{"id":10185,"date":"2001-08-17T00:00:00","date_gmt":"2001-08-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:44:16","modified_gmt":"2017-09-14T21:44:16","slug":"o-castelo-dos-sammaronne-e-o-ypiranga-de-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-castelo-dos-sammaronne-e-o-ypiranga-de-todos-nos\/","title":{"rendered":"O Castelo dos Sammaronne e o Ypiranga de todos n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>&quot;O problema do nosso tempo \u00e9 que o futuro n\u00e3o \u00e9 aquilo que costumava ser&quot; (Paul Val\u00e9ry)<\/p>\n<p>01. Num tempo que o pr\u00f3prio tempo gostaria de esquecer, mas que a gente teima em lembrar, o Ipiranga tinha l\u00e1 seus ares de nobreza. Quem duvidar que confira a foto &#8212; e os mais velhos, claro, ir\u00e3o se lembrar: o castelo dos Sammaronne que localizava-se onde hoje se situa o bairro do Moinho Velho, nas proximidades da pra\u00e7a Monte Azul, do lado direito, bem no in\u00edcio da via Anchieta. O registro fotogr\u00e1fico \u00e9 da d\u00e9cada de 50 (n\u00e3o foi poss\u00edvel precisar o ano), quando a urbaniza\u00e7\u00e3o daquela regi\u00e3o se intensificou, e inclusive o tr\u00e2nsito intenso come\u00e7ou a mudar a cara daquelas paragens. J\u00e1 n\u00e3o havia a lagoa do Sacom\u00e3, nem a primeira sede do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga. S\u00f3 as enchentes persistiram, ainda por um longo per\u00edodo, a afligir os pobres plebeus que moravam no entorno do castelo&#8230;<\/p>\n<p>02. \u00c0quela \u00e9poca, as enchentes causavam grande temor e eram respons\u00e1veis pelas maiores dores de cabe\u00e7a dos moradores e comerciantes locais. Pelas hist\u00f3rias que se ouve de antigos ipiranguistas, eram as maiores e tamb\u00e9m as \u00fanicas. O Ipiranga era tido e havido como uma regi\u00e3o tranq\u00fcila, boa para se morar, n\u00e3o muito distante do centro velho da cidade (onde tudo acontecia), com ind\u00fastrias e com\u00e9rcio promissores, muitos campos de futebol e um clube que disputava a divis\u00e3o principal do campeonato paulista, com determina\u00e7\u00e3o, coragem e honra.<\/p>\n<p>03. O Clube Atl\u00e9tico Ypiranga era considerado um celeiro de craques. Sempre revelou grandes talentos para o futebol brasileiro. Dois deles &#8212; Arthur Friendereich e o goleiro Barbosa &#8212; s\u00e3o refer\u00eancias obrigat\u00f3rias em toda e qualquer obra que fale da hist\u00f3ria do esporte no Pa\u00eds. Causava sensa\u00e7\u00e3o. Era uma esp\u00e9cie de S\u00e3o Caetano na Copa Jo\u00e3o Havelange. Perdoem-me o sulcaetanenses, mas com muito mais charme e futebol sempre vistoso.<\/p>\n<p>04. Era marcante a coragem com que enfrentava o chamado trio-de-ferro (Palmeiras, Corinthians e S\u00e3o Paulo) de igual para igual. Seja por isso, seja pelo fasc\u00ednio das camisas de listas largas alvi-negras (que dizem chegou a inspirar outros uniformes em equipes do Brasil), o Ypiranga, assim mesmo grafado com y, era considerado a segunda equipe de todos os paulistanos. Para muitos ipiranguistas, a primeira e \u00fanica paix\u00e3o esportiva.<\/p>\n<p>05. N\u00e3o sei se exagero. Mas, creio que posso colocar entre esses privilegiados torcedores o atual presidente do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga, Roberto Nappi, e o sempre diretor M\u00e1rio Calza, que tem a hist\u00f3ria do clube de cor e salteado e at\u00e9 pouco tempo foi vizinho de parede do CAY. Ou seja, era um ypiranguista de tempo integral.<\/p>\n<p>06. Nappi e Calza estar\u00e3o presentes amanh\u00e3 na festa de encerramento das festividades de 95\u00ba anivers\u00e1rio do Ypiranga, recepcionando outras tantas personalidades que, de um modo ou de outro, tamb\u00e9m contribuiram para escrever a hist\u00f3ria do clube e deste bairro-cidade. Que pode l\u00e1 ter perdido suas filigranas de nobreza (especialmente porque toda a metr\u00f3ple se aviltou e recrudesceu seu ritmo de vida), mas que soube preservar uma de suas mais caras tradi\u00e7\u00f5es, o Clube Atl\u00e9tico Ypiranga. Fez melhor: transformou numa das mais completas institui\u00e7\u00f5es esportiva, recreativa e social do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>07. Parab\u00e9ns, ypiranguistas! E como diria o Laerte Toporcov, outro ypiranguista quatrocent\u00e3o, vamos come\u00e7ar a contagem regressiva para a grande festa do centen\u00e1rio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O problema do nosso tempo \u00e9 que o futuro n\u00e3o \u00e9 aquilo que costumava ser&quot; (Paul Val\u00e9ry)<\/p>\n<p>01. 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