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Título: Uma canção chamada São Paulo
Autor: Rodolfo C. Martino - publicado em 24/01/2003
 

"Só se conformemo quando o Joca falô: Deus dá o frio conforme o cobertô" (Adoniran Barbosa)

01. Tudo é tudo. Nada é nada. A frase com que Tim Maia divertia amigos e entrevistadores soa-me como a mais correta tradução desta São Paulo que amanhã completa 449 anos de vida e de contrastes. O imprevisível Tim a usava sempre que não sabia ou não queria responder às perguntas dos repórteres. A declaração encerrava o assunto e deixava o dito pelo não-dito, e vice-versa...

02. Para muitos, a Cidade é tudo. Quem a entende assim, certamente, a vê como sinônimo de grandeza, força, trabalho, prosperidade, desenvolvimento, alegria, esperança. Solidariedade. As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar, lembra a roqueira Rita Lee na bela interpretação de Zélia Ducan.

03. O nada surge em forma do fracasso iminente, anunciado e atende pelo nome de desemprego, violência, intolerãncia, miséria, competição, individualismo exacerbado. E o cada um por si da supermetrópole. "Estava mais solitário que um paulistano", diz a canção do cearense Zeca Baleiro.

04. De um jeito ou de outro, todos esses versos nos remetem à envolvente Sampa do velho-baiano Caetano Veloso que foi amorosamente contundente em seu olhar sobre a Cidade. "Pois é do avesso, do avesso, do avesso o avesso."

05. Nada mais a dizer. Talvez seja oportuno recordar que, antes de Caetano, outro baiano já havia tomado a cidade como fonte de inspiração. Tom Zé venceu o atribulado Festival da Record de 1968 reverenciando São Paulo e seus contrastes. O refrão vitorioso era prova do arrebatamento próprio aos que aqui chegam e entendem toda sua grandiosidade. São, São Paulo, meu amor/ São, São Paulo, meu amor.

06. À essa época, dizia a canção, viviam por aqui 4 milhões de habitantes. E já se ouvia reclamações do trânsito, enchentes, poluição, governantes, da vida agitada. Hoje, a população triplicou. Mas, a Cidade continua como um desafio aos novos e velhos baianos, aos paulistas que assim se assumem mesmo que originários de todas as partes do Brasil e do mundo. Inclui-se aqui tanto a japonesa loura ou
a nordestina moura, como descreveu o conjunto Premê no arremedo de New York, New York que o grupo fez em homenagem a São Paulo de todos nós.

07. Mas, há quem faça ressalvas. Um leitor enviou-me o seu desabafo na semana que antecede o 25 de janeiro. Prefere ficar anônimo, mas suas observações são precisas. São Paulo deixou de ser o coração-de-mãe que sempre foi. O coração generoso que todos sonham ter. É o único lugar do Brasil que abriga a todos, mas hoje não funciona bem assim. Eu diria que fecharam-se as portas por não caber tanta gente. A miséria se faz presente a cada quarteirão de ruas e avenidas. A periferia inchou e o que temos de verdadeiramente nosso é uma legião de desvalidos. Do jeito que está, conclui o leitor "quatrocentão", não dá mais pra sobreviver.

08. Mas, a Cidade se renova a cada manhã. Porque é feita de gente e sonhos. E, como diz o poeta mineiro Lô Borges num verso tipicamente paulistano, os sonhos não envelhecem.

 
 
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