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Título: Um grande negócio chamado futebol
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 07/06/2002
 

"É melhor acender uma pequenina vela do que maldizer a escuridão" (Confúcio)

01. A globalização exarcebada transformou o mundo num grande negócio. E a máxima "Quem não tem competência não se estabelece" nunca foi tão máxima como agora. Por isso, salve, salve. Aleluia!, entoam os adeptos do fenômeno e os oportunistas de plantão toda vez que a Terra passa a se chamar Planeta Bola, seja numa mera partida que define o campeão mundial interclubes, disputada todo o final de ano, com patrocínio da Toyota, seja no seu melhor momento, a Copa do Mundo que ora vivemos intensamente.

02. Explica-se! Não é de hoje que o mais popular dos esportes é também um dos mais rentáveis eventos do universo. Basta olhar o que acontece hoje com os principais clubes europeus, quase todos transformados em empresas, com ações nas bolsas de valores e a cotação lá em cima. Tudo no futebol gira em torno do patrocínio, das transmissões pagas das TVs repassadas ao mercado publicitário com cotas altíssimas, altos salários, milionárias negociações e transações mil. Futebol, que era antes diversão, entretenimento, arte, hoje é grana. Quer exemplo: veja o que aconteceu com o brasileiro Rivaldo que, ao simular ter recebido uma bolada no rosto, provocou a expulsão de um adversário no jogo de segunda-feira contra a Turquia. Depois de ver a cena no vídeo, uma comissão de notáveis da FIFA resolveu punir o jogador por comportamento antidesportivo. Na verdade, uma bobagem. Mas, como foi a punição? Suspensão automática de um, dois jogos? Não. Com multa de 7 mil dólares que irão para os cofres da instituição.

03. Esse exemplo, obviamente, não é nada perto do que foi cobrado pelos direitos de transmissão dos jogos. Fico até com receio de escrever a cifra exata, pois ainda não sei. Alguém me falou em 100 milhões de dólares. Li em uma revista algo em torno de 300 milhões de reais -- o que dá quase na mesma se fizermos a conversão do dólar para o real. Mas o certo é que a soma foi astronômica e difícil de se dizer exatamente, pois fez parte de um pacote com outros eventos. O leitor pode desconfiar da precisão desse relato. Mas, a verdade indiscutível é que, na guerra pela audiência, a Globo foi a única a cacifar essa parada biliardária. Comprou o direito de transmissão por rádio e TV e saiu à cata de patrocínio e ficou aberta para eventuais e possíveis e desejáveis parcerias.

04. As leis mercantilistas são implacáveis com os líderes. Não podem fugir da raia por motivo nenhum. Houve muitas conversas entre as emissoras brasileiras, sentou-se à mesa de negociações, polemizou-se. Mas, no frigir dos ovos para o alentado omelete de futebol, salvo uma ou outra emissora de rádio, todo mundo tirou literalmente o time de campo. Por um motivo óbvio; aliás, dois. O primeiro é que o mercado de verbas publicitárias está absolutamente recessivo. O dinheiro anda curto, o desemprego em alta. O consumo caiu. Panorama de crise à vista. Instabilidade no mercado financeiro. Os grandes anunciantes -- salvo raras excessões -- seguraram suas verbas publicitárias...

05. O segundo ponto -- e abro até um item para falar dele -- é que a Copa realizada do outro lado do mundo perdeu o horário nobre por uma questão de fuso horário. Quem vai colocar milhões e milhões num pacote de anúncios que serão exibidos na madrugada (das 3 às 5 da madruga), no amanhecer do dia (das 6 às 8 horas) e pela manhã (das 8h30 às 10h30). Os picos de audiência nunca vão bater o número de espectadores que alcançariam nos períodos vespertinos e noturnos. Em sã consciente, só os líderes segmentos (cerveja, banco etc) e os mais ousados adotaram a estratégia da Copa como o grande lance publicitário do ano. Corajosos...

06. Dizem que a Globo pediu um absurdo para repassar e dividir os direitos de transmissão. É bem provável. Até porque nem a Vênus Platinada conseguiu vender todas as cotas e, dizem, está trabalhando no vermelho. Claro que o monopólio da informação é sempre condenável. Mas, convenhamos, com um jeitinho bem brasileiro, todas as emissoras de sinal aberto estão trabalhando o produto Copa do Mundo, mesmo sem a transmissão do jogo (exclusividade global). Fazem mesas-redondas, debates, entrevistam jogadores antes e depois da partida, na concentração. Com preços mais digeríveis, é muito provável que faturem mais que a própria...

07. Enfim, são as regras do jogo do mundo globalizado. Quem tem, tem. Quem não tem, não se conforma. De qualquer forma, como de costume, você vê a partida pela Globo (amanhã, às 8h30, o Brasil enfrenta a temida China) e ouve o comentário na emissora que quiser... Aliás, de futebol, qualquer brasileiro entende e muito mais que Galvão, Casagrande (que disse que a Alemanha jogou mal ao ganhar de 8x0 da Arábia), Falcão (que diz sim sempre) e Cia -- e isso vale para outras emissoras também. E salve os Ronaldos, o Rivaldo, o Denílson, agora o Ricardinho e Roque Júnior.

 
 
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