência política e no slogan que melhor nos definia: Brasil, o país do futuro...

02. A quatrocentona cidade de São Paulo era então chamada de locomotiva da Nação. Trabalho, pujança, desenvolvimento conduziriam o País a novos rumos socialmente mais justos, ao patamar das grandes potências mundiais. A cidade cresce e as expectativas são promissoras. Paira uma aurea de otimismo que, em recente livro-reportagem, foi exemplarmente definido, com misto de nostalgia e incertezas: 1958. O ano que não devia terminar.

03. Foi neste contexto que, em 26 de abril, surgiu Gazeta do Ipiranga, com o compromisso básico de lutar pelos interesses da região que, além de abarcar o subdistrito da Saúde, via crescer as vilas e jardins da periferia em ritmo vertiginoso.

04. Antes de qualquer coisa, era preciso conhecer o bairro, sua gente e história, que aliás se confude com a própria História do Brasil. Considerado até 1919 como
arrebalde do Cambuci, o Ipiranga urbanizou-se a partir da construção do Museu no final do século passado e ganhou novo alento com a construção do Monumento da Independência, inaugurado em 1922. A essa época, aqui, já se estabeleciam as primeiras fábricas e olarias, tocadas por levas de imigrantes vindos do Interior do Estado e mesmo de fora do País. O Ipiranga transformava-se e deixava de ser um punhado de chácaras e pastarias, esparsas aqui e ali.

05. A década de 30 marcou a consolidação como centro urbano. O Ipiranga ganha um perfil definido, com as mansões da rua Bom Pastor, as instituições religiosas e educativas na avenida Nazaré, o casario dos trabalhadores com portas e janelas para a rua, os bondes, as lojas do Ponto Fábrica, os cinemas e, sobretudo, as raízes de uma vida comunitária que ainda hoje é perceptível e é nosso diferencial com outras regiões de São Paulo. Só em 1934 -- incrível, né -- o Ipiranga é oficialmente reconhecido como bairro e deixa de ser visto e entendido como
Freguesia do Cambuci.

06. Quando GI saiu às ruas pela primeira vez, a região vivia outro momento especial. A explosão democráfica trazia, em seu rastro, novas indústrias, o crescimento comercial e a implantação e melhoria de equipamentos públicos como creches, escolas, hospitais e toda uma infra-estrutura de serviços -- calçamento, iluminação, rede de água e esgoto, canalização e limpeza de córregos etc. Lutar por essas melhorias foi nossa primeira missão.

07. A mais significativa delas, porém, foi a organização social que ajudamos a consolidar nesses 43 anos de vida. As pessoas entenderam desde logo que tinham um porta-voz confiável e determinado de suas reivindicações. Que podiam contar com nossas páginas para criar e fortalecer entidades representativas e clubes de serviço, sociedades amigos de bairro e conselhos comunitários, dar o indispensável suporte publicitário para a indústria e comércio da região, apoiar o esporte e a cultura e os talentos natos da nossa região, além de discutir questões de interesses públicos e, sobretudo, semear os grãos de cidadania, mesmo que nos tempos áridos da ditadura.

08. É bom chegar, na manhã desta quinta-feira, e refletir sobre os tempos idos, e ter a consciência tranqüila de quem não decepcionou a confiança dos amigos, leitores e anunciantes. É motivo de orgulho saber que somos referência sempre que se fala em imprensa de bairro no País. Mas, é motivo de satisfação maior saber que esse desafio se renova a cada sexta-feira, quando o jornal chega às suas mãos...

09. O Brasil já não é o País do futuro, como em 1958. Mas, continuamos a luta para preservar a esperança e virar esse jogo. Nossa força é a certeza de ter você, caro leitor, sempre ao nosso lado.

 
 
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