{"id":10043,"date":"1997-04-01T00:00:00","date_gmt":"1997-04-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:21:27","modified_gmt":"2017-09-15T18:21:27","slug":"o-exemplo-dos-sem-terra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-exemplo-dos-sem-terra\/","title":{"rendered":"O exemplo dos sem-terra"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Ch\u00e3o, p\u00f3, poeira&#8230;\/ P\u00e9 na estrada&#8230; Manha, \u00f3 que manh\u00e3\/ Vida danada&#8230; &quot;<\/p>\n<p>01. Os versos do saudoso Gonzaguinha v\u00eam \u00e0 mente na manh\u00e3 deste 17 de abril. A constata\u00e7\u00e3o, tal qual a poesia, \u00e9 simples e contundente. O Brasil n\u00e3o ser\u00e1 o mesmo depois de ontem, quando foices e enxadas invadiram Bras\u00edlia, pacificamente, na maior manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica que nossa Hist\u00f3ria registra em prol da reforma agr\u00e1ria. Para ser mais exato, o Pa\u00eds nunca mais foi o mesmo desde o massacre de Corumbiara, no mesmo 17 de abril, s\u00f3 que de 96. Onze dos chamados sem-terra perderam a vida nos confrontos pela posse de um peda\u00e7o de ch\u00e3o. Confrontos, ali\u00e1s, inimagin\u00e1veis aos olhos do mundo, visto que a vastid\u00e3o do territ\u00f3rio nativo est\u00e1 apta a acomodar todas as esperan\u00e7as de quem s\u00f3 pretende plantar, colher, ter um lugar para morar e levar uma vida digna ao lado dos seus.<\/p>\n<p>02. H\u00e1 quem hoje questione a viabiliza\u00e7\u00e3o de um projeto de reforma agr\u00e1ria como prioridade e solu\u00e7\u00e3o para todos os males do Pa\u00eds. S\u00e3o os cultores do imediatismo e das solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas para problemas que acumulamos por anos e anos, em fun\u00e7\u00e3o de administra\u00e7\u00f5es equivocadas e desastrosas. A reforma agr\u00e1ria, vale dizer antecipadamente, \u00e9 apenas um dos caminhos que se deve percorrer &#8211; e \u00e9 inevit\u00e1vel que assim ocorra &#8211; para a constru\u00e7\u00e3o de um Brasil mais justo e humanit\u00e1rio no Terceiro Mil\u00eanio que velozmente se aproxima. Existem, a bem da verdade, outras tantas frentes que precisam, igualmente, se organizar, mobilizar-se e ir a luta, marchar em busca de um ideal maior, fraterno e humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>03. Cenas e epis\u00f3dios recentes s\u00e3o implac\u00e1veis quando retratam o cotidiano de nossa gente. N\u00e3o podemos permanecer im\u00f3veis na contra-m\u00e3o da Hist\u00f3ria. A viol\u00eancia das ruas nas grandes cidades \u00e9 cada vez mais gritante e amea\u00e7adora. S\u00f3 em acidentes de tr\u00e2nsito, quase 500 pessoas perderam a vida nos primeiros tr\u00eas meses do ano em S\u00e3o Paulo. \u00c9 apenas mais uma entre as tantas trag\u00e9dias que os jornais estampam diariamente e que mostram a quantas andam a mis\u00e9ria e o caos social. H\u00e1 inclusive quem extrapole as leis e o bom-senso na defesa dos pr\u00f3prios interesses. Em greve no Porto de Santos, estivadores invadiram navios, interditaram estradas, atearam fogo em barreiras de pneus e, absurdo, prenderam por horas e horas jornalistas que faziam a cobertura da manifesta\u00e7\u00e3o. Cenas deplor\u00e1veis de um autoritarismo inconceb\u00edvel aos dias atuais&#8230;<\/p>\n<p>04. Os sem-terra hoje s\u00e3o exemplo de civismo e f\u00e9 no amanh\u00e3. A Na\u00e7\u00e3o est\u00e1 atenta e ap\u00f3ia sua marcha e seus anseios. Tamb\u00e9m quer ter voz e vez na luta por dias melhores. Sabe das dificuldades que ter\u00e1 de enfrentar (at\u00e9 porque pol\u00edticos e governantes ainda n\u00e3o se mostram \u00e0 altura do papel que desempenham na sociedade), mas \u00e9 otimista na a\u00e7\u00e3o. Tem certeza que os obst\u00e1culos ser\u00e3o vencidos. A participa\u00e7\u00e3o de todos \u00e9 vital para o novo Brasil, que todos almejam, voltado para todos os brasileiros.<\/p>\n<p>05. N\u00e3o nos cabe ser mero espectador nessa jornada, sob pena de estarmos, com nossa omiss\u00e3o, abrindo m\u00e3o n\u00e3o apenas de nossos sonhos e anseios. Mas, sim, dos sonhos e anseios das gera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por vir&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Ch\u00e3o, p\u00f3, poeira&#8230;\/ P\u00e9 na estrada&#8230; Manha, \u00f3 que manh\u00e3\/ Vida danada&#8230; &quot;<\/p>\n<p>01. Os versos do saudoso Gonzaguinha v\u00eam \u00e0 mente na manh\u00e3 deste 17 de abril. 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