{"id":10091,"date":"2001-06-08T00:00:00","date_gmt":"2001-06-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:50:22","modified_gmt":"2017-09-14T21:50:22","slug":"a-casa-caiu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-casa-caiu\/","title":{"rendered":"A casa caiu"},"content":{"rendered":"<p>&quot;A experi\u00eancia \u00e9 como um carro a trafegar numa rodovia \u00e0s escuras, com os far\u00f3is voltados para tr\u00e1s&quot; (Pedro Nava)<\/p>\n<p>01. Em tempos de apag\u00f5es, racionamentos e sobretaxas, a frase do memorialista mineiro, falecido ainda nos anos 80, merece algumas reflex\u00f5es at\u00e9 para entender melhor o momento incomum que atravessamos, merc\u00ea do descompasso entre o que diz e o que faz (ou o que n\u00e3o faz) o governo&#8230;<\/p>\n<p>02. Digamos que os eleitores, em 98, foram induzidos a reeleger FHC presidente pela estabiliza\u00e7\u00e3o da Economia que teve como metas primeiras, \u00e0quela \u00e9poca, o fim da infla\u00e7\u00e3o e a paridade d\u00f3lar e real. Por mais que algumas vozes dissonantes insistissem em alertar da fal\u00e1cia de tais conquistas, soaram mais alto os clarins oficiais da persuas\u00e3o. Em alto e bom som, com a cumplicidade de poderosos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, anunciaram a inclus\u00e3o do Pa\u00eds entre as pot\u00eancias globalizadas, integrado \u00e0 era moderna, com um p\u00e9 l\u00e1, no almejado primeiro mundo&#8230;<\/p>\n<p>03. Era a pr\u00f3pria imagem do novo Brasil o presidente sempre em viagens internacionais a discursar em semin\u00e1rios, a sorrir visitas protocolares \u00e0s grandes na\u00e7\u00f5es, a se fazer de comensal dos grandes l\u00edderes da pol\u00edtica internacional. V\u00ea-lo na TV a dizer das conquistas feitas (conquistas, \u00e9 bem verdade, que n\u00e3o chegavam ao grosso da popula\u00e7\u00e3o; mas que ele anunciava com toda pompa e circunst\u00e2ncia) e do que ainda estava projetado a fazer passava uma certeza de que t\u00ednhamos o homem certo para o lugar exato. Nada mais justo do que deix\u00e1-lo mais quatro anos no Poder&#8230;<\/p>\n<p>04. Era o que a voz da experi\u00eancia determinava&#8230; Invocou-se at\u00e9 uma velho jarg\u00e3o futebol\u00edstico (Em time que est\u00e1 ganhando, n\u00e3o se mexe.) para sacramentar o tucanato por mais quatro anos. Apesar de que, acho importante essa observa\u00e7\u00e3o, a &quot;belezura&quot; anunciada n\u00e3o chegava at\u00e9 n\u00f3s e, c\u00e1 com nossos bot\u00f5es, amealh\u00e1vamos muitos pontos de discord\u00e2ncias e outro sem n\u00famero de suspeitas&#8230;<\/p>\n<p>05. Mesmo assim quisemos pagar para ver. O governo, por sua vez, repetiu a estrat\u00e9gia. Continuou com discurso nas alturas, jogando pesado para abafar crises e CPIs. A vers\u00e3o oficial dos fatos &#8212; via TV, r\u00e1dio e jornais &#8212; sempre foi mais importante que o fato em si. Os arautos de Bras\u00edlia s\u00e3o eficientes, n\u00e3o deixam pedra-sobre-pedra quando se trata de defender o Governo.<\/p>\n<p>06. S\u00f3 n\u00e3o contavam com a crise de energia &#8212; e a amea\u00e7a de racionamento, apag\u00e3o. A\u00ed a casa caiu e, mesmo \u00e0 meia-luz, revelou-se a fraqueza do governo, que nada planejou sen\u00e3o alian\u00e7as que o ajudaria a perpetuar-se no Poder. Fui pego de surpresa &#8212; defendeu-se o presidente-soci\u00f3logo, como a se isentar de culpa. Mas, n\u00e3o convenceu. Tentou mostrar autoridade, clamou pela colabora\u00e7\u00e3o do povo, mas seus homens-de-confian\u00e7a fizeram o que sabem fazer: um grande confus\u00e3o. Baixaram medidas provis\u00f3rias e criaram uma sobretaxa para abocanhar outra parte do nosso suado e mirrado sal\u00e1rio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;A experi\u00eancia \u00e9 como um carro a trafegar numa rodovia \u00e0s escuras, com os far\u00f3is voltados para tr\u00e1s&quot; (Pedro Nava)<\/p>\n<p>01. 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