{"id":10283,"date":"1987-11-01T00:00:00","date_gmt":"1987-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T19:20:02","modified_gmt":"2017-09-13T19:20:02","slug":"chovendo-na-horta-o-rock-do-paralamas-que-sacudiu-ate-os-europeus","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/chovendo-na-horta-o-rock-do-paralamas-que-sacudiu-ate-os-europeus\/","title":{"rendered":"Chovendo na horta &#8211; O rock do Paralamas, que sacudiu at\u00e9 os europeus."},"content":{"rendered":"<p>Dos tempos dif\u00edceis, quando faziam o circuito alternativo do rock em Sampa (&#8220;Cansamos de tocar no Vit\u00f3ria, Rose Bombom, Radar Tantan&#8221;), ou buscavam desesperadamente uma condu\u00e7\u00e3o na Rua Augusta em plena madrugada, com a aparelhagem a tiracolo, restaram apenas as boas lembran\u00e7as. Hoje, confortavelmente instalados num hotel cinco estrelas, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e Jo\u00e3o Barone falam de um feito inusitado, \u00fanico entre as bandas de rock nativas. Em julho, apresentaram-se no Festival Internacional de Montreux (Su\u00ed\u00e7a), e literalmente sacudiram uma plat\u00e9ia de 3.500 pessoas vindas de toda parte da Europa. Dessa experi\u00eancia marcante, surgiu D, o t\u00e3o almejado disco ao vivo de Os Paralamas do Sucesso &#8211; na verdade, o quarto LP de uma carreira &#8220;repleta de momentos m\u00e1gicos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo tem acontecido no tempo certo, com a sorte ao nosso lado&#8221;, regozija-se o band-leader Herbert Vianna. &#8220;Mas, convenhamos, temos feito por merecer. Estamos atentos, preparados mesmo para n\u00e3o desperdi\u00e7ar as oportunidades. Desde o primeiro disco (Cinema Mudo\/1983, que consagrou o hit Vital e Sua Moto) tem sido assim. O Rock in Rio, por exemplo, projetou nosso nome at\u00e9 em n\u00edveis internacionais, enquanto para outras bandas n\u00e3o houve qualquer proveito. Ao contr\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>A id\u00e9ia do disco ao vivo vinha sendo cultivada h\u00e1 algum tempo. Os Paralamas s\u00e3o super-respeitados pelas performances em shows e, especialmente, depois da \u00f3tima repercuss\u00e3o dos LPs anteriores &#8211; O Passo do Lui e Selvagem -, o projeto come\u00e7ou a tomar corpo. E consolidou-se mesmo com o convite para participar da Noite Brasileira de Montreux, juntamente com os estelares C\u00e9sar Camargo Mariano, Jo\u00e3o Bosco e Beth Carvalho.<\/p>\n<p>&#8220;Foi como atirar uma moeda para cima&#8221;, lembra Bi Ribeiro. &#8220;Era tudo ou nada. T\u00ednhamos uma hora para fazer o show sem erros, com toda aquela parafern\u00e1lia t\u00e9cnica. Era a nossa chance de ter um disco ao vivo de \u00f3tima qualidade. Ou ent\u00e3o volt\u00e1vamos ao Brasil para refazer nossos projetos deste e do pr\u00f3ximo ano.&#8221;<\/p>\n<p>REGRAVA\u00c7\u00d5ES &#8211; Mais uma vez, Os Paralamas souberam agarrar a sorte com unhas e dentes. Ao longo das nove faixas, esbanjam compet\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o. D traz como novidade apenas uma m\u00fasica in\u00e9dita, Ser\u00e1 que Vai Chover (Herbert Vianna), j\u00e1 bastante executada pelas r\u00e1dios, al\u00e9m de uma ousada releitura para Charles, Anjo 45, um cl\u00e1ssico de Jorge Ben, que nos idos de 60 recebeu uma vers\u00e3o definitiva na voz de Caetano Veloso.<\/p>\n<p>&#8220;Faz parte de um projeto nosso regravar can\u00e7\u00f5es de que a gente gosta, de pessoas que a gente curte, admira&#8221;, comenta Herbert. &#8220;No disco anterior, escolhemos Voc\u00ea do Tim Maia, e demos uma levada bem nossa no arranjo. Agora, gravamos o Charles, Anjo 45 porque continua muito atual, tem tudo a ver com o que t\u00e1 rolando por a\u00ed. E at\u00e9 com o nosso momento tamb\u00e9m. Na verdade, a gente tem um projet\u00e3o de fazer um LP s\u00f3 com m\u00fasicas de outros autores. Mas, \u00e9 algo bem mais pro futuro.