{"id":10002,"date":"2000-08-13T00:00:00","date_gmt":"2000-08-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T19:26:18","modified_gmt":"2017-09-13T19:26:18","slug":"ainda-ha-novos-chicos-vandres-caetanos-gils-e-miltons-por-ai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ainda-ha-novos-chicos-vandres-caetanos-gils-e-miltons-por-ai\/","title":{"rendered":"Ainda h\u00e1 novos Chicos, Vandr\u00e9s, Caetanos, Gils e Miltons por a\u00ed?"},"content":{"rendered":"<p>Uma voz aguda e uma rom\u00e2ntica melodia trouxeram de volta \u00e0 televis\u00e3o os grandes festivais que lan\u00e7aram os mais expressivos nomes da MBP nos anos 60. Em 1985, o Festival dos Festivais, realizado pela Rede Globo, foi marcado pelos trinados de Tet\u00ea Esp\u00edndola, cantora da m\u00fasica vencedora Escrito nas Estrelas. Se o \u00faltimo dos festivais reviveu no p\u00fablico a emo\u00e7\u00e3o dos tempos de ouro da TV Record , nos bastidores do evento estava Solano Ribeiro em pleno Maracan\u00e3zinho, com a sensa\u00e7\u00e3o do dever cumprido&#8230;<\/p>\n<p>Na verdade, essa mesma sensa\u00e7\u00e3o o produtor e diretor musical j\u00e1 havia experimentado 20 anos antes, quando idealizou o primeiro Festival de M\u00fasica Popular Brasileira na extinta TV Excelsior. A vit\u00f3ria ficou com Arrast\u00e3o, de Vin\u00edcius de Moraes e Edu Lobo. Mas, a grande revela\u00e7\u00e3o do festival foi mesmo uma cantora ga\u00facha, radicada at\u00e9 ent\u00e3o no Rio de Janeiro. O desengon\u00e7ado rodopiar de bra\u00e7os e a vigorosa interpreta\u00e7\u00e3o consagraram Elis Regina nacionalmente e projetaram, ali, um g\u00eanero de espet\u00e1culo musical que mudou a cara da MPB a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Foi mesmo uma como\u00e7\u00e3o nacional&#8221;, lembra Solano, que tem sua hist\u00f3ria de vida fortemente marcada pela realiza\u00e7\u00e3o dos grandes festivais. &#8220;Fiz o da Excelsior, tr\u00eas na Record, o da Globo de 1972, o da Tupi em 79 e o Festival dos Festivais.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um grande festival que n\u00e3o tenha sua assinatura. Ali\u00e1s, a sintonia \u00e9 tanta que Roberto Talma, diretor geral do Festival da M\u00fasica Brasileira que a Globo inicia no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, n\u00e3o teve d\u00favidas. Chamou Solano para coordenar todo o processo de inscri\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00e3o dos grupos que selecionaram as 48 can\u00e7\u00f5es finalistas. E o velho mago dos festivais n\u00e3o teve como recusar o convite.<br \/>\n\u00c9 preciso uma sacudida<\/p>\n<p>&#8220;O momento \u00e9 muito oportuno. A m\u00fasica brasileira est\u00e1 precisando mesmo de uma sacudida. De apostar na ousadia. Felizmente, essa fase de padroniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 se esgotando. E tome sertanejo, ax\u00e9-music, bunda-music, pagode, padrecos-cantores. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o precisam mostrar o que realmente \u00e9 a cara musical do Pa\u00eds&#8221;, argumenta cheio de entusiasmo.<\/p>\n<p>Explica-se tanto otimismo. Para Solano, o sucesso de um festival est\u00e1 nesta fase embrion\u00e1ria, que ele chama de garimpagem. As can\u00e7\u00f5es finalistas devem fazer um mapeamento das diversas tend\u00eancias sonoras, fugir de qualquer sectarismo e principalmente apostar no novo. Seu \u00fanico medo era o n\u00famero excessivo de inscri\u00e7\u00f5es, que poderia inviabilizar o festival. A proposta foi fazer uma triagem a partir da tecnologia. S\u00f3 foram aceitas as inscri\u00e7\u00f5es de can\u00e7\u00f5es gravadas em CD ou DAT. Mesmo assim, houve 23.834 inscri\u00e7\u00f5es. Um n\u00famero absurdo. Foi preciso ouvir isso tudo?