Foto: Instagram Cateno de Luca, prefeito de Taormina
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Houve um tempo, em nossa pré-história digital, em que as autoridades paulistanas, especialmente o prefeito e mesmo um ou outro governador do Estado, não se faziam de rogadas em apontar São Pedro– ele mesmo, o santo que tem as chaves das portas do Céu – como responsável único pelas inundações que se espalhavam pelos vários pontos da Capital de todos os paulistas em temporadas chuvosas.
Eximiam-se assim – ele, e eventuais antecessores – de quaisquer responsabilidade e/ou negligência sobre os alagamentos que se viam ao longo de diversos bairros das várzeas paulistanas.
“Choveu além da conta… São Pedro foi impiedoso com a nossa cidade” – era mais ou menos esse o teor da frase/desculpa que davam sem qualquer cerimônia ou peso na consciência.
E assim o drama das enchentes permaneciam sem solução, como, desconfio, permanecem ainda hoje pelos confins de Sampa.
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Lembrei-me dessas falas que se sucediam naqueles idos, fosse qual fosse o alcaide na função, ao ver o vídeo que circulou nas redes sociais.
A cena é – pra nós que estamos à distância – bem curiosa. Os dois prefeitos Cateno De Luca e Danilo Lo Giudice – um da bela Taormina e outro da comuna de Santa Teresa di Riva, na belíssima Sicília – foram surpreendidos pela fúria das águas durante uma live que faziam para alertar a população local sobre os estragos devastadores (mas, graças ao bom Deus sem registro de vítimas fatais, até o momento) que o ciclone Harry vem fazendo no sul da Itália, incluam-se aí os arrredores: a Ilha de Malta e mesmo a Sardenha.
Uma onda gigante os surpreendeu enquanto gravavam à beira mar, invadiu as ruelas e os carregou por alguns bons e encharcados metros. Molhados até a alma e atônitos, os dois rapazes com a linha d’água pela cintura só sabiam dizer:
“Incrível… Incrível… ”
“Loucura… Loucura…”
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Ao menos, não culparam São Pedro.
E nem podiam.
Concordam?
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