{"id":10095,"date":"1999-01-29T00:00:00","date_gmt":"1999-01-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:08:08","modified_gmt":"2017-09-15T03:08:08","slug":"a-distancia-entre-o-que-se-diz-e-o-que-nao-se-faz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-distancia-entre-o-que-se-diz-e-o-que-nao-se-faz\/","title":{"rendered":"A dist\u00e2ncia entre o que se diz e o que (n\u00e3o) se faz&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>01. A declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser melhor (uma p\u00e9rola!) para representar o rumo de nossa pol\u00edtica econ\u00f4mica. Transcrevo a seguir exatamente como a li nos jornais dessa semana, desde j\u00e1 citando o proeminente autor, ningu\u00e9m menos do que o presidente do Banco Central, Francisco L\u00f3pes: &quot;N\u00f3s achamos que estava funcionando (a paridade cambial entre o d\u00f3lar e o real, que apesar do nome era ilus\u00f3rio). Mas, o resto do mundo n\u00e3o achava. Infelizmente n\u00e3o conseguimos mudar a opini\u00e3o do mundo todo&quot;.<\/p>\n<p>02. Senti a terra tremer sob os meus p\u00e9s, tamanha lucidez inconclusiva. Quer dizer: s\u00e3o homens assim, &quot;conseq\u00fcentes&quot;, que conduzem o destino daquele que um dia se arvorou a ser o tal Pa\u00eds do futuro. Ali\u00e1s, n\u00e0o \u00e9 de hoje que h\u00e1 uma imensur\u00e1vel dist\u00e2ncia entre os pronunciamentos empolados de FHC, Malan &amp; Cia e crudel\u00edssima realidade em que hoje vivem milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>03. As mentiras do Pal\u00e1cio do Planalto (al\u00e9m de outros truques igualmente nefastos) s\u00f3 garantiram a reelei\u00e7\u00e3o de FHC e da alian\u00e7a PSDB\/PFL, a um pre\u00e7o desproposital para a Na\u00e7\u00e3o. Claro que teve o total apoio de uma parcela da m\u00eddia deslumbrada que se acerca do Poder e com a iniquidade de uma Oposi\u00e7\u00e3o, absolutamente desestruturada e igualmente personalista.<\/p>\n<p>04. A realidade nua e crua que est\u00e1 diante dos nossos olhos: \u00e9 a crescente massa de desempregados, o sucateamento do parque industrial, o caos na Sa\u00fade P\u00fablica e na Educa\u00e7\u00e3o, o d\u00e9ficit habitacional, o exasperamento da mis\u00e9ria e da viol\u00eancia urbana, o recorde em fal\u00eancias e concordatas, o favorecimento aos agiotas e especuladores. Eis as conquistas de quatro &quot;not\u00e1veis&quot; anos de (des)governo.<\/p>\n<p>05. O tal reconhecimento internacional (do qual, o presidente e asseclas tanto se gabam) tamb\u00e9m n\u00e3o passa de lorota para preencher espa\u00e7o dos notici\u00e1rios de TV. Onde est\u00e1 o respeito pelo Brasil? Repare, as idas repentinas dos nossos ministros sempre que convocados pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional n\u00e3o passam de tarefa de estafetas glamourizados. V\u00e3o l\u00e1 atr\u00e1s de dinheiro &#8212; e conseguem! &#8212; para pagar os escorchantes juros das D\u00edvida Externa e voltam para c\u00e1 de m\u00e3o abanando&#8230;<\/p>\n<p>06. Ou seja, do FMI n\u00e3o sai um s\u00f3 tost\u00e3o que melhore infimamente a vida do mais miser\u00e1vel dos brasileiros. Esse dinheiro t\u00e3o anunciado e festejado n\u00e3o constr\u00f3i uma sala de aula, n\u00e3o acrescenta um eleito aos hospitais, n\u00e3o produz um s\u00f3 tijolo para Habita\u00e7\u00e3o&#8230; Tudo o que faz \u00e9 a\u00e7odar a voracidade da ciranda financeira que tem uma t\u00e9trica conseq\u00fc\u00eancia: cutucar com vara curta um monstro adormecido chamado Infla\u00e7\u00e3o que, diga-se, tem o sono mais leve do que rapariga em v\u00e9spera de casamento.<\/p>\n<p>07. O que mais me intriga \u00e9 que FHC j\u00e1 esteve do l\u00e1 de c\u00e1 do balc\u00e3o, defendendo as ditas causas sociais. Portanto, concluo, nunca poder\u00e1 alegar ignor\u00e2ncia de que \u00e9 o respons\u00e1vel por tudo que a\u00ed est\u00e1&#8230; Mas, ser\u00e1 que o pr\u00edncipe dos soci\u00f3logos teria essa humildade&#8230; Pelos antecedentes, duvido, t\u00e1&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. A declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser melhor (uma p\u00e9rola!) para representar o rumo de nossa pol\u00edtica econ\u00f4mica. 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