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Título: Jornais e jornalistas
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/06/1997
 

01. É reconhecidamente importante para os regimes democráticos uma imprensa livre, independente e forte. Dir-se-ia mesmo que, por meio do chamado quarto poder, a Nação pode dar sinais de vida e realização. Quem não se lembra, por exemplo, das manifestações dos caras-pintadas, que derrubaram o Fernando Collor da presidência, ou num passado mais remoto a extraordinária manifestação pelas diretas-já em 84...

02. Num momento como o atual, de ampla efervescência política e social, com as diversas matizes partidárias atirando para todos os lados, de olho firme no pleito de 98, a função social da Imprensa assume uma relevância singular. Nada mais, nada menos, cabe ao jornalista documentar, refletir, formar a expressão do pensamento social. E ele deve trabalhar nesta tarefa com seriedade e firmeza de propósitos. A verdade é a meta. Afinal, não se entende a democracia atrelada a interesses outros que não sejam a preservação da própria verdade, da justiça e do bem-comum...

03. Jornais e jornalistas se propõem, com seu trabalho, a esclarecer a opinião pública com objetividade e precisão. A verdade está acima de tudo porque é agente transformador da sociedade. E se fundamentam num ponto inarredável: a defesa, ampla e irrestrita, do direito de todo cidadão a livre manifestação de seus ideais e opiniões. A máxima de Voltaire se faz sempre presente: "Posso não concordar com uma só das suas palavras. Mas, defenderei sempre o direito que tem de dizê-las".

04. Faço essas reflexões na manhã de uma surpreendentemente chuvosa manhã de quarta-feira, vésperas de feriado. Ao bater os olhos nas manchetes dos diários, vejo a denúncia de novos escândalos a escancarar os contornos da próxima eleição presidencial. Num dos jornais, os líderes petistas são apontados como coniventes (ou, no mínimo, omissos) com eventuais esquemas de corrupção de prefeituras que foram (ou são) administradas pelo PT. No outro, de igual porte, continua a priorizar as revelações sobre a compra de votos no Congresso para que a emenda da reeleição passasse, como realmente aconteceu. Fico a imaginar a cabeça do (e)leitor com as notícias que confrontam duas das principais correntes pleiteantes à cadeira presidencial em 98. Quanta decepção. Ainda mais se considerarmos outras denúncias dos jornais -- essa já de algum tempo: o escândalo dos precatórios, que arrola outra facção, com anseios planaltinos, a de Paulo Maluf.

05. A bem da verdade, é saudável ver o País revelado num raio-X contundente, na mira do bom jornalismo. Esse espocar de denúncias -- desde a violência da PM em Diadema às trampolinagens do sr. Ivens Mendes na CBF -- demonstra que a Nação está de olhos e ouvidos arregalados para que esses males (antes camuflados pela ação da censura) não se repitam. É a partir de uma opinião pública mais informada e esclarecida que vamos fundamentar as bases de um Brasil renovado e íntegro. Afinal, vivemos numa democracia participativa...ou não.

NR: Uma ressalva que considero importante: as cenas de violência que as TVs vêm exibindo nos noticiosos e mesmo o tom sensacionalista de muitos deles precisam ser repensados. Será que não estão servindo para fomentar ainda mais violência?

 
 
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