{"id":10162,"date":"1999-04-01T00:00:00","date_gmt":"1999-04-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:05:14","modified_gmt":"2017-09-15T03:05:14","slug":"feliz-pascoa-para-todo-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/feliz-pascoa-para-todo-o-planeta\/","title":{"rendered":"Feliz P\u00e1scoa para todo o Planeta"},"content":{"rendered":"<p>&quot;A vida s\u00f3 pode ser compreendida se olharmos para tr\u00e1s. No entanto, s\u00f3 poder\u00e1 ser vivida se olharmos para frente&quot; (Kierkegaard)<\/p>\n<p>01. Dois telefonemas de leitoras amigas comentaram o Caro Leitor da semana passada e deram o mote para o convers\u00ea de hoje. Na coluna anterior, que intitulei meio que emblematicamente de &quot;O que deveria ser, e n\u00e3o \u00e9&quot;, procurei tra\u00e7ar um painel de nossa perplexidade diante de um novo estado de guerra e calamidade que amea\u00e7ava (e amea\u00e7a) dilacerar as entranhas da Europa, continente considerado como o ber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o e que, para espanto geral, \u00e0s v\u00e9speras do Terceiro Mil\u00eanio, ainda se defronta com uma situa\u00e7\u00e3o absurda que envergonha a toda Humanidade.<\/p>\n<p>02. A leitora mais jovem, usando o dialeto pr\u00f3prio da sua idade, estranhou a &quot;viagem&quot; do colunista, j\u00e1 a partir do t\u00edtulo. &quot; Legal, cara, gostei, mas pirei um pouco no baixo-astral. Quer dizer que n\u00e3o tem jeito&#8230; E a\u00ed?&quot; Bem, e a\u00ed e a\u00ed, disse eu, tentando traduzir o que acabara de ouvir. Felizmente, do outro lado da linha, a voz de algu\u00e9m por volta dos vinte e poucos anos continuou a falar. Reconheceu que a chuva de not\u00edcias ruins que caem diariamente sobre nossas cabe\u00e7as nos deixa &quot;absurdamente impotentes&quot; diante do que est\u00e1 por vir. E a\u00ed concordou com o texto quando diz que, neste contexto de turbul\u00eancia, acabamos por abandonar &quot; os sonhos e a vontade de ser feliz &quot;. Ficamos \u00f3rf\u00e3o de n\u00f3s mesmo. Fez at\u00e9 uma ressalva bem apropriada que transcrevo com aspas, mas com termos j\u00e1 traduzidos para todas as idades: &quot;Estamos sempre adiando nosso projeto de vida para um futuro que nem sabemos ao certo se vir\u00e1 e quando vir\u00e1&#8230; E assim vamos vivendo mecanicamente at\u00e9 uma dessas tantas guerras que enfrentamos diariamente nos pegue e ponha tudo a perder&quot;.<\/p>\n<p>03. Interessante observar. A palavra guerra volta aos notici\u00e1rios com os deplor\u00e1veis, sob todos os aspectos, bombardeios a Kosovo. Mas, a jovem soube como contextualiz\u00e1-lo em nossa dura realidade, inquestionavelmente permeada de muitos conflitos &#8212; valem os de ordem pessoais e os sociais. Perceba. Como melhor definir os altos \u00edndices de viol\u00eancia, o desemprego crescente, a recess\u00e3o, a amea\u00e7a da infla\u00e7\u00e3o e os tantos quantos interesses que deflagram as discrep\u00e2ncias entre o Poder P\u00fablico e a quest\u00e3o da \u00c9tica e da Sociedade (Sen\u00e3o vejamos em S\u00e3o Paulo a devassa nas regionais, na C\u00e2mara Municipal, na pr\u00f3pria Prefeitura ou em Bras\u00edlia as dissenss\u00f5es entre o Legislativo e o Judici\u00e1rio, a partir da instala\u00e7\u00e3o de uma CPI, onde o primeiro promete investigar o segundo. A\u00ed vem chumbo, pode crer, caro leitor. E pode correr para o abrigo anti-bombas, porque sempre acaba sobrando para n\u00f3s&#8230;)<\/p>\n<p>04. A segunda leitora (de mais idade, perdoe-ne a indelicadeza) preferiu destacar o tom c\u00e9tico do texto da semana passada. Mesmo sabendo que esses alertas s\u00e3o necess\u00e1rios, estranhou o tom entristecido da conversa e, principalmente, que n\u00e3o houve qualquer aceno para uma solu\u00e7\u00e3o, para um final feliz, &quot;o que, ali\u00e1s, sempre acontece nas linhas finais da coluna&quot;. Em tom maternal, perguntou: &quot;T\u00e1 tudo bem, com voc\u00ea, filho, t\u00e1?