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Título: O País do Bambam
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 05/04/2002
 

"De tanto ver triunfar as nulidades..." (Ruy Barbosa)

01. Houve um tempo em que éramos saudados, cantado em verso e prosa, como um País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Por força das mudanças climáticas, nem tanto. Mas, principalmente, por interesses que sei lá quais são (mas que existem, existem), acordamos hoje como o País do Bambam. Quem diria!

02. Pois é. Não somos o País do escritor Ariano Suassuna ou do professor e cientista José Goldemberg. Também hoje não nos representa a arte de um Volpi ou Di Cavalcanti ou ainda os versos bem engendrados do compositor Chico Buarque. Os gols de Pelé, aliás, hoje são apenas matéria de memória e de exposição no Masp. De nada vale a força empreendedora de um Antônio Ermírio de Moraes ou a postura altruísta de uma Zilda Arns. E, olhe, sei que o que vou escrever vai deixar chocado o próprio Fernando Henrique Cardoso. Mas, o presidente não é o número um do Brasil. Ah!, não, nem pensar... Hoje, quem manda prender e soltar, deita e rola, faz e acontece, e tornou-se referência de sucesso por aqui é o grande vencedor do tal Big Brother Brasil. Somos o País do Bambam...

03. Nada contra o moço. Também nada a favor. A bem da verdade, não o conheço. Por força do hábito (péssimo, por sinal) de ver programas esportivos no domingo à noite, não pude saber de suas aventuras na casa, nem participar de nenhuma votação. O que sei dele, ouvi de pessoas do meu convívio aqui no jornal, na universidade, em casa... Garanto, caro leitor, que as discussões sempre foram acaloradas e o moço que, de início, era candidato a ser única e exclusivamente um feixe de músculos transformou-se no grande ícone de popularidade, especialmente depois de cunhar a já célebre e antológica (não no sentido de anta, mas de antologia, certo?) expressão: "no meu modo de vista..." Agora, o rapaz conta os quinhentinhos que levou, faz planos e, principalmente (por força dos contratos com os patrocinadores) dá entrevista ao Jornal Nacional, Jô Soares e a todo o conglomerado de comunicação que possua a logomarca global.

04. Todos querem saber a fórmula do sucesso imediato. Como alguém sem trabalhar, ralar nos livros, vencer uma a uma as duras etapas do aperfeiçoamento pessoal ou possuir qualquer talento pode se transformar no príncipe dos realities shows. Com direito ao tudo de bom que a vida oferece...

05. O leitor mais atento já percebeu: o Bambam de hoje é o Supla de ontem e, certamente, será suplantado pelo vencedor da próxima bobagem que for ao ar. São os famosos quinze minutos de fama e nada mais. Dá para entender, mas não para aceitar. O brasileiro está adotando uma postura de gata borralheira à espera que uma fada ou outro ser mítico, desde que global, o toque com sua varinha de condão e, a partir daí, tudo na sua vida e no País se acerte e possamos viver felizes para todo o sempre.

06. Enquanto isso, caímos em contos da carrochinha que são de lascar. Aquele do
caçador de marajás, quem se lembra? Da conversa fiada da reeleição? Do apagão que não apagou, mas fez subir as contas de energia? Do Fura-Fila além da imaginação, que só os ipiranguistas não esquecem...

07. E tome truques e traquejos televisivos. Lembra-se do jargão "obras do Maluf" que a propaganda eleitoral consagrou? O que você acha das pesquisas eleitorais? E da propaganda fora do prazo sobre o governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin? O homem fez tudo... Talvez em outro Estado, no interior ou mesmo só na publicidade. Por aqui, as coisas vão de mal a pior. São todos
bambans do mesmo saco...

 
 
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