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Travessa Felicidade

“O problema é o homem contemporâneo não aceitar mais os chamados ‘altos e baixos da vida’ e querer estar apenas no ‘alto’, o que faz com que muitas pessoas se considerem ‘anormais’ por não compartilharem desse entusiasmo esfuziante”

(PELLEGRINI, 2003)

Para o sociólogo australiano Roman Krznaric, autor do best seller ‘Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida”, a vida laboral é uma das questões que causam mais inquietação e insatisfação no mundo contemporâneo. “Hoje, pessoas de todas as classes sociais começam a enxergar o trabalho como algo para além da sobrevivência. É uma ocupação que pode fazer você se sentir preenchido. Uma das maiores razões de satisfação no trabalho não é o dinheiro, mas a autonomia”, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

Mesmo com os desafios da felicidade no trabalho e em outros diversos campos da vida cotidiana, atualmente, o Brasil está entre os 24 países mais felizes do mundo.

O dado é comprovado em estudo divulgado em setembro de 2013 pela ONU, que levou em consideração itens como generosidade, expectativa de uma vida saudável, PIB per capta e liberdade para se fazer escolhas na vida pessoal, apoio social e percepção da corrupção.

Porém, há controvérsias para a afirmação acima.

Um levantamento feito pelo IMS Health, instituto de pesquisa que faz auditoria para o mercado farmacêutico, mostra que mais de 40 milhões de caixas de antidepressivos e ansiolíticos foram vendidas em 2012 no Brasil, uma elevação de 8,72 por cento em relação a 2011.

Isso significa que um a cada cinco brasileiros consome uma caixa desse tipo de medicamento por ano. O ‘Rivotril’, prescrito a quem sofre de ansiedade, insônia e depressão, é a tarja preta mais consumida no País.

Será o homem contemporâneo feliz de verdade ou a indústria farmacêutica estaria alcançando a química para se alcançar a felicidade?

*Texto extraído do memorial do documentário “Travessa da Felicidade”, apresentado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo pelos formandos Kelly Buarque, Leonardo Paladino, Lucielo Reis, Mariana Guerra, Patrícia Oliveira, Rafael Palasio, Tamires Duchini e Thaís Restom. Participei da banca avaliadora que os aprovou na noite de sexta-feira.

Achei o tema bem compatível com as aflições nossas de cada dia, atualíssimo. Gostei do documentário que retratou a vida de alguns moradores da Travessa Felicidade, uma rua nos arrabaldes de Santo André. Lembrei a frase do poeta Mário Quintana: “A felicidade é um sentimento simples;você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, por não perceber a sua simplicidade”. Daí, talvez, a necessidade dos remedinhos.

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