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Com I ou com Y?

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– Iolanda, com I ou com Y?

Perdi as contas das vezes que eu mesmo me deparei com insólito questionamento.

…

Ainda há poucas semanas fui renovar o título de eleitor por causa da biometria – e quase desanda tudo.

Entreguei meus documentos à senhora que me atendeu no Cartório Eleitoral.

Tudo ok, tudo certo, até que percebo a aflição da atendente a olhar a tela – onde constava minha inscrição original – e, em seguida, para a papelada que lhe dei.

Olha aqui, olha ali e torna a olhar.

Até que não se contém e faz a inevitável pergunta:

– O nome de sua mãe é  Yolanda com Y ou Iolanda com I?

Ela explica, e justifica:

– Na tela está com Y, na cédula de identidade está com I. Na dúvida, não posso continuar porque o serviço trava se os dados não batem.

…

Digo para ela que, infelizmente,  não tenho resposta para tal dúvida.

Nem eu, nem ninguém.

Aliás, ainda garoto, via minha saudosa mãe, sempre que diante da questão, também esquivar-se da questão.

Não tinha certeza alguma.

Na certidão de nascimento, estava com I; na do casamento com Y – mas, podia ser o inverso.

No título de eleitor dela, era Yolanda.

Na identidade, era Iolanda.

Ou vice-versa…

E assim foi vida afora.

…

Até lembro que a própria Senhora Minha Mãe, em meu boletim de notas, ora assinava Iolanda com I, ora assinava Yolanda com Y. A gosto do momento.

Quase sempre, com a mãe em dúvida, quem estivesse do outro lado do balcão a preencher fosse qual fosse a ficha decidia por conta e risco se era com I ou com Y.

O que, convenhamos, só aumentou a confusão no decorrer dos anos.

Mas, a mãe era bem humorada (quando queria e lhe interessava) e tirava de letra (I ou Y?) o impasse.

…

Ela morreu aos 90 anos. Em junho de 2015.

Andava feliz que só, paparicada por filhos, netos e bisnetos.

Fazia amizade e despertava afeto por onde passava.

Até o rapaz da padaria que nos servia o café nas manhãs de sábado, noutro dia mesmo, lembrou dela:

– Sempre que o vejo por aqui, lembro-me da sua mãe. Gostava de um cafezinho bem quente, né?

… 

Com I ou com Y, a velhinha deixou uma imensa saudade.

E faz uma falta danada…

…

Uma canção para homenagear a todas as mamães (presentes e ausentes)

Foto: arquivo pessoal

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