<\/p>\n<p>Audi\u00e7\u00e3o torturante<\/p>\n<p>&#8220;Por mais incr\u00edvel que possa parecer, a tarefa foi relativamente f\u00e1cil&#8221; &#8211; diz o hoje tranq\u00fcilo Solano. Ele reuniu dois grupos de doze pessoas. Um no Rio e outro em S\u00e3o Paulo. Os integrantes se revezavam, tr\u00eas a tr\u00eas, na audi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. Todos t\u00eam grande viv\u00eancia na \u00e1rea musical. Bastavam ouvir os primeiros acordes, conferir a letra para perceber que ali n\u00e3o havia nada com nada. Dessa forma, foi se depurando as que teriam chance. E, outra surpresa, essas n\u00e3o chegaram a 100.<\/p>\n<p>Para ser mais exato, os dois estados selecionaram um total de 67 m\u00fasicas com possibilidade de apresenta\u00e7\u00e3o. E a\u00ed se formou um novo colegiado que definiu as 48. Houve um avan\u00e7o na parte t\u00e9cnica. As produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem feitas, com teclados e coisa e tal. No entanto, a tem\u00e1tica revelou-se bastante pasteurizada. Tanto faz ser uma m\u00fasica do Piau\u00ed como do Rio Grande do Sul, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 puro modismo&#8221;, diz Solano. &#8220;Quer dizer: n\u00e3o est\u00e1 existindo emula\u00e7\u00e3o, o que a m\u00eddia p\u00f5e no ar \u00e9 o que fica valendo. Esse tro\u00e7o tem um lado assustador. O pessoal chegou a falar que a audi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas era absolutamente torturante. Durante semanas, eles n\u00e3o conseguiam separar sequer uma can\u00e7\u00e3o. Era dif\u00edcil at\u00e9 manter a aten\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O painel de 48 can\u00e7\u00f5es \u00e9 bastante variado e Solano aposta suas fichas: h\u00e1 muita m\u00fasica boa. &#8220;Todos n\u00f3s da produ\u00e7\u00e3o estamos certos de que esse festival vai deixar um residual de grande valor, com novos compositores e int\u00e9rpretes. Tem, na verdade, um pouco de tudo: MPB aut\u00eantica, m\u00fasica regional, valsa, rap, rock pesado, forr\u00f3. Tem at\u00e9 um samba-enredo. A proposta do espet\u00e1culo que o Talma est\u00e1 montando tamb\u00e9m carrega na ousadia, inclusive em termos televisivos. \u00c9 natural que haver\u00e1 aquele que vai dizer: Ah! Mas o Caetano n\u00e3o entrou, o Chico n\u00e3o entrou, o Ivan Lins n\u00e3o entrou. N\u00e3o entrou e, digo, n\u00e3o era para entrar. Pois, quando eles come\u00e7aram, eram iguais a esses que hoje est\u00e3o a\u00ed&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>CARREIRA DE JAIR DISPAROU NO FESTIVAL<\/p>\n<p>At\u00e9 1966 Jair Rodrigues era conhecido como sambista de um \u00fanico sucesso (Deixa isso pra l\u00e1). A consagra\u00e7\u00e3o veio ao cantar Disparada<\/p>\n<p>Mais do que um espet\u00e1culo de televis\u00e3o, os festivais de m\u00fasica dos anos 60 eram um acontecimento. Havia um efervescente caldeir\u00e3o cultural que misturava o conturbado momento pol\u00edtico, a revolu\u00e7\u00e3o dos costumes e, \u00e9 ineg\u00e1vel, uma gera\u00e7\u00e3o de preciosos talentos prontos a explodir.<\/p>\n<p>&#8220;Comigo mesmo foi assim&#8221; &#8211; destaca o cantor Jair Rodrigues. Embora j\u00e1 houvesse gravado um disco de sucesso, o compacto Deixa Isso Pra L\u00e1, o cantor era considerado, segundo ele mesmo, apenas um sambista alegrinho. Foi no Festival da Record, de 1966, ao defender Disparada, que p\u00fablico e cr\u00edtica o reconheceram como grande int\u00e9rprete.<\/p>\n<p>&#8220;Ali praticamente come\u00e7ou minha carreira. Eu j\u00e1 vinha na batalha h\u00e1 algum tempo, cantando na noite aquelas m\u00fasicas fortes de Orlando Silva, Carlos Galhardo, Francisco Alves&#8230; Havia feito um disquinho de sucesso. Participava de espet\u00e1culos com a Elis Regina. Mas, mesmo assim, o pessoal continuava falando que eu era cantor de uma m\u00fasica s\u00f3. \u00d4 coisa chata, s\u00f4. Foi quando apareceu a m\u00fasica do T\u00e9o de Barros e do Geraldo Vandr\u00e9 e, a\u00ed sim, o neg\u00f3cio mudou. Disparada \u00e9 uma das m\u00fasicas mais dif\u00edceis de cantar. Com ela, pude provar minha compet\u00eancia e a partir da\u00ed tive momentos bem bonitos em minha carreira.