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Título: Um gol de placa em nome da cidadania.
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 29/09/2000
 

"A esperança é a arte de ser feliz sem a felicidade" (Berilo Neves)

01. Não há futuro para o técnico Wanderlei Luxemburgo a frente da seleção brasileira de futebol. Embora até a manhã de ontem, quando alinhavei essas maltraçadas linhas, Luxa permanecia, mais firme que uma gelatina, na sua decisão de não abandonar o escrete. Olhos fundos, expressão cansada, mostrou-se absolutamente arrasado quando desembarcou no Brasil nesta terça-feira. O fiasco olímpico e a sucessão de escândalos que torpedou sua vida chutaram toda a arrogância e pinta de vencedor que o técnico exibia até pouco tempo atrás. Dizem que, mesmo em frangalhos, continua no cargo até o jogo frente a Venezuela; depois, bem... depois, os nomes cotados para sucedê-lo são Luiz Felipe Scolari ou Carlos Alberto Parreira...

02. O que mais me chamou a atenção no caso Luxemburgo foi a indignação popular. Até meses atrás, era o preferido de nove entre dez torcedores para ocupar o cargo mais cobiçado do País, o de técnico da seleção brasileira de futebol. Todos condenavam os vacilos de Mario Jorge Lobo Zagallo como responsáveis pelo fracasso da Copa da França. Luxemburgo era unanimidade. Assim foi até os maus resultados das Eliminatórias, agravou-se com os desalinhos pessoais e explodiu de vez com o gol de Camarões, em Sydney. Foi só chegar no Brasil -- e onde quer que vá, Luxemburgo ouve o indefectível coro de
burro, burro...

03. Assisti o desembarque de Luxemburgo pela TV e me espantei com a fúria dos que o vaiavam. Bateu-me então uma perplexidade. E se o pessoal agisse desse modo em outras esferas da vida social? A política, por exemplo. Os caras aprontam que aprontam, a gente se sente traído, fica na maior bronca; mas, depois de algum tempo, deixa pra lá...

04. Aí vem outra eleição e lá estão eles... Na maior cara-de-pau, juram-se inocentes e que foram vítimas de amplo complô... Mas agora vão restabelecer a verdade dos fatos -- e tudo farão em nome do povo. Ou seja, sofreram tudo o que sofreram, em nosso nome...

05. Há também os que sempre dão um jeito de estar à sombra do Poder, como se nada desejassem. Quando surge a oportunidade, opa!, olha ele ali... Pronto para dizer sim ao sacrifício de concorrer a um cargo público, com todo amargor que a função traz. Sempre, sempre em nome do povo.

06. Que beleza. Quanto heroismo. Chega a emocionar. Às vezes, a gente quer por a boca no trombone. Deixar claro que não somos tolos. Que não adianta entulhar nossos ouvidos de promessas e a cidade de santinhos e panfletos. Que a gente sabe bem o que quer -- e o que estamos precisando... Mas, aí a gente acha graça do caradurismo dos homens, e troca a indignação pela indiferença... E eles sobrevivem espertos nas paradas eleitorais...

07. Domingo a gente vai às urnas para eleger prefeito e vereadores. Ou seja, vamos escolher os responsáveis pela qualidade de vida da nossa cidade nos próximos quatro anos. Seria importantíssimo que o espírito de brasilidade, tão comuns em época de Copa do Mundo e Olimpíada, fosse resgatado neste momento... Que pensássemos em nossa cidade, em primeiro lugar. Nosso voto, creia, caro leitor, é mais importante que qualquer título mundial, qualquer medalha de ouro... Vote consciente, pois; você estará fazendo um gol de placa a favor da cidadania... E de todos nós.

 
 
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