{"id":10030,"date":"1996-12-01T00:00:00","date_gmt":"1996-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:25:32","modified_gmt":"2017-09-15T18:25:32","slug":"inflacao-ou-deflacao-nada-muda-para-nos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/inflacao-ou-deflacao-nada-muda-para-nos\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o ou defla\u00e7\u00e3o: nada muda para n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>01. H\u00e1 uma palavra em moda no Brasil de hoje: defla\u00e7\u00e3o. Explicando no popular, significa dizer que os pre\u00e7os dos produtos ao consumidor est\u00e3o em baixa. Para que fique claro, defla\u00e7\u00e3o \u00e9 o contrario de infla\u00e7\u00e3o. Tal fen\u00f4meno n\u00e3o ocorria entre n\u00f3s &#8212; por duas vezes consecutivas, considerando \u00edndices equivalentes a per\u00edodos de 30 dias &#8212; desde junho de 1957 ainda nos festejados anos dourados do Governo JK. Trata-se de um indicador para ser festejado, especialmente para um Pa\u00eds onde a infla\u00e7\u00e3o era apontada como causa \u00fanica de todos os males sociais e n\u00e3o raras vezes beirou o d\u00edgito estarrecedor de 2 mil por cento anuais. Agora, os economistas de Bras\u00edlia preparam urras para comemorar a infla\u00e7\u00e3o zero em dezembro (apesar do aumento dos combust\u00edveis) e algo em torno de 6 por cento de infla\u00e7\u00e3o anual. O monstro, ao que parece, est\u00e1 sob controle&#8230;<\/p>\n<p>02. Repare, caro leitor, que as comemora\u00e7\u00f5es por tal proeza restringem-se aos arredores da \u00e1rea econ\u00f4mica do Governo FHC. Nos demais segmentos da sociedade, por\u00e9m, o momento \u00e9 de apreens\u00e3o apesar da euforia das festas &#8212; e compras &#8212; deste final de ano. E esse \u00e9 o indicador que fala mais alto junto \u00e0 alma da gente brasileira. A suspeita de que um ano se encerra e, mais uma vez, nossas afli\u00e7\u00f5es cotidianas (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, emprego, habita\u00e7\u00e3o, reforma constitucional, a quest\u00e3o agr\u00e1ria&#8230;) continuam inalteradas e sem solu\u00e7\u00e3o nos remete a um 97 repleto de expectativas e, \u00f3bvio, temores. \u00c9 certo que cumprimos nossa parte. Mas \u00e9 certo tamb\u00e9m que pol\u00edticos e governantes ainda est\u00e3o por merecer nossa plena confian\u00e7a. As palavras, entre os chamados homens p\u00fablicos, nem sempre se afinam com a realidade que se tem nas ruas e em casa.<\/p>\n<p>03. Nada muda para n\u00f3s. A infla\u00e7\u00e3o levava a tudo e a todos a bancarrota. Pois bem. Conseguimos dom\u00e1-la &#8211; e nada mudou. Estamos em defla\u00e7\u00e3o &#8211; e tudo continua na mesma. Curioso frisar que, mesmo entre os economistas da FIPE, h\u00e1 quem aponte esse fen\u00f4meno como um fator negativo para a Economia do Pa\u00eds. Argumentam que, se o consumidor final pode dar vivas pelo pre\u00e7o menor, o mesmo n\u00e3o acontece com o setor produtivo que estaria &quot;queimando&quot; suas fichas para se manter em p\u00e9. Quer dizer: funcionando, dando empregos, movimentando o com\u00e9rcio e o setor de servi\u00e7os, alavancando, assim, sua contribui\u00e7\u00e3o social. Faz sentido, especialmente ao se constatar os \u00edndices de fal\u00eancias e concordatas. Mas, por que ser\u00e1 que s\u00f3 agora nos avisam disso?<\/p>\n<p>04. De qualquer forma, estamos a\u00ed, firmes e fortes, com a velha profiss\u00e3o de f\u00e9 do brasileiro, exercitando a esperan\u00e7a e a cren\u00e7a de que tudo vai melhorar. Temos andado a passos mi\u00fados, com nossa fr\u00e1gil democracia, mas estamos seguindo em frente. Aprendemos com as duras li\u00e7\u00f5es que as decep\u00e7\u00f5es nos trazem. Apuramos nossa consci\u00eancia e senso de cidadania. O sonho persiste. A Na\u00e7\u00e3o de todos os brasileiros h\u00e1 de vingar a partir de nosso trabalho e quando todos puderem influir efetivamente no destino que lhe cabe e que lhe \u00e9 de direito. J\u00e1 temos arraigado em n\u00f3s o sentido de que j\u00e1 \u00e9 hora de sermos protagonista em nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Afinal, algu\u00e9m j\u00e1 ensinou, &quot;o tempo n\u00e3o p\u00e1ra no porto, n\u00e3o apita na curva, n\u00e3o espera ningu\u00e9m&#8230;&quot;.  Feliz Natal, caro leitor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. H\u00e1 uma palavra em moda no Brasil de hoje: defla\u00e7\u00e3o. Explicando no popular, significa dizer que os pre\u00e7os dos produtos ao consumidor est\u00e3o em baixa. 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