Foto: Jô Rabelo
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25 de setembro de 2026.
“Salve a data.”
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Estranhei o alerta que o amigo Nestor me faz pelo zap.
Algum aniversário de gente querida?
Uma efeméride?
Uma nova sessão do STF para lavar eventuais togas sujas de uns e outros?
Algum marco importante da campanha eleitoral? Debate? Sabatina no Jornal Nacional?
Outra ameaça do Estropício Alaranjado made in USA?
Fico entabulando possibilidades. Não tenho a menor ideia do dia em que o Nestor, amigo querido e distante (mora na Bélgica), aniversaria. Que sinuca de bico? Respondo ou não respondo?
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Enquanto penso e repenso, o Nestor esclarece o mistério:
“Seguinte: 25 de setembro. Sexta-feira da outra semana, o Blog simplesmente completa 20 anos de vida e escrivinhações, como diz você, Rudi. Acredita nisso? Uma vida. Merece uma boa reflexão e um texto comemorativo, não?”
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20 anos!!!
(Tenho 52 de jornalismo.)
Mais de 5.380 posts.
10 livros (que nasceram ou ganharam contornos finais a partir das crônicas do Blog).
Tantos e tantos amigos que fiz e outros que refiz por aqui (devo ter perdido alguns, por óbvio; lamento).
Enfim…
Saudades do passo e do caminho.
Uma vida vivida e bem vivida – penso comigo – e não resisto em embalar a célebre crônica A Palavra, de Rubem Braga, nosso cronista maior:
“Imprudente ofício é este de viver em voz alta”.
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Pois então…
Agora, sim, dou-me conta da encruzilhada em que me encontro (ou desencontro?).
Não sei se tenho algo a lhes dizer que ainda não disse e aqui rabisquei.
Paro ou continuo nessa toada?
Eis a questão.
O ser ou não ser do cronista que imagino ser (mas, desconfio).
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Deixem eu lhes contar como tudo começou.
Virei blogueiro assim como me tornei, primeiro, jornalista e depois cronista de jornal.
Um tanto ao acaso.
Outro tanto pela incontrolável sedução que tenho por enfileirar letrinhas uma após a outra, uma após a outra até chegarmos a uma bela história. Na verdade, imagino que sejam belos os relatos que, sei lá por quais motivos, cismo de contar.
Relatos que, a partir do blog, tomaram uma liberdade nunca dantes experimentada por mim.
Partem de fatos que vivi, observei, ouvi, imaginei, pressenti, requentei, refleti, interpretei a partir de uma conversa, um olhar, uma emoção.
Neste espaço, ganharam vida própria.
Foram e vieram para onde bem entendessem.
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Às vezes, eu mesmo me surpreendo com as histórias que lhes conto.
Depois de um tempo, verdade verdadeira, eu as leio por acaso – e até me surpreendo:
Eu que escrevi?
Tento priorizar as coisas simples, sensatas e sinceras.
Resgatar a esperança em dias melhores.
A solidariedade entre aqueles que me leem (quase todos amigos queridos).
Gente boa que pensa e quer a construção de um Brasil de todos os brasileiros.
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É aqui que me pega a dúvida.
Soa absurdamente antinatural falar isso em tempos que ora vivemos.
Amor em tempos de cólera.
Quem quer saber de justiça social, de fraternidade, de senso comunitário?
Talvez seja mesmo hora de pôr a viola no saco…
Ou insisto no canto descolado e louco para um novo amanhã?
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Prometo pensar no assunto.
Salvei a data, Nestor. Mas ainda não sei bem o que fazer…
Valeu!
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TRILHA SONORA
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