&#8221;<\/p>\n<p>Jair faz quest\u00e3o de ressaltar que nos primeiros festivais a competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o era a prioridade. &#8220;Est\u00e1vamos l\u00e1 para mostrar a nossa m\u00fasica e dar nosso incentivo aos demais concorrentes. A camaradagem e a amizade prevaleciam&#8221;, diz. &#8220;Todos, inclusive, foram solid\u00e1rios ao S\u00e9rgio Ricardo (no epis\u00f3dio das vaias e da briga com a plat\u00e9ia). N\u00e3o havia qualquer divis\u00e3o. Quer\u00edamos que todos se dessem bem e pronto&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, em 67, a coisa pegou. No ano seguinte, foi um horror. Voc\u00ea entrava para cantar e escutava: Uh!!! Fora!!! Sai da\u00ed!!! Uma loucura. Enquanto cantava, pensava comigo: que diabo \u00e9 isso? Falei com meu empres\u00e1rio, o Corumba (da dupla sertaneja Ven\u00e2ncio e Corumba) e disse que n\u00e3o queria mais participar. Como eu, um monte de gente. Mas, \u00e9ramos contratados e t\u00ednhamos que cumprir o contrato. Mesmo assim, em 69 s\u00f3 participei da Bienal do Samba &#8211; um festival paralelo, tamb\u00e9m na Record, s\u00f3 com sambistas. A vencedora foi Lapinha (de Baden Powell e Paulo C\u00e9sar Pinheiro) que a Elis cantou magnificamente: Quando eu morrer me enterrem na Lapinha. Cal\u00e7a, culote, palet\u00f3 almofadinha&#8230;&#8221; \u00cata, coisa bonita&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Sobre o atual Festival da M\u00fasica Brasileira, o cantor diz que esse tipo de iniciativa \u00e9 sempre bem-vinda&#8221;. Lembra que o r\u00e1dio e a TV fecharam muitas portas. Quem n\u00e3o est\u00e1 na moda, precisa encontrar espa\u00e7o por conta pr\u00f3pria. E as gravadoras t\u00eam muita culpa nisso, sim, senhor. O bom de um festival \u00e9 que, pelo menos, voc\u00ea fura esse bloqueio. Ele s\u00f3 lamenta que o filho Jairzinho n\u00e3o teve sua can\u00e7\u00e3o classificada.<\/p>\n<p>&#8220;P\u00f4, me disseram que \u00e9 porque o festival \u00e9 para revelar talentos absolutamente desconhecidos. Achei razo\u00e1vel a explica\u00e7\u00e3o. Depois vi nomes como o do Chico C\u00e9sar, ent\u00e3o n\u00e3o entendi mais nada.&#8221;<\/p>\n<p>De qualquer forma, Jair vai torcer para que o festival d\u00ea certo. Segundo ele, existe uma renova\u00e7\u00e3o constante na MPB e esse pessoal precisa de oportunidade. &#8220;Quando t\u00ednhamos o programa na Record, Elis e eu lan\u00e7amos mais da metade desse pessoal que est\u00e1 a\u00ed&#8221;. Em certa ocasi\u00e3o, quando ainda era solteiro, um amigo lhe apresentou um rapaz rec\u00e9m-chegado a S\u00e3o Paulo que precisava de um lugar para ficar uns tempos. O garoto &#8211; um mineiro, t\u00edmido &#8211; hospedou-se umas semanas no apartamento de Jair. Pouco falava, sempre carregando o viol\u00e3o e um caderno. Mas, quando cantava, soltava a voz. Seu nome: Milton Nascimento.<\/p>\n<p>&#8220;Engra\u00e7ado, que aquele caderno ficou um temp\u00e3o l\u00e1 em casa, mesmo depois que o Milton foi embora. Um dia passei os olhos pelos rabiscos e l\u00e1 estavam os versos de Travessia.&#8221;<\/p>\n<p>HIST\u00d3RIAS DE SOLANO RIBEIRO, O HOMEM DOS FESTIVAIS<\/p>\n<p>Ele foi um dos mentores da era dos festivais e agora acredita que s\u00f3 mesmo outro deles pode furar o bloqueio das gravadoras e permitir a revela\u00e7\u00e3o de talentos da m\u00fasica popular brasileira<\/p>\n<p>Desde 1998 Solano Ribeiro acalenta o sonho de fazer um novo festival de m\u00fasica. Os motivos, diz, est\u00e3o todos a\u00ed. A m\u00fasica brasileira de qualidade, que \u00e9 nossa maior manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, sobrevive ocupando os espa\u00e7os que lhe s\u00e3o poss\u00edveis. H\u00e1 outra vez uma gera\u00e7\u00e3o pronta para despontar, e \u00e9 interessante proporcionar essa chance.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, levou a proposta \u00e0 Rede Record. Houve interesse. Buscou-se patrocinador aqui e ali. Quando a coisa parecia que ia, n\u00e3o foi. Ent\u00e3o, no ano passado, foi chamado pela Globo para ajudar na s\u00e9rie 100 Anos de M\u00fasica Popular Brasileira.