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Crônicas de Viagens – Burgos

Fotos: Arquivo Pessoal

43 – Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba…

O desfile do Dia de Reis foi outra festa que me chamou a atenção na Espanha.

Lá e em boa parte da Europa, comemora-se a valer o dia 5 de janeiro quando há a troca de presentes que aqui acontece na véspera do Natal.

Pensei com os botões do meu velho sobretudo:

Faz sentido.

Na tradição cristã, foi nesse dia que os Reis Magos chegaram na estrebaria onde estava o Menino Jesus e o presentearam com mirra, incenso e ouro.

Penso que todos ganham com a tradição – inclusive, ressalto o aspecto comercial em si.

As lojas teriam mais alguns dias para a farra das compras que, pelo que reparei, por lá não é tão voraz como por aqui.

Enfim…

A grande comemoração do Dia dos Reis na Espanha – pude saber – é em Madri.

Dizem que o desfile é soberbo e tem inúmeras atrações. Culmina com chegada dos magos personificados, um a um, em carros alegóricos, a jogar balas e caramelos para adultos e crianças na plateia.

No ano que lá estive, o dia 5 caiu num sábado – e me pegou em BURGOS, uma das tantas cidades medievais que visitei. Com direito a muralha, álcazar, igrejas e monumentos históricos a gosto do visitante.

Não tínhamos a menor noção da encrenca.

Alguém comentou:

– É Dia de Reis.

Outro respondeu:

– Ah, sim! Legal.

Mas, como disse, nem tchum para o que viria.

Olhamos a confusão, um certo obaoba no gentio, a aglomeração ao longo de algumas avenidas e ruas, mas nem aí para o que pudesse acontecer.

Jantamos ou esperamos pra conferir?

Curiosos que só, resolvemos dar um plantão por ali, firmes e atentos, sob a proteção de El Cid, o bambambã local, com mitologia, estátua em praça pública e tudo mais.

Ameaçava chover.

Os espanhóis firmes.

E nós também.

Nem por isso…

Seis da tarde já é noite por lá nessa época do ano. O frio, portanto, aumenta – mas resistimos bravamente. Pés doendo, algum desconforto e duas horas depois começam a aparecer as insólitas atrações do desfile: malabaristas, homens chispando fogo pelas ventas e bocas, ciclistas amalucados, enormes balões de ar em forma de peixes manipulados por artistas populares, bizarrices e excentricidades para todos os gostos e tamanhos.

Inclua-se aí o que chamei de Grêmio Esportivo Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos de Burgos – a saber, uns oito ou nove batuqueiros, jeitão de brasileiros atravessando o ritmo e arrebentando tambores e tamborins. À frente do que imaginei ser nossos compatriotas, uma esforçada rainha de bateria made in Spain que parecia, como direi, sambar descalça sobre uma chapa quente.

Aplaudi entusiasmado.

Não pelo samba no pé da moçoila, menos ainda pelo minúsculo biquíni que exibia. Mas, porque – reparem – brasileiro no Exterior se emociona e se derrete todo por qualquer coisa que faça referência ao Brasil.

Basta ver a amarelinha pirata na banca de algum camelô pros olhos marejarem e se encherem d’água…

É verdade ou não é?

* Publicado originalmente em 27/02/2008

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