HOME BLOG CONTATO INDIQUE ESTE SITE
 
Área:
CARO LEITOR | ver comentários |
Título: Uma eleição democrática. Porém, desigual.
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/10/1998
 

01. Fernando Henrique, presidente. Maluf e Covas disputam o Governo paulista no segundo turno. Suplicy, reeleito senador. Alberto Turco Loco Hiar com 70 mil votos chega à Assembléia Legislativa, representando a região. Para o ipiranguista, os resultados das eleições não trouxeram grandes novidades. A verdade é que, na manhã de segunda-feira, todos sabíamos quem eram os vitoriosos. As atenções concentraram-se todas para a disputa, voto a voto, entre Covas e Marta Suplicy. Qual deles seria o adversário de Maluf na eleição do dia 25?

02. Uma surpresa. A candidata do PT abriu na segunda-feira, com a apuração da Capital, uma vantagem de 140 mil votos sobre Covas. Maluf disparou na frente mantendo a margem de votação em torno de 32 por cento. Pouco a pouco, o governador licenciado foi baixando a diferença até que, na quarta-feira, foi anunciado oficialmente como o segundo colocado com direito, portanto, de tentar a reeleição. Marta Suplicy e os próceres do PT, no mesmo dia, convocaram a Imprensa para uma coletiva/desabafo. Reclamaram que as pesquisas de um modo geral (e o Ibope especialmente) e os meios de comunicação induziram o eleitor ao voto útil anti-malufismo, manipulando informações e os índices das aferições. Os petistas concluíram que, não fosse expediente anti-democrático, Marta estaria no segundo-turno. Tentando conter as lágrimas, a candidata declarou ao vivo e em cores: "Esses votos que levaram Mário Covas ao segundo turno... são meus."

03. É bem verdade que a diferença foi ínfima -- 0,44 por cento. Ou seja, algo em torno de 70 mil votos a favor do tucano. Foi mesmo para chorar. Vale dizer que essa foi a eleição mais desigual que se tem notícia na história eleitoral brasileira. Eleição democrática, pelo voto direto -- é bom que se diga. O artifício da reeleição acabou concedendo aos candidatos oficiais privilégios de tempo e espaço na mídia que os outros concorrentes não tiveram. O presidente candidato reeleito, Fernando Henrique Cardoso, foi o que mais se beneficiou com inauguração de obras, anúncios institucionais e aparições no horário nobre. Uma realidade distante para o petista Luis Inácio Lula da Silva e inacessível para ex-ministro Ciro Gomes.

04. A vitória do senador Suplicy, com ampla diferença sobre o esportista Oscar, só confirmou as previsões e um trabalho coerente. Outra previsão (esta de âmbito local) foi a vitória do vereador Alberto Turco Loco Hiar como um dos deputados estaduais mais votados de todo o Estado. O Turco teve o apoio maciço dos jovens e consolidou o êxito com expressiva votação na região da Saúde e Ipiranga, onde sempre viveu e trabalhou. Há exatos 20 anos, o bairro não tinha um representante autêntico na Assembléia Legislativa. O último foi o saudoso Rubens Granja, eleito pelo MDB nos tempos obscuros da ditadura...

05. Muita água rolou sob a ponte durante esse tempo. Passamos pelas diretas, dobramos o Colégio Eleitoral por Tancredo, toleramos Sarney e equivocadamente escolhemos Collor e aí entramos na era do Real, via Itamar, e da realeza com FHC... Os milhões de votos em branco e nulo e os elevados índices de abstenção, porém, não deixam dúvidas. O brasileiro não confia em quem os dirige. E os senhores do Poder, ao que parece, não reconhecem esse descrédito. Ou pior: preferem tirar proveito da situação, não investindo em Educação, e anulando todo e qualquer vestígio de cidadania... Querem ser o tutores de nossas idéias, de nossa dignidade, de nossas vidas.

 
 
COMENTÁRIOS | cadastrar comentário |
 
 
© 2003 .. 2017 - Rodolfo Martino - Todos os direitos reservados - Desenvolvido por Sicca Soluções.
Auto-biografia
 
 
 
BUSCA PELO SITE