<\/p>\n<p>&#8220;Fui l\u00e1 e falei da minha id\u00e9ia de fazer um novo festival. Disseram novamente que n\u00e3o havia interesse numa produ\u00e7\u00e3o terceirizada&#8221;. Solano tem uma produtora independente, a VTI. Apesar do \u2018n\u00e3o\u2019, teve certeza: deixou a semente de que o momento era oportuno para um novo festival.<\/p>\n<p>Solano recebeu a reportagem do JT e revelou, com exclusividade, algumas especiarias da hist\u00f3ria dos festivais de MPB, da qual ele \u00e9 um dos autores e, mesmo sem escrever sequer um verso ou criar um s\u00f3 acorde, um dos principais protagonistas. Aqui, a \u00edntegra de seu depoimento.<\/p>\n<p>O come\u00e7o<\/p>\n<p>&#8220;Os festivais n\u00e3o surgiram do dia para noite. No in\u00edcio dos anos 60, existia uma forte movimenta\u00e7\u00e3o musical a partir da Bossa Nova, com base no Rio. Em S\u00e3o Paulo havia muita gente fazendo boa m\u00fasica. Ent\u00e3o, eu e dois jornalistas, Moraci do Val e Franco Paulino, juntamos esse pessoal no que se chamou Tardes da Bossa Paulista. Participavam C\u00e9sar Camargo Mariano, Ana L\u00facia, Claudete Soares, Walter Wanderlei, entre outros.<\/p>\n<p>Logo percebi que os encontros despertavam grande interesse e, de repente, poderiam acontecer num lugar maior. Na \u00e9poca, o centro acad\u00eamico do Mackenzie fazia um espet\u00e1culo chamado O Fino da Bossa, de muito prest\u00edgio, e que trazia o pessoal do Rio. Isso refor\u00e7ou a id\u00e9ia de alugar um teatro. Alugamos o antigo teatro de Arena. A primeira apresenta\u00e7\u00e3o foi um sucesso extraordin\u00e1rio. E a\u00ed chamamos esses espet\u00e1culos de Noites de Bossa.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca o Boni (Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio Sobrinho) me chamou para trabalhar como coordenador de programa\u00e7\u00e3o da TV Excelsior. Fazia de tudo um pouco, at\u00e9 que surgiu a chance de produzir um programa. A\u00ed levei todo esse pessoal para a TV. Foi o Noites da Bossa Paulista.<\/p>\n<p>A essa altura, o Walter Guerreiro apareceu com o patroc\u00ednio das Lojas Eduardo e a id\u00e9ia de juntar o pessoal do Rio e S\u00e3o Paulo. Chamou-se Primavera Eduardo \u00c9 Festival de Bossa Nova. Pela primeira vez aparece a palavra \u2018festival\u2019. Foi um sucesso e a primeira vez que Elis Regina cantou num teatro em S\u00e3o Paulo&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o em San Remo<\/p>\n<p>&#8220;Em S\u00e3o Paulo e Rio viv\u00edamos um momento contradit\u00f3rio. Enquanto as r\u00e1dios insistiam em tocar m\u00fasica brega, havia muita coisa boa acontecendo nos bares e teatros. Continu\u00e1vamos com os shows no Teatro de Arena e o radialista Walter Silva (Pica-pau) conseguia a proeza de lotar o Teatro Paramont com espet\u00e1culos memor\u00e1veis como o Dois na Bossa com Jair Rodrigues e Elis. Nas r\u00e1dios, al\u00e9m de boleros, de vez em quando chegava uma enxurrada de m\u00fasica italiana, especialmente ap\u00f3s o Festival de San Remo. A\u00ed bateu a id\u00e9ia de promover algo semelhante, n\u00e3o sabia direito como.<\/p>\n<p>Ao ler o regulamento, percebi que as gravadoras e as editoras eram as donas do Festival de San Remo. Para n\u00f3s n\u00e3o interessava. Jamais nossas gravadoras apostariam na ousadia daquela garotada. Ent\u00e3o decidi fazer um festival aberto a todos. Foi uma loucura, porque n\u00e3o havia grava\u00e7\u00f5es e fizemos a sele\u00e7\u00e3o das concorrentes a partir da partitura.<\/p>\n<p>Houve um n\u00famero muito grande de inscri\u00e7\u00f5es. Am\u00edlson Godoy, not\u00e1vel pianista, passava a m\u00fasica e a gente conferia a letra. Foi assim que surgiu o primeiro Festival de M\u00fasica Popular Brasileira, na TV Excelsior, em 1965. Foi um sucesso absoluto. Deu Elis Regina com Arrast\u00e3o, com uma proje\u00e7\u00e3o que foi al\u00e9m das nossas expectativas.<\/p>\n<p>A era TV Record Logo que Elis venceu o festival, perguntei a ela se gostaria de trabalhar em S\u00e3o Paulo na Excelsior. Ela me falou que tudo bem, desde que a proposta cobrisse o que recebia na TV Rio. Levei a proposta para o Edson Leite (superintendente da Exclesior), que respondeu:<\/p>\n<p>&#8212; Imagina! A gente n\u00e3o tem nada o que fazer com ela. Meses depois, a Elis estava contratada pela Record por um sal\u00e1rio muito maior e status de grande estrela. A carreira dela deslanchou, ganhou um programa semanal, O Fino da Bossa, que depois ficou s\u00f3 O Fino.