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Título: O Sr. Imponderável e as brasileiradas
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/05/1997
 

01. Ensinam as práticas lições do bom jornalismo que se deve unicamente falar daquilo que bem se conhece. Para que não se incorra em erros desastrosos, injustiças e meias verdades comprometedoras. Tal fundamento acaba invariavelmente na corda bamba neste Brasil de hoje, onde o imponderável deixa sempre sua marca e surpreende, com seus desalinhos, ao mais cético dos analistas.

02. A cada semana, um punhado de episódios põe contra a parede a nossa tenra democracia, às duras penas conquistadas por nossa gente -- a bem da verdade, com o imprescindível auxílio de políticos que ora se esmeram em querer detoná-la como se fosse um entrave aos novos tempos, de paz e justiça social. Tempos, aliás, sempre prioritariamente almejados e nunca transformados em realidade.

03. Tome-se como exemplo o qüiproquó desta semana, em plena Câmara dos Deputados. Os parlamentares que formam a linha de apoio do Governo engendraram série de manobras para, na sessão de votação da reforma administrativa, aprovarem também o item que põe fim à estabilidade dos servidores públicos. Quando se deram conta de que haviam sido passado para trás e regimentalmente era impossível reverter o quadro de derrota de um de seus baluartes, os oposicionistas lançaram mão de um arma tão secreta quanto inusitada. De posse de estridentes apitos, provocaram o que denominaram "apitaço" e bloquearam a sessão, tamanha a confusão que causaram. Claro que cenas de pugilato explicitas também não faltaram, com deputados das alas rivais engalfinhando-se e trocando socos, empurrões e pontapés. "Agora é guerra", sapecou o petista José Genuíno, mostrando a maturidade (?) com que nossos congressistas projetam o País às vésperas do Terceiro Milênio.

04. E o que dizer da indenização bilionária que um juiz de São Luís (Maranhão) mandou o Banco do Brasil pagar a um de seus correntistas que se sentiu lesado pela não compensação errônea de um cheque em 92? Era algo em torno de 216 milhões de reais e o magistrado mandou literalmente arrombar o cofre do BB local para que a Lei (?) fosse cumprida. O absurdo ganhou projeção nacional e provocou inclusive o fechamento das agências do banco naquela capital por dois dias. Os cálculos agora estão sendo refeitos e o mundo atônito riu de mais essa "brasileirada"...

05. Aliás, não faltaram cenas de verdadeiro pastiche também no leilão da Vale do Rio Doce. Os expedientes jurídicos consumiram acima dos 700 mil reais do Governo, interessado na venda, só de despesas advocatícias. Isso para um País que vive reclamando de falta de caixa para sacramentar compromissos básicos como o benefício (sic) dos aposentados e outras trivialidades...

 
 
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