Donald Trump e o secretário de Guerra, Pete Hegseth/The White House
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Tínhamos lá na Velha Redação um colunista, o Dr, João Yazbek, que para dar maior realce à vida social da região onde nosso bravo semanário atuava emplacou o seguinte slogan:
“Fazer do Ipiranga mais Ipiranga”.
Era assim que ele iniciava (ou terminava) notas e comentários na página 2 na seção que tinha como título “Ipiranga Dia e Noite”.
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Tempos bons, meus caros.
Gosto de lembrá-los aqui, em nosso Blog.
Sou um nostálgico, ok.
Sempre consigo ter um olhar mais alongado para as aflições de hoje quando busco, naqueles dias. alguma explicação para tantos espantos que ora nos tonteiam e desafiam.
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Lembro o Dr. Yazbek, mas não consigo lembrar quem, certamente inspirado na exaltação que ele criou, sapecou outro bordão que todos nós da Gazetinha adotamos de imediato.
Sempre que nos referíamos a área de atuação do jornal, com algo em torno de 50 mil exemplares de circulação semanal, gratuita e domiciliar, passamos a definir solenemente a região como…
“o Grande Ipiranga”.
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Fazia algum sentido.
Entenda-se o bairro do Ipiranga propriamente dito como a área central – ruas e avenidas que circundam os arredores do histórico Museu do Ipiranga. Foi ali que o bairro propriamente dito nasceu e se expandiu até a ‘fronteira’ com as cidades do ABC, o que se deu a parir dos anos 60, consonante com o desenvolvimento social, migratório e industrial de São Paulo.
Digo que fazia algum sentido, pois, a englobarmos a região do Jardim da Saúde, são hoje (ou eram naqueles idos) 32 ou 34 denominações de lugares com a alcunha de “Parques” e “Jardins” a compor a área administrativa da Subprefeitura do Ipiranga (à época chamávamos de Administração Regional do Ipiranga).
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Poxa, mas que caramba, Rodolfo! – diria o Irmão Fidélis, meu professor de Redação do Colégio Nossa Senhora da Glória se acaso e desventura pudesse ler as bobagens que hoje escrevo.
– E ainda quer ser jornalista?
“Por onde anda a atualidade do texto” – acrescentaria, com ares repreensivos, antes de virar a página e seguir a leitura.
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Não sei se o Irmão (que adorava a expressão “poxa, mas que caramba” sempre que não compreendia nossas composições) gostaria de saber que recordei a grife “Grande Ipiranga” ao ouvir o noticiário da estrepolias de Donald Trump mundo afora – e um notável professor de Relações Internacionais falou de um lauto documento de 200 páginas onde o presidente americano e seus asseclas projetam o que chamam de “Grande América”.
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Isso mesmo. “Grande América”.
São, segundo relato do especialista que se debruçou sobre o farto material, os limites do que, a bem dos interesses e segurança dos Estados Unidos, se estendem do Alasca à Groenlândia ao norte, inclui o Canadá e desce olímpica e militarmente para o Caribe, a América Central, especialmente o Canadá e vai até o anteparo natural da Amazônia, aqui, na Latina América.
Os países abaixo de tal limite também devem – independente da ideologia que professem seus governos – também devem se por alinhados aos interesses ianques. Caso contrário, todos serão duramente penalizados. Inclusive, com intervenções militares do poderoso arsenal americano.
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Segundo o experiente professor de Relações Internacionais, o que move todo o redesenho geopolítico das Américas tem como único objetivo salvar a Economia americana do declínio que se projeta inevitável. Especialmente diante do avanço da influência da China em vários segmentos de relevância vital para o futuro da Humanidade.
Um exemplo nítido dessa nova soberania é o acordo de cessar-fogo de 21 dias entre o Irã e os Estados Unidos. Um acordo costurado pelo Paquistão, considerado como o braço de apoio da China para os negócios na Ásia e no Oriente Médio.
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Uia.
Poxa mas que caramba…
Antes de terminar, preciso esclarecer.
No Grande Ipiranga, eram os moradores, as associações representativas, os movimentos populares quem nos pautava. Estávamos a serviço deles e do almejado bem comum.
(Sim, éramos provincianos e ingênuos.)
Nessa tal e propalada Grande América, só nos enxergam como vassalos a mando do Senhor das Guerras. Voltaremos aos tempos coloniais em pleno século 21?
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TRILHA SONORA
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