<\/p>\n<p>Foi um sucesso tremendo que deu \u00e0 Record uma visibilidade enorme e gerou a Jovem Guarda com Roberto Carlos, Bossaudade com Elizeth Cardoso e Ciro Monteiro, e outros. A Record passou a ser l\u00edder de audi\u00eancia e a \u2018emissora dos musicais\u2019.&#8221;<\/p>\n<p>Chico, Vandr\u00e9 &amp; Jair<\/p>\n<p>&#8220;A partir desse sucesso, o Paulinho Machado de Carvalho, respons\u00e1vel pela TV Record, contratou o que havia de melhor na pra\u00e7a. No ano seguinte, eu j\u00e1 estava fora da Excelsior e fui convidado para fazer o primeiro festival da Record. Foi relativamente f\u00e1cil. Havia um cast maravilhoso, os programas estavam em evid\u00eancia, a audi\u00eancia l\u00e1 em cima. E a gente j\u00e1 recebia fitas, o que facilitou a escolha das concorrentes.<\/p>\n<p>Aconteceu de ter duas m\u00fasicas de absoluto impacto, de autores que estavam em in\u00edcio de carreira e surpreenderam pela grandiosidade do talento: Chico Buarque, com A Banda, e Geraldo Vandr\u00e9, com Disparada. Foi um espet\u00e1culo memor\u00e1vel.<br \/>\nE, olhe, foi uma briga fazer com que Jair Rodrigues fosse o int\u00e9prete de Disparada. O Vandr\u00e9 queria cantar. Eu insisti: queria um cantor.<\/p>\n<p>Quem?, ele perguntou. Falei sobre Jair Rodrigues e, claro, ele estranhou. Falou que o cara era sambista e n\u00e3o tinha nada a ver. Mas, a gente via o Jair pelos est\u00fadios cantarolando modinhas sertanejas.<\/p>\n<p>Fiz o Jair passar a m\u00fasica para o Vandr\u00e9 que, ao ouvir, n\u00e3o teve mais qualquer d\u00favida. A apresenta\u00e7\u00e3o do Jair Rodrigues tamb\u00e9m pegou a plat\u00e9ia de surpresa, acompanhado pelo Trio Maraya e o Quarteto Novo, com o Hermeto Pascoal de pianista, o T\u00e9o de Barros na viola e Nanini que fez percuss\u00e3o com uma queixada de burro. E deu no que deu.&#8221;<\/p>\n<p>Deu empate mesmo<\/p>\n<p>&#8220;Especula-se ainda hoje que Chico teria vencido sozinho aquele festival e for\u00e7ado uma barra pelo empate. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade, embora a tend\u00eancia fosse mesmo de vit\u00f3ria para o Chico Buarque. A gente fez uma reuni\u00e3o antes da final\u00edssima, com o j\u00fari. E ficou estabelecido que a briga era entre as duas. Mas a decis\u00e3o viria mesmo ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, levando em conta a rea\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia e tudo mais.<br \/>\nDeu empate, que foi o mais justo.&#8221;<\/p>\n<p>O melhor dos festivais<\/p>\n<p>&#8220;No meu entender, em 1967 tivemos o melhor dos festivais. Havia ali pelo menos seis ou sete m\u00fasicas com possibilidade de vit\u00f3ria. Ponteio, de Edu Lobo, a vitoriosa. Domingo no Parque, do Gil, que ficou em segundo. Roda Viva, do Chico Buarque, em terceiro. Caetano com Alegria, Alegria, em quarto. E Roberto Carlos defendeu uma m\u00fasica lind\u00edssima, do falecido Luiz Carlos Paran\u00e1, Maria, Carnaval e Cinzas, em quinto. A qualidade das m\u00fasicas era tanta que, por uma cochilada dos jurados, Eu e a Brisa, de Johnny Alf, n\u00e3o passou da fase classificat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas o que deu tempero ao festival foi a postura mais experimental dos baianos. Caetano adotou as guitarras em Alegria, Alegria e Gilberto Gil tamb\u00e9m, em Domingo no Parque, que teve arranjos do maestro Rog\u00e9rio Duprat e acompanhamento dos Mutantes. Essas can\u00e7\u00f5es ganharam fei\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, com tem\u00e1ticas urbanas, e mudaram o panorama musical da \u00e9poca.