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Título: Em Curaçao...
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/06/2016
 

Livre das atribulações do mestrado – que concluiu recentemente, conforme registrei no post de 27 de abril, o amigo Poeta quer viajar. Já renovou o passaporte, está tirando o visto para os Estados Unidos e ainda quer conhecer o Caribe.

“Uns poucos dias numa praia ensolarada para fugir do frio, da chuva e relaxar. Acho que mereço” – ele me diz em tom de acadêmico que agora é.

- Vai pensar no doutorado? – pergunto em tom de provocação.

“Por enquanto, não. Quero comprar uma máquina fotográfica em Nova Iorque, que sai mais em conta, e espairecer nas praias de alguma ilha do Caribe que ainda não conheço.”

Meu amigo está podendo.

Brinco que ele é um felizardo. Em tempos de crise rasgada, o homem pensa nas férias de julho e fala em duas viagens internacionais.

“Olha quem fala!” – ele retruca. “Quem viajou em abril para Curaçao, e sequer postou uma linhazinha sequer sobre a ilha? Quem? Quem?”

Para que fui cutucar o tal?

Disfarço.

Digo que ele está certíssimo, que viajar é a melhor coisa do mundo. Que isso e aquilo e aqueloutro.

“Está bem, está bem, mas por que não postou nada sobre a viagem? Quem sabe não me inspira na escolha?

Tento me explicar, enrolando a primeira parte da resposta.

“Não sei explicar, com precisão, o encantamento que toda viagem me traz. E reconheço que sou um viajante bem atrapalhado... Mas sobre Curaçao, amigo Poeta, também não sei lhe dizer o porquê ainda não consegui escrever.”

Penso e repenso.

Voltei ao Brasil com a presidente praticamente impichada, com o alvoroço daquela hedionda sessão do Câmara Federal e os fatos nessa área se sucederam, cada vez mais sombrios, cada vez mais tenebrosos.

Não há como ficar de fora desse rodamoinho.

Desde então quase todas as minhas crônicas só tratam desse tema. Já fui até cobrado por alguns dos meus parcos leitores.

Fiz um post recente (10 de maio – “As coisas que eu vou contar”) em que tento me explicar os motivos que levaram o jornalista a suplantar o cronista.

Vejam lá, se quiserem e voltem aqui.

Pois faça chuva ou faça sol, atenderei ao pedido do amigo Poeta e escreverei sobre Curaçao.

Aviso logo! Não esperem nada no estilo de Amaury Júnior que não tenho essa vocação toda, não.

II.

Vou lhes falar de Curaçao.

Cumpro assim a promessa que ontem fiz ao amigo Poeta e aos meus preclaros cinco ou seis leitores (Há quem diga que já são sete ou oito, mas eu ainda desconfio).

Antes faço questão de registrar que não trouxe de lá uma boa história, não descobri nenhum personagem inesquecível, nem observei nada que pudesse inspirar uma crônica daquelas de fazer rir e/ou emocionar.

Como já lhes disse em outras ocasiões, sou um viajante parvo, disperso. Mas, desconfio que, desta vez, me superei.

Olaiá...

A culpa é só minha; não do lugar.

Mesmo assim, trouxe de lá algumas impressões que, sem alternativa, passo agora a relacioná-las:

1 - Curaçao é uma ilha no Caribe. Trata-se de um país autônomo que faz parte do Reino Unido dos Países Baixos – leia-se Holanda. Ao lado de Bonaire e Aruba, durante longos anos fez parte do se intitulou mais nobremente Antilhas Holandesas. Essa denominação, acredito, era mais charmosa, combinava melhor com o que se vê especialmente na área central da cidade, onde se nota uma bela influência da arquitetura holandesa em casas e pequenos prédios bem antiguinhos. Muitos passam por um processo de restauração.

2 – Aliás, durante os dez dias que me quedei por ali, fiquei remoendo a dúvida nada transcendental, mas uma dúvida: em termos de turismo, a ilha já viveu dias melhores e agora está sendo redescoberta ou agora é que está vivendo o boom de se fazer conhecida mundo afora?
Ninguém soube me dirimir essa dúvida. É bem verdade que também não perguntei nada a ninguém. Fiquei só nas observâncias.

3 – Importante: assim que chegar, alugue um automóvel para se locomover pela ilha. Os meios de transportes são precários e, comparada às primas-irmãs Bonaire e Aruba, Curaçao é um vasto território, de vegetação árida, estradinhas aceitáveis e com raríssimos dias de chuva.

4 – Mais importante que tudo: a ilha está fora da rota dos furacões e tornados em qualquer época do ano. Oi, oi, oi... Isto é que é uma boa notícia.
III.
5 – Onde se hospedar? Há hotéis mais em conta. Claro, sempre os há. No entanto, o charme é você escolher entre um resort com todas aquelas mordomias que apresentam – inclusive praia exclusiva, ui! – ou no que, por lá, chamam de hotel-boutique. Estes ficam localizados próximos ao centrinho, em áreas onde predominam os casarios com traços holandeses restaurados ou em processo de. Aqui, vale mais o estilo que a ostentação. O pessoal é mais descolado e jovem, sobram bares e casais.

A região vira o point da frágil vida noturna de Curaçao. A ilha está mais para os passeios durante o dia do que propriamente para a badalação. Até o pessoal dos cruzeiros que chegam diariamente está de volta aos portentosos transatlânticos antes das 22 horas.

Aliás, é um espetáculo ver a chegada e/ou saída dos barcos pelo canal que reparte a cidade de Willemstad, nos bairros de Punda e Otrobanda. Há todo um cerimonial de apitos e uma divertida ponte móvel que surgem como uma atração tão inesperada quanto curiosa.

6 – Compras? Esqueça. Há centrinhos comerciais, com lojas de renome (algumas poucas) nos arredores do Renassance Hotel, mas a preços proibitivos. Visitei um shopping no estilo dos nossos aqui – e, espanto geral, plena sexta-feira à tarde, meia dúzia de turistas e eu andávamos, absortos, por ali, Para se ter uma ideia, ao estacionar o carro, pensei que o shopping ainda não havia sido inaugurado. Vazio, vazio...

7 – A grande atração de Curaçao são mesmo suas praias. Chegam a 30, conforme me disseram no hotel. Pouco mais, pouco menos. São distantes umas das outras. Visitei uma dúzia delas – tanto pagas como as que são abertas ao público. Não há grande distinção entre o estar aqui ou estar ali. São de pequeno porte, águas calmas de um cristalino azul turquesa, chão forrado de corais e promovem um (in)certo encanto de se estar numa praia do Caribe. Importante: não se esqueça de levar aquela sapatilha impermeável para entrar no mar e a máscara de mergulho. Mesmo na beira da praia, em águas rasas, é possível ver os cardumes de pequenos peixes coloridos em bordejo distraído e calmo. Há um prazer quase infantil na brincadeira.

Para quem gosta maiores aventuras, os equipamentos de mergulho estão à disposição para aluguel em quase todas as praias. Em muitas, e se o cliente quiser, o instrutor vai junto. Passeios de barcos para ilhas próximas também são relativamente fáceis de se encontrar.

8 - O pessoal que curte o Masterchef pode sossegar o facho. O cardápio de comidas típicas passou longe das minhas preferências. Dizem que reúne traços das várias culturas que formataram os usos e costumes locais, Fui apresentado a um tal de ensopado de iguana, mas declinei. Optei por um spaghetti a bolonhesa. Me pareceu mais seguro.

 
 
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