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Título: Os prefeituráveis descobrem o Ipiranga
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 26/11/1999
 

"Sempre existe um porém..." (Plínio Marcos)

01. O Ipiranga entrou no mapa da corrida eleitoral para a Prefeitura paulistana em 2000. O (e)leitor, na verdade, já andava desconfiado das freqüentes visitas do prefeito Celso Pitta à região -- e inaugura isso e acende aquilo e fala com esse e cochicha com aquele... enfim, alinhavos de campanha. Costuras que outros pré-candidatos começaram a reforçar nesta semana. Em menos de 60 horas, três prefeituráveis estiveram no bairro, por motivos outros; mas de olho vivo no Palácio das Indústrias. Na segunda, o vice-governador Geraldo Alkminn esteve no encerramento da Semana Arte e Vida do Hospital Ipiranga -- ele é o nome do PSDB. Na terça, foi a vez da deputada Marta Suplicy a visitar uma escola na região. A mais do que candidata do PT veio como sexóloga e, em sua palestra, encantou o pessoal da escola Conde José Vícente de Azevedo. Um dia depois, foi a vez dele, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, visitar uma empresa em Vila das Mercês e cumprir um amplo programa de contatos na zona sudeste. O homem disse que ainda não é candidato oficialmente, mas há muitas possibilidades. A Justiça Eleitoral é quem vai decidir o sim ou o não...

02. O (e)leitor mais atento sabe que ainda estamos só no começo do que já se anuncia como sendo uma acirrada disputa eleitoral. Vencer na Capital é fundamental para os planos e expectativas de todos os partidos, inclusive em âmbito nacional. Foi assim, por exemplo, em 85 quando o ultraconservador Jânio Quadros venceu o então progressita (sic!) Fernando Henrique Cardoso e ala à direita do então presidente José Sarney pôde espalhar-se pelo Ministério e dar um rumo socialmente frágil às diretrizes de governo. Depois vieram Erundina (88), Maluf (92) e Pitta (96) -- esses dois reforçando a gestão tucana-pefelista que (des)manda no Brasil desde 94. Erundina quando prefeita foi bombardeada pela mídia e, de alguma forma, acabou atrapalhando os passos de Lula na eleição de 89, de triste memória, que elegeu Collor, desaguou no Impechment e gerou todos esses atropelos e equívocos que hoje vivemos.

03. Mas, deixemos a História para os livros. E, sem perdê-la de vista, vamos ao que interessa. Assim como a desastrosa administração de Pitta derrubou o candidato Paulo Maluf ao governo do Estado no ano passado (e ele que sonhava ser presidente), o próximo prefeito da maior cidade da América do Sul deve influir diretamente na escolha do sucessor de FHC. Não é à toa que os partidos estão enfeixando todas as forças nesta disputa. Mais do que em qualquer outro lugar do País é em Sampa que as coisas acontecem ou fazem acontecer.

04. O projeto PSDB/PFL já foi para o espaço e um novo conglomerado de forças tende a se estabelecer para o Brasil. Os exemplos mais notórios: A) a Frente Liberal de Antônio Carlos Magalhães não quer ser apenas base de apoio, e sim ocupar oficialmente o Poder; B) o ex-prefeito Paulo Maluf e o que restou do PPB tateiam no escuro a procura de um rumo (chegaram a sondar a apresentadora Hebe Camargo para ser candidata a prefeita); C) o PT insinua com uma proposta mais light a partir da candidatura Marta Suplicy (que foi sensivelmente prejudicada pelos institutos de pesquisa na eleição passada); D) o PMDB assume definitivamente o papel de fiel da balança, tendo como cacife mais o eleitorado do Interior do Estado; E) os tucanos querem que tudo permaneça como está -- que, aliás, revela-se de bom tamanho para os bicos largos; e F) a grande surpresa do pleito pode ser o PSP de Ciro Gomes que ameaça com Luiz Erundina e outros nomes de envergadura.

05. Parece confuso, caro leitor? Mas, não é. Sei que os moçoilos fazem o que podem para nos iludir. Todas essas tendências, fusões e alianças. Belos discursos, muitas promessas e um jeito de quem está sinceramente indignado com a nossa miséria. Eis alguns dos recursos mais usados para nos convencer de que são diferentes e que só vivem por nós. Quem já derrapou pelas ladeiras da vida sabe bem que palavras e planos escondem grandes mentiras, irreparáveis equívocos e não nos dão garantia de nada. Nem no amor, nem na política. O que vale mesmo são as atitudes -- e aí, rapaz, trate de defender o seu lado. Conformismo é sinônimo de passado, aquele que não volta. Hoje é que vale.

06. Veja a triste história do dramaturgo e jornalista Plínio Marcos, que morreu na semana passada. Depois de morto, todos noticiários (inclusive os de TV) o saudaram como um grande gênio, um revolucionário e o escambau. Durante 20 anos, simplesmente o ignoraram por que não toleravam seu inconformismo e sua postura em prol dos menos favorecidos. Para sobreviver, vendia seus livros nas portas dos teatros de São Paulo e nem por isso deixou que a hipocrisia dos grandes veículos de comunicação o contaminasse. Ou denegrisse a belíssima obra que resistiu aos anos de chumbo e, certamente, resistirá a esses tempos insidiosos e cínicos. Ninguém vive por nós.

 
 
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