&quot;<\/p>\n<p>05. N\u00e3o lembro o que respondi na hora. Mas, agora, pensando melhor, entendo que, diante dessa mesma indaga\u00e7\u00e3o, a maior parte das pessoas faria como fiz. Responderia que sim, sem pensar. Por h\u00e1bito ou pudor em parecer chato ao relacionar os inumer\u00e1veis males que assolam corpo e alma. E assim vamos levando desde priscos tempos. Disfar\u00e7amos nossos medos e frustra\u00e7\u00f5es com a certeza de que amanh\u00e3 \u00e9 um novo dia (a mesmice permane\u00e7a imut\u00e1vel). Driblamos as press\u00f5es e fingimos que tudo est\u00e1 em seu lugar, mesmo quando nossos sonhos e conquistas acabem sob a poeira do tempo abandonado num canto qualquer do por\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>06. C\u00e1 estou eu a escorregar no assunto. Mas, o que quero dizer claramente \u00e9 o seguinte, dois pontos, aspas para mim: as mudan\u00e7as come\u00e7am em n\u00f3s &#8211; e por nossa coragem e determina\u00e7\u00e3o de melhorar e de melhorar o mundo \u00e0 nossa volta.Se o indiv\u00edduo n\u00e3o mudar, n\u00e3o h\u00e1 como construir o tal novo mundo. Se voc\u00ea n\u00e3o for justo com voc\u00ea, n\u00e3o h\u00e1 como pleitear a almejada justi\u00e7a social. Se voc\u00ea se acomodar na crise, \u00e9 absolutamente imposs\u00edvel super\u00e1-la. E a\u00ed os oportunistas e autorit\u00e1rios de plant\u00e3o n\u00e3o perdem a oportunidade de implantar o quanto pior melhor. E a n\u00f3s caber\u00e1 apenas chorar o leite derramado&#8230;Ali\u00e1s, j\u00e1 perceberam como algumas pessoas t\u00eam voca\u00e7\u00e3o para ser infeliz e fazer com que tudo ao redor se entriste\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>07. Para a leitora que cobrou um final feliz para a cr\u00f4nica, acrescento que estamos a\u00ed na luta. A vida nos oferece brechas que cada um de n\u00f3s deve perceber e aproveitar em nome do pr\u00f3prio sonho, de sua lenda pessoal. Somos n\u00f3s os protagonistas da nossa Hist\u00f3ria. S\u00f3 assim vamos espalhar a tal felicidade pelos quatro cantos do mundo. Ningu\u00e9m vive por n\u00f3s. \u00c0 luta, pois, simp\u00e1ticas leitoras que me ligaram e Feliz P\u00e1scoa (que significa renascer) a todos os meus caros leitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;A vida s\u00f3 pode ser compreendida se olharmos para tr\u00e1s. No entanto, s\u00f3 poder\u00e1 ser vivida se olharmos para frente&quot; (Kierkegaard)<\/p>\n<p>01. Dois telefonemas de leitoras amigas comentaram o Caro Leitor da semana passada e deram o mote para o convers\u00ea de hoje.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10162","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10162","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10162"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10162\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14250,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10162\/revisions\/14250"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10162"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10162"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10162"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}