&#8221;<\/p>\n<p>As vaias e S\u00e9rgio Ricardo<\/p>\n<p>&#8220;Curiosamente, foi tamb\u00e9m o festival que consagrou as vaias. N\u00e3o surgiram de forma t\u00e3o natural assim. Na verdade, Jair Rodrigues veio defendendo uma m\u00fasica do Walter Santos e Tereza Souza chamada O Combatente.A gravadora do Jair Rodrigues levou uma pequena torcida e a m\u00fasica n\u00e3o passou para a segunda fase. A\u00ed esse pessoal come\u00e7ou a vaiar quem aparecesse. Era uma coisa artificial.<\/p>\n<p>O que ningu\u00e9m imaginava era o destempero do S\u00e9rgio Ricardo. Ningu\u00e9m gostou de Beto Bom de Bola. Ele cantou mal. O arranjo era esquisito. Estava tudo torto naquela m\u00fasica. No j\u00fari, havia uma fac\u00e7\u00e3o bastante radical. O jornalista S\u00e9rgio Cabral defendeu a classifica\u00e7\u00e3o da m\u00fasica por denunciar o lado social do futebol. De algum modo, empurrou o S\u00e9rgio Ricardo para a final e foi a cat\u00e1strofe.&#8221;<\/p>\n<p>O tropicalismo<\/p>\n<p>&#8220;No ano seguinte o festival ficou muito tropicalista. Houve uma forte conota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Era not\u00f3ria a desconfian\u00e7a do pessoal da direita, a censura em cima e a coisa engrossando. O festival de 68 refletiu essa inquieta\u00e7\u00e3o, sobretudo na forma comportamental. A f\u00f3rmula do evento foi redesenhada e criou-se o j\u00fari popular e o chamado erudito.<\/p>\n<p>As m\u00fasicas vitoriosas foram S\u00e3o S\u00e3o Paulo Meu Amor, de Tom Z\u00e9, e Bem-vinda, de Chico Buarque. Mas j\u00e1 foi uma coisa assim, meio p\u00e9-quebrado. Foi o \u00faltimo festival que fiz na Record. J\u00e1 no festival da Globo, do mesmo ano, a coisa pegou mesmo. O Renato Corr\u00eaa e Castro, que era o produtor, me convidou para fazer a sele\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas da eliminat\u00f3ria paulista. S\u00f3 eu e ele.<\/p>\n<p>A\u00ed optamos por uma maior ousadia. Escolhemos a m\u00fasica do Gil (Quest\u00e3o de Ordem), a do Caetano (\u00c9 Proibido Proibir) e a do Vandr\u00e9 (Para N\u00e3o Dizer Que N\u00e3o Falei das Flores). Quando essas m\u00fasicas foram apresentadas no Tuca, formou-se a confus\u00e3o. Gil foi desclassificado e Caetano passou para a segunda fase, mas foi quase agredido pela plat\u00e9ia.&#8221;<\/p>\n<p>Vandr\u00e9 e o AI-5<\/p>\n<p>&#8220;Quando Vandr\u00e9 cantou no Rio, foi outra loucura. S\u00f3 que a\u00ed obrigaram a Globo a n\u00e3o dar a vit\u00f3ria ao Vandr\u00e9. Ele n\u00e3o poderia ganhar esse festival de forma nenhuma. Quem disse que os militares aprovariam a vit\u00f3ria de uma m\u00fasica que manda morrer pela P\u00e1tria a viver sem raz\u00e3o?<\/p>\n<p>Houve uma for\u00e7ada de barra, sim. E a\u00ed venceu O Sabi\u00e1, de Chico Buarque e Tom Jobim. Ali\u00e1s, a m\u00fasica possui uma mensagem po\u00e9tica tamb\u00e9m com forte teor social. \u00c9 o recado daqueles que est\u00e3o fora do Pa\u00eds, que ainda n\u00e3o estavam oficialmente banidos pelo regime militar, mas que j\u00e1 falavam em voltar. O pessoal tamb\u00e9m n\u00e3o entendeu.<\/p>\n<p>Vandr\u00e9 fez uma coisa sensacional. Quando foi para o Maracan\u00e3zinho, cantou s\u00f3 voz e viol\u00e3o. Foi outro impacto, valorizou os versos fortes e comoveu a todos porque o recado dele era bem mais expl\u00edcito. H\u00e1 quem diga at\u00e9 que foi a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e0 m\u00fasica do Vandr\u00e9 que fez com que os militares recrudescessem e decretassem o AI-5 que a\u00ed, sim, fechou de vez. E todo mundo teve que espirrar. Chico saiu do Pa\u00eds, Caetano e Gil foram presos e depois sa\u00edram. Vandr\u00e9 fugiu&#8230; Tenho a impress\u00e3o de que, se prendem o Vandr\u00e9 naquela \u00e9poca, matavam o cara.<\/p>\n<p>Em 1969, eu me afastei da produ\u00e7\u00e3o dos festivais e quem fez foi o Marco Ant\u00f4nio Rizzo, que era meu assistente. E eu at\u00e9 digo foi o festival do riso, pois se proibiu at\u00e9 guitarra el\u00e9trica. Exatamente para que n\u00e3o houvesse maiores enfrentamentos. Mesmo assim, a m\u00fasica vitoriosa era bel\u00edssima. E sintomaticamente se chamou Sinal Fechado, de Paulinho da Viola, que acabou tamb\u00e9m supervaiado.