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Título: Nossa participação é fundamental
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 15/10/1996
 

01. Pelo menos 22 por cento do eleitorado brasileiro volta às urnas nesta sexta-feira. Aproximadamente 22,2 milhões de votantes escolhem novos prefeitos em 3l municípios de 18 estados brasileiros. Mais uma vez, vamos exercitar nossa condição de participar, efetivamente, dos destinos de nossas cidades. Em São Paulo, os candidatos Celso Pitta (PPB) e Luiza Erundina (PT) disputam a cadeira hoje ocupada pelo prefeito Paulo Maluf. Mais do que a ideologia de cada candidato, o eleitor paulistano decide entre formas absolutamente divergentes de administrar a supermetrópole. Erundina foi prefeita de 88 a 92 e promete repetir o governo "de prioridades sociais". Já Celso Pitta fala em dar continuidade ao trabalho de Maluf, inclusive promete manter muitos dos atuais secretários municipais. A opção é toda sua, caro (e)leitor. São Paulo de todos os povos, convenhamos, merece o melhor... Às urnas, pois.

02. O entusiasmo de escolher um governante, pelo voto popular, não pode toldar nossos olhos para as dificuldades da supermetrópole. Nem acreditar que Pitta ou Erundina tenha superpoderes para resolvê-las, todas, num passe de mágica. Nossa participação é fundamental. Devemos estar atentos, fiscalizar os futuros governantes e persuadi-los a ir de encontro aos legítimos anseios populares. Não se trata de governar para os ricos ou para os pobres, é hora de se pensar em São Paulo, a maior cidade do hemisfério sul, como um todo, recuperando sua qualidade de vida em todos os quadrantes. Essa tarefa, infelizmente, não podemos deixar unicamente por conta de nossos políticos e administradores. Nossa participação, repito, é fundamental.

03. Veja se dá para confiar em nossos homens públicos. A questão do propalado "último debate" entre Erundina e Pitta deixa claro que o interesse pessoal, de cada um deles, está acima do que é verdadeiramente útil para a sociedade. Pitta foi para a TV Bandeirantes. Erundina, para arquiinimiga do PT, a Rede Globo. Ambos pensaram no que era mais oportuno para suas campanhas, na reta de chegada, e de olho na audiência das emissoras. Cada qual em sua bancada eletrônica, propiciou um monólogo repetitivo e enfadonho, mais próximo ao horário eleitoral gratuito. Resultado: a audiência despencou e os tele-eleitores se viram privados de dirimir algumas dúvidas vitais que só o confronto dos candidatos poderia esclarecer. Perdemos todos nós. Perdeu a nossa tenra democracia. As redes de TV impuseram sua vontade. Os candidatos reduziram a mera condição de coadjuvantes de uma atração de gosto discutível. Pois, não houve qualquer novidade e a repetição na TV gera uma irremediável mudança de canal. Foi o que aconteceu...

04. Aliás, diante dos desencontros de informações (quem se comprometeu com que emissora, se houve ou não acordo, se houve ou não mudança de data pela TV Bandeirantes, se a Globo quis forçar uma barra...), o paulistano preferiu não acreditar em ninguém. E, sabiamente, detectou que cada candidato pensou em si, nas chances de vencer ou de virar o jogo, e esqueceu o verdadeiro compromisso com a comunidade que pretende liderar até a virada do milênio.

05. Aliás, vale sempre pensar sobre essa relação de amor e ódio que nossos políticos tem com os meios de comunicação, especialmente com a TV. Se lhe convém, esquecem fatos, passam por cima de tudo, e a elevam aos céus. Foi, no mínimo, constrangedor ver a petista Luiza Erundina enaltecer a "audiência fantástica da Rede Globo" e lembrar dos episódios que acabaram por liquidar a candidatura Lula para presidente em 89. Assim como é triste ver o presidente Fernando Henrique Cardoso, com pose de estadista e sempre sorrindo em suas freqüentes viagens internacionais, enquanto nossos hospitais públicos revelam a trágica face da realidade brasileira: a morte de crianças e idosos, por absoluta falta da mínima condição de socorro e atendimento.

06. Entre o real e o ilusório, estamos nós diante da missão de mudar esse estado de coisas, a partir do voto, da nossa consciência de cidadãos e democracia participativa que tanto queremos ver implantada no País.

07. Um belo exemplo de participação social teremos nesta segunda-feira, aqui, no Ipiranga. Um grupo de personalidades locais, coordenadas pelo Dr. Eduardo Campos Rosmaninho e Guilherme Teodoro Mendes, reúnem-se segunda-feira no Centro Independência. Querem formar uma comissão que defenda a preservação e conservação do Parque da Independência, que hoje não ostenta sequer uma bandeira brasileira hasteada em toda sua área. Querem também resgatar a dignidade do local histórico, "o santo altar da Pátria", berço de nossas lutas por uma liberdade que ainda estamos por conquistar plenamente.

 
 
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