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Título: Inversão de valores
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 01/08/1997
 

01. Completou um ano nesta terça-feira (17) o incêndio na favela do Heliópolis que matou quatro pessoas e deixou ao desamparo nada menos do que 342 famílias. Próximo ao local da tragédia, um ato ecumênico lembrou a data e a desolação dos desabrigados que, desalentadoramente, esperam as providências anunciadas, àquela época, pela Prefeitura. Ainda hoje esses brasileiros de São Paulo ainda vivem em contêineres e alojamentos, sem qualquer infra-estrutura. Os curtos-circuitos são comuns e não há sequer esgoto encanado. Para lembrar nossas autoridades de suas promessas, fizeram o protesto pacífico e ordeiro. Não interromperam o trânsito, não desrespeitaram ninguém e, com dignidade, deram um belo exemplo de cidadania. Que as suas vozes sejam ouvidas por quem de direito e o problema, que acaba sendo de todos nós, tenha uma breve solução...

02. Na ocasião -- e até por estarmos num ano de eleições municipais --, técnicos da Prefeitura prometeram que, em seis meses, estariam concluídas as obras de dois prédios Cingapura para abrigar as famílias. Inclusive moradores próximos ao local chegaram a ser removidos para que fossem construídas as moradias populares. Até o momento, nada foi feito. E o próprio diretor-técnico da Cohab, Nino Bottini, admite o atraso das obras e renova parcialmente a promessa. Ainda em junho, dois blocos com 88 apartamentos vão estar terminados e serão entregues aos desabrigados. Esperamos que nossas autoridades não façam festa, nem soltem rojão apenas por estar cumprindo (com lamentável atraso) o que é sua obrigação...

03. Aliás, essa inversão de valores parece ser prática comum de nossos homens públicos. Veja, amigo leitor, o caso de nossos ilustres congressistas. Desde o início de seus mandatos andam enredados com a questão das reformas. É um vai-não-vai sem fim, uma lengua-lengua de esgarçar a paciência do mais santo dos homens. Todos fazem que querem para agradar o Governo FHC, que tem sido bastante generoso à sua base de apoio. Mas, temem a repercussão popular (e por conseqüência eleitoral) de algumas dessas medidas junto aos seus redutos. Por isso, embaçam, faltam às sessões, futricam e nada resolvem. O País pára e todos nós saímos perdendo com essa estagnação de ideais e propósitos...

04. Curioso. Quando se aproxima o chamado recesso parlamentar, os líderes das Casas (Câmara Federal e Senado) logo propõem um trabalho extra neste período para apressar o andamento de projetos e emendas. Um tour de force de nossos "abnegados" parlamentares para recolocar o País nos trilhos. Seria algo para nos deixar sensibilizado, não fosse a modesta ajuda de custo que vão receber por esses dias -- 16 mil reais. O que vai onerar os cofres da União em aproximadamente 9 milhões de reais. Dá pra entender? Vamos premiar (nós, porque essa dinheirama sai do bolso do contribuinte) aqueles que nada fizeram nesse primeiro semestre e que, de agosto em diante, já vão legislar de olho no ano eleitoral de 98. Afinal, reeleição é ou não é o termo da moda...

 
 
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