{"id":10172,"date":"1999-10-22T00:00:00","date_gmt":"1999-10-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T02:53:51","modified_gmt":"2017-09-15T02:53:51","slug":"licoes-inesqueciveis-do-velho-mestre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/licoes-inesqueciveis-do-velho-mestre\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis do velho Mestre&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Nada h\u00e1 mais suave que um jovem sonho de amor&quot; (Tomas Moore)<\/p>\n<p>01. \u00c0s 15 horas deste domingo, jovens de todas as partes da cidade re\u00fanem-se na Pra\u00e7a da S\u00e9 para celebrar o Dia Nacional da Juventude. Haver\u00e1 uma cerim\u00f4nia campal com o arcebispo Dom Cl\u00e1udio Hummes e todos os bispos das regi\u00f5es episcopais &#8212; inclusive, o do Ipiranga Dom Ant\u00f4nio Celso de Queiroz. Em seguida ser\u00e1 realizada uma passeata de protesto, antecipadamente denominada<br \/>\nD\u00edvidas Sociais, que ter\u00e1 como lema a vida em plenitude, trabalho para a juventude. O manifesto vai terminar na avenida Paulista, com grande congra\u00e7amento e, obviamente, a m\u00fasica sacudida de um trio-el\u00e9trico&#8230; Ali\u00e1s, \u00e9 muito bom que assim seja. Essa garotada precisa mesmo se manter consciente, mas n\u00e3o deve nunca perder a f\u00e9 e a leveza de alma&#8230;<\/p>\n<p>02. Aqui pela Reda\u00e7\u00e3o de GI, nos anos 80, era ponto de refer\u00eancia para n\u00f3s, os ent\u00e3o mais jovens, um certo colunista que assinava a coluna da p\u00e1gina 2, com o codinome de Z\u00e9 Armando. Veterano de outras paragens mais famosas, como emissoras de TV e memor\u00e1veis campanhas publicit\u00e1rias, sabia contar hist\u00f3rias que literalmente faziam nossas cabe\u00e7as. Beiravam ao fant\u00e1stico e, n\u00e3o raras vezes, coment\u00e1vamos \u00e0s escondidas que o Mestre estava exagerando. N\u00e3o era poss\u00edvel, nem dava para acreditar. Tudo mentira &#8212; algu\u00e9m sempre fazia quest\u00e3o de contestar. Mas que ele tinha imagina\u00e7\u00e3o, ah!, isso ningu\u00e9m discutia&#8230; Ali\u00e1s, todos adoravam essas verdadeiras f\u00e1bulas dos anos 60 e incondicionalmente nos post\u00e1vamos receptivos aos novos ensinamentos. Havia um imensur\u00e1vel carinho entre o grupo e foi \u00f3timo que assim tenha sido. Mais tarde, sua aus\u00eancia provou a veracidade dos causos contados e mais: ele sempre tinha raz\u00e3o.<\/p>\n<p>03. Uma coisa que sempre me fascinou era a forma como o Mestre (que nesta semana completaria 65 anos) sabia lidar com a gente, moleques crescidos e prontos a question\u00e1-lo a todo momento. Seu irresist\u00edvel &#8212; e quase sempre implac\u00e1vel &#8212; senso de humor talvez fosse o segredo.<\/p>\n<p>04. Vejo hoje, tempos depois, o quanto \u00e9 essencial a virtude de conviver harmoniosamente com o pessoal mais novo. At\u00e9 porque, cofiando minha rala barba grisalha, entendo melhor uma de suas frases preferidas: o mundo \u00e9 dessa mo\u00e7ada, que ri de qualquer bobagem, dan\u00e7a qualquer m\u00fasica, viaja sem marcar o bilhete da volta, vira noite na bagun\u00e7a e, horas depois, est\u00e1 pronta para outras baladas. N\u00e3o se queixa de dor alguma e enfrenta qualquer desafio com a certeza de que vai construir um futuro melhor.<\/p>\n<p>05. Particularmente gostaria de ter o dom do inesquec\u00edvel amigo. Dizem que o peso dos anos e dos fracassos nos deixam assim; mais pra l\u00e1 do que pra c\u00e1. Abrimos m\u00e3os da esperan\u00e7a, de nossa f\u00e9 no amanh\u00e3&#8230; Mas, continuamos a caminhar, robotizados, desdenhando a pr\u00f3pria sorte e as conquistas que nos trouxeram at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>06. Estar vivo j\u00e1 \u00e9 um milagre&#8230; Estar vivo, com sa\u00fade e alguns trocados no bolso \u00e9 bom demais. Valho-me de outra cita\u00e7\u00e3o do Mestre para levantar o astral da conversa e exemplificar aos jovens de todas as idades que desespero n\u00e3o \u00e9 resposta para nada nesta vida de meu Deus. Sei de algu\u00e9m que me confessou ter aberto m\u00e3o de todos os sonhos e nem chegou aos 30. Fala como se nada levasse a nada. Pensa em abandonar tudo e largar-se ao sabor das conven\u00e7\u00f5es. Liguei o piloto autom\u00e1tico, agora que se dane&#8230; &#8212; lamentou.<\/p>\n<p>07. N\u00e3o tiro um centavo de suas raz\u00f5es. S\u00f3 que seria mais verdadeiro que identificasse e fosse mesmo atr\u00e1s de seus sonhos (palavra bonita, n\u00e3o?). Ademais, pode errar e experimentar \u00e0 vontade. O tempo, compositor de destinos, conspira a seu favor. Principalmente se estampar o sorriso luminoso que a faz pr\u00f3xima, bem pr\u00f3xima, dos bel\u00edssimos ideais. Abra os belos olhos garota. Tristeza, acredite, n\u00e3o combina com mocidade. Mesmo sem a sapi\u00eancia do saudoso Mestre, repito seus ensinamentos e, olhe, o que ele falou \u00e9 a mais pura e cristalina verdade: o mundo \u00e9 dessa mo\u00e7ada, que ri de qualquer bobagem, dan\u00e7a todas as m\u00fasicas&#8230; e enfrenta qualquer desafio, com a certeza de que vai construir um mundo melhor. O resto \u00e9 farelo. Melhor deixar que o vento os carregue&#8230;<\/p>\n[Texto publicado no livro \u201cVolteios &#8211;  Cr\u00f4nicas, lembran\u00e7as e devaneios\u201d]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Nada h\u00e1 mais suave que um jovem sonho de amor&quot; (Tomas Moore)<\/p>\n<p>01. \u00c0s 15 horas deste domingo, jovens de todas as partes da cidade re\u00fanem-se na Pra\u00e7a da S\u00e9 para celebrar o Dia Nacional da Juventude.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10172","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10172"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14224,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10172\/revisions\/14224"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}