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Título: Que semana, hein, presidente!
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 16/07/1999
 

"Terminado o jogo, o rei e o peão voltam para a mesma caixa." (provérbio italiano)

01. Não há solidão mais profunda do que a solidão do Poder. Assim como eu, certamente você, caro leitor, já ouviu este vaticínio por aí. E também já deve ter passado pela sua cabeça o nó em que se encontra o presidente Fernando Henrique Cardoso nesta altura do campeonato -- ou melhor dizendo deste segundo mandato que, aliás, mal começou. E já anda caindo pelas tabelas. O Instituto Vox Populi divulgou nesta semana o índice de aprovação de seu governo, algo em torno de 2 por cento de ótimo e 10 por cento de bom. Ao que se sabe, o pior de toda a recente História do País.

02. Certamente não foram esses índices que detonaram a reforma ministerial que o presidente prometia anunciar ainda ontem. Mesmo quando não está viajando, FHC anda sempre com a cabeça nas nuvens quando se trata de ouvir as massas. É o interlocutor ideal, e em vários idiomas, para congressos, seminários, assembléias internacionais e congêneres. Mas, absolutamente insensível à realidade das ruas e das praças que, no entanto, revela um raio-x perfeito, íntegro do dia-a-dia da corte brasiliense.

03. Senão vejamos. Para 56 por cento dos entrevistados, a equipe de governo gasta muito tempo com intrigas, 45 por cento acham que os ministros são desunidos e 53 por cento consideram que cada qual procura defender interesses próprios. Segundo os 2.008 entrevistados do Vox Populi, 33 por cento dos ministros não seguem a orientação presidencial e 34 por cento seguem apenas parcialmente. Só 20 por cento estão dispostos a atender as designações de FHC. No cômputo geral, entre metas a serem cumpridas e as que deixaram de ser (combate à criminalidade, mais hospitais, emprego para todos, educação, habitação; enfim essas coisas todas que fazem mais digna a nossa vida), 33 por cento dos entrevistados ressaltam que estamos retrocedendo e apenas 17 por cento dizem que o País vai em frente.

04. Há sempre como se questionar os números de uma pesquisa, especialmente se tais resultados não nos convém. Fernando Henrique, certamente, deixará que essas impressões passem batidas -- aliás, como já o fez em ocasiões anteriores. Nada parece abalar o apreço que o nosso primeiro mandatário tem ao fato de estar no Poder mesmo que dele não faça uso. E convém se fazer justiça: nem para fins pessoais, nem para as questões primordiais que lançariam o País razoavelmente equilibrado no Terceiro Milênio que vem aí.

05. Nesta semana, alguns analistas políticos chegaram a lamentar o que chamaram de inferno astral do presidente. Destacaram a queda de braço com o todo-poderoso ACM pela instalação da Ford na Bahia, as trapalhadas do ministro Pimenta da Veiga, a voracidade do ministro José Serra, o racha na base parlamentar do Congresso, as críticas do governador Mário Covas e até o descontentamento em várias frentes do PSDB. O presidente está só -- concluíram alguns, como a pedir solidariedade e um voto de confiança. Não chegaram a me comover, confesso. Um homem quando está diante do seu sonho tem obrigação de transformá-lo em realidade. Todos ganham com isso, em todos os sentidos. O presidente é o único culpado por sua solidão e dores de cabeça, embora o remédio amargo somos nós que continuamos a engolir.

 
 
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