&#8221;<\/p>\n<p>Por enquanto, as expectativas e a proposta de trabalho est\u00e3o concentradas no disco ao vivo. Nele, repassam com maior intensidade a trilha que desbravaram em Selvagem e que funde o pop-rock com a cad\u00eancia r\u00edtmica da ponte sonora que une \u00c1frica\/Brasil e Jamaica. Ali\u00e1s, essa brasilidade, que definem como universal, \u00e9 hoje marca registrada do grupo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o que convencionamos de retro-tropic\u00e1lia &#8211; aquele fuzu\u00ea de guitarras el\u00e9tricas e instrumentos de percuss\u00e3o que \u00e0s tropicalistas saudaram h\u00e1 20 anos&#8221;, justifica Herbert. Aos poucos, com as andan\u00e7as dos Paralamas em shows por todo o Pa\u00eds, os tr\u00eas perceberam que de nada lhes valia &#8220;o ran\u00e7o colonialista&#8221; que possu\u00edam. Foram abrindo os olhos para os contrastes de um Brasil que at\u00e9 ent\u00e3o desconheciam. E passaram a reconhecer a import\u00e2ncia do trabalho de Jo\u00e3o Bosco, Jorge Ben, Gilberto Gil, a saborear o suingue africano\/jamaicano (&#8220;Que, afinal, \u00e9 brasileiro tamb\u00e9m&#8221;), a cultuar a pr\u00f3pria latinidade.<\/p>\n<p>MUITOS PALCOS &#8211; Somente neste ano Os Paralamas se apresentaram em nove pa\u00edses &#8211; Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Fran\u00e7a, Espanha, Portugal, Estados Unidos e Su\u00ed\u00e7a. &#8220;Tocar no exterior \u00e9 algo um tanto m\u00e1gico. \u00c9 assim como come\u00e7ar de novo. N\u00e3o h\u00e1 o apoio da m\u00fasica que toca nas r\u00e1dios, nem se \u00e9 conhecido. Ent\u00e3o, o que vai segurar \u00e9 a nossa performance ao vivo.<\/p>\n<p>Vale o desafio&#8221;, pondera Bi Ribeiro, salientando a &#8220;fome de palco&#8221; que est\u00e1 levando o grupo a se apresentar por todo o Brasil. Tanto nos shows como no disco, h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o do tecladista Jo\u00e3o Fera, uma esp\u00e9cie de quarto paralama, desde Selvagem. H\u00e1 tamb\u00e9m, s\u00f3 no disco, a canja especial\u00edssima do saxofonista George Israel, do Kid Abelha, na faixa Ska.<\/p>\n<p>&#8220;Os Paralamas &#8211; especialmente Herbert &#8211; aprenderam a n\u00e3o fazer qualquer estimativa. Quando Selvagem foi lan\u00e7ado, Herbert apostou com o pessoal de marketing da Emi\/Odeon que a vendagem n\u00e3o ultrapassaria 500.000 c\u00f3pias. Semana passada, \u00e0s v\u00e9speras do lan\u00e7amento oficial de D, teve que pagar a aposta: percorreu nu o estacionamento da gravadora, providencialmente deserto \u00e0quela hora. Selvagem est\u00e1 na faixa dos 600.000 discos vendidos. E o guitarrista n\u00e3o quis correr riscos &#8220;de trazer maus flu\u00eddos&#8221; ao novo lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>* Revista Afinal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos tempos dif\u00edceis, quando faziam o circuito alternativo do rock em Sampa (&#8220;Cansamos de tocar no Vit\u00f3ria, Rose Bombom, Radar Tantan&#8221;), ou buscavam desesperadamente uma condu\u00e7\u00e3o na Rua Augusta em plena madrugada,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-10283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-leia-esta-cancao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10283"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13842,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10283\/revisions\/13842"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}