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Título: O show da vida não é tão fantástico assim
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/05/1998
 

01. São Paulo ontem estampou, em todos as manchetes, o rosto do suposto Maníaco do Parque, preso no Rio Grande do Sul quando, imagina-se, tentava uma fuga para a Argentina. Acusado de estuprar e matar oito mulheres (e seviciar outras tantas que agora o acusam), o facínora ganhou amplo espaço no rádio e na TV, com direito inclusive a uma concorrida entrevista coletiva, encontro público com os pais, frases de efeitos e declaração de inocência, apesar das contundentes provas que o incriminam. A Imprensa, escolada em episódios como a Escola Base e o crime do Bar Bodega, tratou o assunto cheia de dedos e cuidados. Mas, não resistiu ao processo (cada vez mais freqüente e parece que irreversível), do que se convencionou chamar espetacularização da notícia. E aí a coisa descamba para a dramatização, o sensacionalismo que, muitas vezes, transformam a versão do fato mais importante que o próprio fato.

02. Aqui, deste modesto posto de observação, fico remoendo a sensação de que talvez fosse o momento proprício a uma reflexão, tanto para os que escrevem e mostram como para quem lê e assiste.

03. Episódios recentes confirmam que essa tendência do show da vida tende a ser cada vez maior já que a globalização é um fato (não uma notícia). Não vai longe o qüiprocó Ronaldinho no final da Copa da França, a falta de transparência e as infinitas versões que foram levantadas sobre o tema. De real mesmo, o que sabemos é que o Brasil perdeu para a França merecidamente porque foi inferior em campo. O placar não deixou dúvidas: 3x0. O resto foi esquetes para vender tênis, cerveja e outras coisitas mais. Plim...Plim...

04. Para não dizer que temos exclusividade sobre o fenômeno. Basta olhar para o que acontece hoje na nave-mãe, os Estados Unidos. A mancha em um vestido pode definir a sorte (ou o azar) daquele que teoricamente é considerado o homem mais poderoso do mundo. O presidente, Bill Clinton, pode ser acusado de perjúrio à constituição americana por ter omitido, em seu depoimento à Justiça, seu possível affair com uma estagiária da casa Branca.

05. O mundo vive outros de seus momentos conturbados. A instabilidade persiste ameaçadoramente no mercado de ações. As bolsas do Oriente instigam o caos econômico a partir das baixas em Wall Street e Nova York. China e Russia, potencialmente os dois maiores mercados do Planeta, capitulam diante de uma realidade que lhes é absolutamente inóspita, porque desconhecida e, por enquanto, inatingível. Índia e Iraque brincam de fabricar e esconder armas nucleares e químicas. Na África, outra vez, milhões vivem o flagelo da fome às últimas consequências. O terror deixa 200 mortos na Colômbia. E nos Estados Unidos, tal e qual um internato, a ordem do dia é saber se o presidente sim ou o presidente não...

06. Ora, caro leitor, convenhamos, não convém esperar que tudo voe pelos ares para entender que todos brincamos de enganar e ser enganados. Não somos personagens de uma telenovela. (Jamanta. Bum!) e ninguém pode nos assegurar o final feliz e o próximo capítulo, senão nós mesmos.

 
 
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