{"id":10334,"date":"2001-06-15T00:00:00","date_gmt":"2001-06-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:50:05","modified_gmt":"2017-09-14T21:50:05","slug":"sem-rumo-e-sem-prumo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sem-rumo-e-sem-prumo\/","title":{"rendered":"Sem rumo e sem prumo"},"content":{"rendered":"<p>&quot;As id\u00e9ias n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pelo uso que os homens fazem delas&quot; (Werner Heisemberg)<\/p>\n<p>01. Guga, o campe\u00e3o. Le\u00e3o, o \u00fanico culpado. Scolari, o homem certo? S\u00e3o Paulo, a cidade do granizo. O tit\u00e3 atropelado pelo motoboy. As discuss\u00f5es sobre o racionamento de energia. O d\u00f3lar a 2,4 reais. A possibilidade de h\u00e1beas corpus para o juiz Lalau. A prefeita no Ipiranga a pedir CPIs e apoio do PSDB. O presidente sempre a sorrir&#8230; Os fatos e as not\u00edcias da semana est\u00e3o a\u00ed e lhe confesso, caro leitor, n\u00e3o me passam a menor convic\u00e7\u00e3o de que algo d\u00ea jeito neste Brasil que vaga noite adentro feito bal\u00e3o, sem tocha, neste junho do primeiro ano do mil\u00eanio. Solit\u00e1rio, sem rumo e prumo. Sem destino, tocado pelo vento e, tomara, por Deus&#8230;<\/p>\n<p>02. Sempre acho que a imprensa d\u00e1 um tom a mais para determinados fatos &#8212; seja uma grande conquista, como a do garoto de Santa Catarina, Gustavo Kuerten em Roland Garros; seja uma trag\u00e9dia da vida urbana, como a do m\u00fasico Marcelo Fromer. Para um lado ou para outro, vejo a not\u00edcia se transformar em espet\u00e1culo e o leitor acaba virando um espectador da vida real. Tenho a sincera impress\u00e3o de que, n\u00f3s jornalistas, prestamos um desservi\u00e7o, pois damos o mesmo tom fant\u00e1stico \u00e0s cenas do Jornal Nacional \u00e0quelas que o cidad\u00e3o vai assistir logo a seguir na novela das oito, por exemplo.<\/p>\n<p>03. A velha m\u00e1xima maldiz o pa\u00eds que precisa de her\u00f3i e, parece, ter ganho um espa\u00e7o maior em terras tupiniquins. Al\u00e9m de her\u00f3i, o brasileiro precisa de um vil\u00e3o para onde convergem todas as f\u00farias e frustra\u00e7\u00f5es. \u00c9 assim que tem sido nos \u00faltimos tempos &#8212; e n\u00e3o importa se \u00e9 prefeito de S\u00e3o Paulo, senador baiano ou t\u00e9cnico de futebol. De repente, tem-se a impress\u00e3o de que vencido tal advers\u00e1rio, tudo estar\u00e1 resolvido. Mas, a coisa n\u00e3o funciona assim&#8230;<\/p>\n<p>04. A vida continua correndo solta \u00e0 margem da telinha da TV ou das primeiras p\u00e1ginas dos jornal\u00f5es. \u00c9 onde verdadeiramente valores sociais como respeito, justi\u00e7a social, amizade, \u00e9tica e solidariedade v\u00e3o sendo solapados pelas implac\u00e1veis leis de sobreviv\u00eancia. E tomo est\u00e1 dif\u00edcil sobreviver nesses tempos de globaliza\u00e7\u00e3o neo liberal. Lembro do jornalista Osmar Santos, em seus \u00e1ureos tempos, a dizer que o mundo anda t\u00e3o competitivo. O locutor das Diretas-J\u00e1 sempre foi um homem de f\u00e9 e acreditava que o brasileiro \u00e9 um povo acostumado a crescer nas crises. Eram tempos de sonhos, n\u00e3o de apag\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>05. Acho que estamos vendo televis\u00e3o demais e vivendo menos. E como nos ensinou um antigo compositor cearense: Viver \u00e9 melhor que sonhar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;As id\u00e9ias n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pelo uso que os homens fazem delas&quot; (Werner Heisemberg)<\/p>\n<p>01. Guga, o campe\u00e3o. Le\u00e3o, o \u00fanico culpado. Scolari, o homem certo? 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