{"id":10087,"date":"2001-01-05T00:00:00","date_gmt":"2001-01-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:58:10","modified_gmt":"2017-09-14T21:58:10","slug":"uma-odisseia-em-sampa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/uma-odisseia-em-sampa\/","title":{"rendered":"Uma odiss\u00e9ia em Sampa"},"content":{"rendered":"<p>&quot;A utopia est\u00e1 no horizonte: quando caminho dois passos, ele se afasta dois passos. Eu caminho dez passos e ele est\u00e1 dez passos mais longe. Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.&quot;<\/p>\n<p>01. Mesmo o ouvinte mais atento seguramente n\u00e3o guardou todas as propostas enfileiradas por Marta Suplicy em seu discurso de posse como prefeita da maior cidade do hemisf\u00e9rio sul. Os di\u00e1rios de Sampa o publicaram na \u00edntegra em letras min\u00fasculas que lhes tomaram p\u00e1ginas inteiras e, l\u00e1 pelas tantas, nos cansam os olhos, mas n\u00e3o nos tolhem a esperan\u00e7a de ver a cidade soerguida, limpa, aprumada para o novo mil\u00eanio, como todos n\u00e3o se cansam de dizer nesses primeiros dias de janeiro.<\/p>\n<p>02. Por dever de of\u00edcio, acompanhamos a cerim\u00f4nia de posse da nova prefeita e, depois formos conferir, a cobertura que a Imprensa fez da posse e do primeiro dia de trabalho da prefeita. Sinceramente, n\u00e3o recomendaria ao leitor &#8212; salvo um interesse mais espec\u00edfico &#8212; um mergulho nesse amontoado de letrinhas que S\u00e3o Paulo inspirou, como amplo tem\u00e1rio que \u00e9. No entanto, penso, que toda a perola\u00e7\u00e3o da nova prefeita tem como ess\u00eancia as reflex\u00f5es do autor uruguaio Eduardo Hughes Galeano, em ep\u00edgrafe acima, e que, de certo modo, alinhavaram o pronunciamento oficial, do princ\u00edpio ao fim. Ali\u00e1s, as cita\u00e7\u00f5es de Galeano aparecem no in\u00edcio do texto e tamb\u00e9m ao final, onde Marta o parafraseou no que h\u00e1 de mais po\u00e9tico, e instigante: caminhante, n\u00e3o h\u00e1 caminho. O caminho se faz ao andar.<\/p>\n<p>03. Marta citou, com muita propriedade, outros autores &#8212; o pianista e compositor de jazz Thelonious Sphere Monk, o poeta concretista Augusto de Campos e o arquiteto e urbanista espanhol Jordi Borja Sebasti\u00e0 &#8211;, mas entendo que foi bem oportuna a escolha de Galeano. E explico: mais do que uma s\u00e9rie do que planos, promessas, palavras, o que mais vai importar nesta combalida S\u00e3o Paulo \u00e9 a postura que se tem diante dos problemas a serem enfrentados. Uma atitude para solucion\u00e1-los, e eu diria que at\u00e9 de forma emergencial. Esse gesto de amor \u00e0 cidade precisa ser dado a cada passo e ser\u00e1 essa atitude de despreendimento e mudan\u00e7a que vai fazer S\u00e3o Paulo dar a volta por cima &#8212; como bem concluiu a prefeita.<\/p>\n<p>04. Mas, esse dar a volta n\u00e3o significa que o paulistano tenha paci\u00eancia para esperar pelos almejados dias melhores. Ele os quer, e j\u00e1. Andamos desconfiados com os verdadeiros estelionatos eleitorais que nos foram impigidos, por isso n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder. Caminhar \u00e9 mais do que preciso. Realizar, tamb\u00e9m. E, por maior que seja a jornada, ela n\u00e3o existir\u00e1 se n\u00e3o dermos o primeiro passo. A odiss\u00e9ia de transformar S\u00e3o Paulo num bom lugar para se ver j\u00e1 come\u00e7ou &#8212; e n\u00e3o haver\u00e1 lugar para quem insistir em n\u00e3o sair do lugar e deixar tudo como est\u00e1&#8230; Andemos, pois&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;A utopia est\u00e1 no horizonte: quando caminho dois passos, ele se afasta dois passos. Eu caminho dez passos e ele est\u00e1 dez passos mais longe. Para que serve a utopia? 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