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Parte 2 - Escova e a policial
22/12/2010
 

VII.

Acreditem se quiserem...

A Doutora Delegada n„o tinha mais do que 30 anos, nem isso.

Era linda.

Mais do que linda.

Era tudo o que ele sempre sonhou em seus mais enlevados devaneios.

Com o que Escova era assim.

Todo dia era dia de encontrar a mulher da sua vida Ė tantas quantas por ele passassem e ele se engraÁasse.

Por que n„o em um Distrito Policial?

VIII.

-- O que temos hoje para comeÁar o plant„o? Ė disse a delega, com certo fastio.

O jornalista ficou ainda mais embevecido.

Nunca imaginou que a voz de uma autoridade tornar-se-ia mķsica para seus ouvidos.

Temeu pelo pior, no entanto.

Que o seu caso fosse o primeiro a ser chamado.

E foi.

IX.

Ao se ajeitar na cadeira em frente a ela, teve Ė o que chamou depois para nůs, na redaÁ„o de Ė a antevis„o do paraŪso. A Doutora virara para guardar a arma que tirou da bolsa em um armŠrio, a blusa subiu um tantinho eduas pequenas estrelas surgiram, lķdicas e inspiradoras, tatuadas logo acima do cůs da calÁa.

Fechou os olhos para melhor memorizar a cena.

Sorriu ao lembrar que os xerifűes do Velho Oeste usavam uma estrela espetada no colete ŗ altura do peito para identificŠ-los como agentes da Lei.

Humilde e resignado, sentindo-se um privilegiado, agradeceu a mudanÁa dos tempos e dos hŠbitos.

ďBendita nota de cinquentaĒ, murmurou baixinho.

X.

-- O que o senhor disse?

Odiou que ela o tenha chamado de ďsenhorĒ. Mas, desconsiderou. Resolveu enfrentar a bela que parecia ser tambťm uma fera.

-- Eu sou inocente. Foi apenas um descuido, eu esqueci que...

O policial, causador da encrenca, nem deixou que ele concluŪsse e passou a narrar a sua vers„o do ocorrido.

Enquanto ouvia o depoimento do figura, Escova pensou que seria o průximo a ser chamado para dar o outro lado da histůria. Poderia contar a ela como foi cansativo o dia, o quanto trabalhara pesado. N„o, n„o. Seria legal deixar claro que era apenas um homem sů. Que gostava de cinema, teatro, viajar de quando em quando. Adorava mķsica. Um rom‚ntico inveterado. Inclusive estava ouvindo um CD do Jķlio Iglesias quando o amigo policial fez com que parasse o carro Ė um carro novo, diga-se Ė para verificar os documentos e...

XI.

-- O senhor pode ir. Tiramos sua ficha, verificamos os documentos. Vou acreditar que foi mesmo apenas um descuido.

(Ela tinha um tom firme e despachado, mas doce, doce...)

-- … que eu...

(V„ e inķtil tentativa do homem com o coraÁ„o dilacerado pela sķbita paix„o.)

-- Como disse, o senhor estŠ dispensado. Mas que tal fato n„o se repita novamente.

Falou a instigante voz da Lei, era melhor obedecer.

Mas, jurou para si mesmo:

ďUm dia eu volto!Ē

Sů lhe aborrecia o fato de ela insistir em chamŠ-lo de senhor:

-- O ďSenhorĒ estŠ no cťu, dona...

 
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