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Título: O exemplo dos sem-terra
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/04/1997
 

"Chão, pó, poeira.../ Pé na estrada... Manha, ó que manhã/ Vida danada... "

01. Os versos do saudoso Gonzaguinha vêm à mente na manhã deste 17 de abril. A constatação, tal qual a poesia, é simples e contundente. O Brasil não será o mesmo depois de ontem, quando foices e enxadas invadiram Brasília, pacificamente, na maior manifestação pública que nossa História registra em prol da reforma agrária. Para ser mais exato, o País nunca mais foi o mesmo desde o massacre de Corumbiara, no mesmo 17 de abril, só que de 96. Onze dos chamados sem-terra perderam a vida nos confrontos pela posse de um pedaço de chão. Confrontos, aliás, inimagináveis aos olhos do mundo, visto que a vastidão do território nativo está apta a acomodar todas as esperanças de quem só pretende plantar, colher, ter um lugar para morar e levar uma vida digna ao lado dos seus.

02. Há quem hoje questione a viabilização de um projeto de reforma agrária como prioridade e solução para todos os males do País. São os cultores do imediatismo e das soluções mágicas para problemas que acumulamos por anos e anos, em função de administrações equivocadas e desastrosas. A reforma agrária, vale dizer antecipadamente, é apenas um dos caminhos que se deve percorrer - e é inevitável que assim ocorra - para a construção de um Brasil mais justo e humanitário no Terceiro Milênio que velozmente se aproxima. Existem, a bem da verdade, outras tantas frentes que precisam, igualmente, se organizar, mobilizar-se e ir a luta, marchar em busca de um ideal maior, fraterno e humanitário.

03. Cenas e episódios recentes são implacáveis quando retratam o cotidiano de nossa gente. Não podemos permanecer imóveis na contra-mão da História. A violência das ruas nas grandes cidades é cada vez mais gritante e ameaçadora. Só em acidentes de trânsito, quase 500 pessoas perderam a vida nos primeiros três meses do ano em São Paulo. É apenas mais uma entre as tantas tragédias que os jornais estampam diariamente e que mostram a quantas andam a miséria e o caos social. Há inclusive quem extrapole as leis e o bom-senso na defesa dos próprios interesses. Em greve no Porto de Santos, estivadores invadiram navios, interditaram estradas, atearam fogo em barreiras de pneus e, absurdo, prenderam por horas e horas jornalistas que faziam a cobertura da manifestação. Cenas deploráveis de um autoritarismo inconcebível aos dias atuais...

04. Os sem-terra hoje são exemplo de civismo e fé no amanhã. A Nação está atenta e apóia sua marcha e seus anseios. Também quer ter voz e vez na luta por dias melhores. Sabe das dificuldades que terá de enfrentar (até porque políticos e governantes ainda não se mostram à altura do papel que desempenham na sociedade), mas é otimista na ação. Tem certeza que os obstáculos serão vencidos. A participação de todos é vital para o novo Brasil, que todos almejam, voltado para todos os brasileiros.

05. Não nos cabe ser mero espectador nessa jornada, sob pena de estarmos, com nossa omissão, abrindo mão não apenas de nossos sonhos e anseios. Mas, sim, dos sonhos e anseios das gerações que estão por vir...

 
 
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