&#8221;<\/p>\n<p>O fim dos festivais<\/p>\n<p>&#8220;Mas, na verdade, o que decretou o fim dos festivais foi um esvaziamento generalizado. De forma e conte\u00fado. O elenco de grandes nomes da MPB estava fora do Pa\u00eds. Havia uma repress\u00e3o brava. A Globo ainda tentou por dois ou tr\u00eas anos. Mas, valeu-se mais do tom festeiro da disputa do que propriamente da revela\u00e7\u00e3o de novos talentos.&#8221;<\/p>\n<p>\u00daltima tentativa<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo assim, a convite do Boni, fiz o Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o de 72, que foi o \u00faltimo dessa leva dos grandes festivais. Ganhou a fase nacional o Fio Maravilha, do Jorge Ben Jor, interpretado pela Maria Alcina. Tive toda a liberdade para produzir. E o festival teve um residual maravilhoso. Lan\u00e7ou Raul Seixas, S\u00e9rgio Sampaio, Maria Alcina, o pessoal do Cear\u00e1 (Fagner, Ednardo e Belchior), Alceu Valen\u00e7a&#8230;Uma pena que mais uma vez tivemos problemas pol\u00edticos.<\/p>\n<p>L\u00e1 pelas tantas chega uma ordem de que Nara Le\u00e3o, que era presidente do j\u00fari a meu convite, n\u00e3o poderia aparecer na TV. Falei, ent\u00e3o, tamb\u00e9m saio. A\u00ed ficamos naquela conversa horas a fio, procurando uma solu\u00e7\u00e3o. L\u00e1 pelas tantas propus que sa\u00edsse o j\u00fari todo, e n\u00e3o s\u00f3 a Nara.<\/p>\n<p>Escolhemos jornalistas estrangeiros para compor um novo corpo de jurados para ver se algu\u00e9m da imprensa levantava a quest\u00e3o do afastamento&#8230; Foi o que fizemos e ningu\u00e9m questionou a mudan\u00e7a por motivos pol\u00edticos. S\u00f3 chiou o pessoal que defendia a can\u00e7\u00e3o do Walter Franco que, na verdade, era uma antim\u00fasica chamada Cabe\u00e7a. Esse pessoal achou que era manobra para o Walter n\u00e3o ganhar o festival. E passou a criticar a mudan\u00e7a, \u00fanica e exclusivamente sobre esse prisma&#8230; E o assunto morreu a\u00ed, e os festivais acabaram implodindo de vez.&#8221;<\/p>\n<p>QUANDO CADA EMISSORA TINHA O SEU<\/p>\n<p>Nem s\u00f3 de TV Record viveram os festivais dos anos 60. Acredite! Cada emissora tinha o seu. Embora fosse indiscut\u00edvel a supremacia das produ\u00e7\u00f5es da ent\u00e3o l\u00edder absoluta de audi\u00eancia, as concorrentes procuravam seguir o mesmo rastro.<\/p>\n<p>A TV Excelsior insistiu em produzir uma segunda edi\u00e7\u00e3o do festival em 1966. A vit\u00f3ria coube \u00e0 rom\u00e2ntica Portas Estandarte, de Geraldo Vandr\u00e9. A Globo passou a promover o Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o que logo na estr\u00e9ia, em 67, revelou Milton Nascimento, terceiro colocado com Travessia. Mais modesta, a Tupi fazia o Festival Universit\u00e1rio e, posteriormente, a Feira Permanente da MPB, com uma proposta diferenciada.<\/p>\n<p>A maior estrela desses eventos era, na verdade, o diretor Fernando Faro, um inveterado apaixonado por m\u00fasica popular brasileira. Faro era amigo dos cantores e compositores e transformava todos seus programas numa mostra de MPB, com cara de reuni\u00e3o informal. Como \u00e9 o programa Ensaio que ainda hoje produz para a TV Cultura.<\/p>\n<p>&#8220;Os festivais universit\u00e1rios serviram para lan\u00e7ar muitos nomes, mas n\u00e3o consagraram ningu\u00e9m&#8221;, recorda. &#8220;Em 69, aquela coisa dos festivais da Record j\u00e1 havia desandado. Ent\u00e3o procuramos fazer algo mais leve, tipo roda de amigos. Era uma feira mesmo, com encontros semanais onde tir\u00e1vamos alguns<br \/>\nvencedores. No fim do m\u00eas, escolh\u00edamos um representante para a final\u00edssima em dezembro.&#8221;<\/p>\n<p>Quando a emissora parou com a feira, por falta de patroc\u00ednio, quatro can\u00e7\u00f5es estavam escolhidas: Cad\u00ea Tereza (Jorge Ben Jor), Que Maravilha (Ben Jor e Toquinho), Nada de Novo e Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida, de Paulinho da Viola. Faro estava entusiasmado.