{"id":10198,"date":"2001-04-12T00:00:00","date_gmt":"2001-04-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:53:17","modified_gmt":"2017-09-14T21:53:17","slug":"o-mestre-dos-comentaristas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-mestre-dos-comentaristas\/","title":{"rendered":"O mestre dos comentaristas"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Torcida amiga, bom dia!!!&quot;<\/p>\n<p>01. Era com a frase acima que o jornalista Ary Silva come\u00e7ava a coluna de esportes que diariamente abria as p\u00e1ginas de esportes do Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, famoso vespertino de Assis Chateaubriand. Era um tempo em que as pessoas almo\u00e7avam em casa e, todos os dias, esperava meu pai chegar para a b\u00f3ia com o jornal dobrado embaixo do bra\u00e7o. Queria saber o que o mestre dos comentaristas tinha a dizer sobre o fascinante mundo do futebol. E mais: sempre que podia, acompanhava sua opini\u00e3o abalizada pelas transmiss\u00f5es esportivas da TV Tupi, tamb\u00e9m de Chat\u00f4, onde dividia microfones como cobras do jornalismo da \u00e9poca &#8212; Geraldo Bretas, Maur\u00edcio Loureiro Gama, Carlos Spera e o inconfund\u00edvel rep\u00f3rter Tico-Tico que, por sinal, era aqui do Ipiranga&#8230;<\/p>\n<p>02. Aos olhos do garoto embevecido pelas coisas da bola, o nome de Ary Silva tinha peso de verdade. Essas verdades que de t\u00e3o absolutas, mesmo no imprevis\u00edvel planeta do futebol, s\u00e3o definitivas, dogm\u00e1ticas.<\/p>\n<p>03. Ali\u00e1s, o pai, em conversas com os amigos, sempre referendava os prop\u00f3sitos de Ary Silva com argumento irrefut\u00e1vel: o homem havia participado da comiss\u00e3o de especialistas que o doutor Paulo Machado de Carvalho convocou para tra\u00e7ar o planejamento da sele\u00e7\u00e3o brasileira que participou e venceu o Mundial de 58 na Su\u00e9cia. Era um exemplo de sensatez, \u00e9tica e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>04. J\u00e1 homem feito, jornalista de Gazeta do Ipiranga, conhe\u00e7o um outro Ary Silva: l\u00edder comunit\u00e1rio atuante, depois de um breve per\u00edodo como vereador por S\u00e3o Paulo, mas principalmente diretor-presidente de A Gazeta da Zona Norte, jornal de sua propriedade, que chamava paternalmente de A Menina, e que brigava pelos interesses de Santana (onde sempre morou) e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>05. Assim como fizera em seus tempos de comentarista ao fundar e ser o primeiro presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Cronistas Esportivos do Estado de S\u00e3o Paulo, o g\u00eanio empreendedor de Ary tamb\u00e9m criou a Associa\u00e7\u00e3o dos Jornais de Bairro (AJORB) ao lado de outros pioneiros como Durval Quintiliano (\u00e0 \u00e9poca a frente da Gazeta de Pinheiros), Armando da Silva Prado (Gazeta de Santo Amaro) e Araci Bueno (Gazeta do Ipiranga). Foram os precurssores dessa realidade vitoriosa que hoje \u00e9 a imprensa regional na Capital.<\/p>\n<p>06. Mesmo atuando em campo diferente, ao longo desses anos, Ary continuou a ser exemplo de sensatez, \u00e9tica e justi\u00e7a. O jornalista morreu na sexta, dia 6, aos 84 anos. E o Pa\u00eds perde um referencial de virtude e honestidade. As boas li\u00e7\u00f5es de Ary v\u00e3o nos fazer muita falta&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Torcida amiga, bom dia!!!&quot;<\/p>\n<p>01. 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