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Título: O jornalista e a Copa *
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 12/06/2014
 

O amigo Paulo Rogério desabafa em tom de provocação:

- Mas essa cobertura da Copa está um lixo.

- Só blábláblá.

- Cadê os bons jornalistas esportivos?

Paulão é bom amigo.

Um provocador.

Sabe das minhas ligações com o jornalismo – e principalmente com o jornalismo esportivo.

Ele me cobra uma resposta.

Uma resposta que não tenho de pronto.

Mas, a iniciativa me induz a refletir sobre o que está acontecendo.

II.

Parto do que vejo de positivo.

Ainda na segunda-feira assisti ao Roda-Viva, da TV Cultura, que teve no centro da roda o jornalista Juca Kfouri. Foi um belíssimo programa, esclarecedor, com muitas informações sobre os bastidores do futebol brasileiro – e, principalmente, sobre os descaminhos que se perpetuam com o atual modelo de gestão da CBF, das federações, dos clubes.

Ponto para o bom jornalismo.

III.

Ah!

Gostei muito da série de reportagens sobre as copas, feitas pelo repórter Leandro Quesada, e levadas ao ar em horários variados pela Rádio Bandeirantes. Bom trabalho de pesquisa e contextualização.

Ouvi boa parte delas; outro ponto a favor.

IV.

Ainda nessa linha...

Considero bem consubstanciadas as coberturas feitas pelos jornais impressos paulistanos. Cito os três que acompanho O Estado, a Folha e o Lance. Cada um dentro de suas características, todos cumprem um belo papel.

(O Estadão, mais informativo, com destaque para o correspondente Jamil Saade; a Folha, atenta aos aspectos da política no esporte e o Lance com uma postura corajosa, própria a diário esportivo que prioriza a notícia.)

Os mais saudosistas – e eu me incluo, entre eles – dirão que falta um time de primeira linha como a equipe do Jornal da Tarde dos anos 70/80 – Avallone, Alberto Helena, Stacamachia, Mário Marinho, Sérgio Backlanos, Vital Bataglia, Flávio Adauto, José Eduardo Savóia, Odir Cunha, entre outros craques do “fazer jornalismo”.

Mas, entendo, os tempos são outros, e hoje, com as redações enxutas, são cada vez mais raros os espaços para a grande reportagem, infelizmente.
V.

Continuo a responder ao amigo PR sobre a cobertura da Copa.

Falei ontem de alguns aspectos positivos.

Vou hoje ao que, desconfio, está emparedando o jornalismo.

Há que se reconhecer, de início, que a TV é o principal veículo de disseminação
das informações.

Registre-se: TV aberta.

Leia-se: TV Globo que, de uma forma ou de outra, tem amplos interesses no sucesso do evento. Possui os direitos de transmissão e é, digamos, parceira da Fifa.

Um pouco lá, um pouco cá, é assim que acontece.

VI.

Só essa proximidade já contamina a cobertura dos acontecimentos que envolvem a realização da Copa no Brasil.

A questão dos negócios escusos da Fifa, a construção de estádios ‘elefantes brancos’, os aspectos políticos e outras prosopopéias do gênero ficam para um segundo plano na grade da líder de audiência.

As pautas necessariamente precisam levantar a bola do evento. Minimizar o que não é tão bom assim.

É do negócio...

Compreensível, porém, não justificável.

VII.

Outra coisa.

Especialmente na TV aberta, a briga pela audiência é mais renhida.

A notícia esportiva confunde-se, muitas vezes, com o entretenimento, o espetáculo, a celebração.

Virou modinha, por exemplo, ser engraçadinho.

Falar da dancinha depois do gol, do penteado, da nova namorada, de assuntos correlatos e... nada esportivos.

Nada contra.

Mas, por vezes, cansa.

VIII.

Talvez – eu disse talvez – esse novo formato do ‘fazer jornalístico’ seja provocado pelo tanto de notícias que diariamente são produzidas sobre a Copa. Boletim de hora em hora, programa especializado, links para o telejornal, chamada nos programas mais populares e por aí vai...

Muita informação desconexa acaba em ruído na comunicação e, por consequência, em desinformação.

Tenho caradura de dizer que este mesmo ruído confunde e pasteuriza as tais mesas-redondas que, neste período, se tornam diárias e super, hiper, massacrantemente prolixas.

IX.

Disse caradura porque sou espectador desses programas, especialmente nos canais por assinatura.

E também porque, convenhamos, já “cascateei” demais sobre o palpitante tema.

Fiquemos por aqui, amáveis leitores.

E hora da bola rolar...

X.

Boa Copa para todos nós!

 
 
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