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Título: A mais estúpida das guerras...
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 28/02/2003
 

"Os homens prudentes sabem tirar proveito de todas as suas ações, mesmo daquelas a que são obrigados pela necessidade" (Maquiavel)

Alguém disse, e já há um bom tempo: todas as guerras são estúpidas. Por esses dias, eu, você e todas as pessoas de bom senso já se tocaram de uma inquestionável verdade: todas as guerras são estúpidas. E a que estamos vivendo, convenhamos, é mais ainda. Não há sequer uma justificativa pra o horror das cenas que estamos assistindo. Revolta e nos faz perder toda e qualquer perspectiva de que a humanidade tenha jeito, vontade e alguma reles chance de viver em harmonia. Em pleno século 21, é inadimissível ver as batalhas campais, os bombardeios, o sofrimento do povo Iraquiano. Tudo ao vivo, na medida do possível, e em cores. A espetacularização da guerra. A morte na sua sala de jantar.

Apresso-me em esclarecer. Não vai aqui nenhum sentimento anti-americano, destes que propõe o boicote à Coca-cola, ao McDonald's e ao cartão American Express. Fico a imaginar o dia-a-dia desses rapazes atirados ao deserto, sujeitos a todos os tipos de vicissitudes, com a ilusão de que são os libertadores de um povo, mensageiros da democracia. Fico a imaginar o sofrimento dos familiares desses garotos que estão a perder os melhores anos de suas vidas, lutando por uma causa inglória, pelo desvario de um governante. Aliás, o pior é que não há como distinguir o joio do trigo.

Saddan é reconhecidamente um tirano, capaz de dizimar adversários políticos com o uso de armas químicas e condenar á miséria todo o povo iraquiano, apesar da fartura que o petróleo propicia ao país. Bush não é propriamente um humanista. A proposta de consolidar o poderio armamentício dos EUA pelos cinco continentes faz a sua cabeça. É certo que economicamente o mundo (ou o que sobrar dele) será redesenhado no pós-guerra entre os que apoiaram o conflito e os que ficaram à margem da guerra. Aos vencedores, as batatas -- ou melhor o petróleo.

Mas, não é o petróleo a única razão do combate. Seguramente há outros tantos motivos que não nos foi dado a saber, e que escapam pelos vãos dos dedos da nossa compreensão. Mas que o distanciamento histórico, só possível com a passar do tempo, vai revelar. De qualquer forma, não há motivo que valha a vida de uma pessoa. Todos perdemos com a estupidez da guerra. Todos nos sentimos vítimas e algoz.

 
 
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