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o Paulo me mostrou a m\u00fasica, fiquei pasmo. E falei: vamos lan\u00e7ar na feira. Ele falou: \u2018N\u00e3o posso. Tenho que lan\u00e7ar na quadra da Portela. Preciso limpar minha barra. O pessoal da Velha Guarda da Portela anda bravo comigo por causa de um samba que fiz com o Herm\u00ednio Bello de Carvalho e que chama Sei l\u00e1, Mangueira\u2019. Eu disse: que bobagem, lan\u00e7a l\u00e1 e depois a gente mostra aqui. A gente n\u00e3o podia deixar de mostrar o samba.&#8221;<\/p>\n<p>Faro v\u00ea com otimismo o festival da Globo. N\u00e3o que espere a revela\u00e7\u00e3o de um novo Paulinho da Viola. Mas acredita que toda movimenta\u00e7\u00e3o para divulgar a m\u00fasica popular \u00e9 elogi\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Somos um povo essencialmente musical. \u00c9 certo que n\u00e3o h\u00e1 mais aquela efervesc\u00eancia cultural dos anos 60, mas, hoje, o que importa \u00e9 absoluta falta de pudor musical. Vamos ouvir tudo e peneirar o que \u00e9 bom. Existe uma gera\u00e7\u00e3o pronta para aparecer. Chico C\u00e9sar \u00e9 genial. Os meninos do Mestre Ambr\u00f3sio tamb\u00e9m. Temos cantoras not\u00e1veis. O Vicente Barreto est\u00e1 na batalha h\u00e1 tantos anos e nunca aconteceu em termos de grande p\u00fablico, apesar de ser autor de Tropicana. Vamos p\u00f4r os caras na telinha para ver o que acontece&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Hora de ousadias<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a impress\u00e3o de Wanderley Doratiotto, o Wandi, apresentador do programa Bem Brasil da TV Cultura e integrante do Grupo Prem\u00ea. Ele sempre ouve dizer que a MPB est\u00e1 em crise. Mas n\u00e3o \u00e9 o que percebe em seu programa dominical, aberto a todas as tend\u00eancias.Ele repete o que diz Faro. H\u00e1 muita coisa boa acontecendo, sim.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 que a m\u00eddia prefere privilegiar uma produ\u00e7\u00e3o mais horizontal, mais padronizada. N\u00e3o aposta nas diferen\u00e7as, na ousadia.&#8221;<\/p>\n<p>Wandi recorda que o pr\u00f3prio Prem\u00ea s\u00f3 ganhou maior visibilidade em 1979, ao participar do Festival Universit\u00e1rio da M\u00fasica Popular Brasileira na TV Cultura: ficou em segundo lugar com Brigando na Lua. Quem venceu o festival foi Divers\u00f5es Eletr\u00f4nicas, de Arrigo Barnab\u00e9. Mas o evento consagrou, pelo menos com prest\u00edgio, toda uma gera\u00e7\u00e3o chamada Vanguarda Paulistana, que inclu\u00eda Itamar Assump\u00e7\u00e3o, V\u00e2nia Bastos, Celso Vi\u00e1fora, Pa\u00e7oca.<\/p>\n<p>Neste festival da Globo, o pr\u00f3prio Prem\u00ea ter\u00e1 o desafio de defender Um Chorinho em Mente, de Laerte Freire, um autor que permanece in\u00e9dito aos 71 anos. &#8220;A m\u00fasica \u00e9 delicada, bem tradicional e n\u00e3o tem a pegada das m\u00fasicas feitas para festivais, sempre combativas. Acho que nos escolheram porque o Prem\u00ea tem esse estilo de ser uma ponte entre o ontem e o hoje. De n\u00e3o perder de vista o passado, mas olhar sempre em frente&#8221;.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 25 anos n\u00e3o faltaram tentativas para se reviver o mito dos festivais: Abertura (Globo\/75), o da Tupi (79), o Universit\u00e1rio da Cultura (79), a s\u00e9rie dos MPB Shell e o Festival dos Festivais (tamb\u00e9m na Globo). Em 92, a Record produziu o Novo Festival da MPB, um fiasco que n\u00e3o foi al\u00e9m de dois pontos no Ibope.<br \/>\nCarlinhos Vergueiro, Arrigo Barnab\u00e9, Lucinha Lins, Raimundo Sodr\u00e9, Tom e Dito, Jorge Alfredo e Chico Evangelista, Tet\u00ea Esp\u00edndola, Osvaldo Montenegro s\u00e3o alguns dos nomes de cantores e compositores lan\u00e7ados pelos tais festivais. Todos tiveram seu quinh\u00e3o de 15 minutos de fama. H\u00e1 quem diga, por\u00e9m: para alguns, foi tempo demais.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria publicada no Jornal da Tarde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma voz aguda e uma rom\u00e2ntica melodia trouxeram de volta \u00e0 televis\u00e3o os grandes festivais que lan\u00e7aram os mais expressivos nomes da MBP nos anos 60. 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