{"id":10362,"date":"2006-10-05T00:00:00","date_gmt":"2006-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-03-23T03:36:57","modified_gmt":"2018-03-23T03:36:57","slug":"o-divino-ferreira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-divino-ferreira\/","title":{"rendered":"O Divino Ferreira"},"content":{"rendered":"<p><em>Autor: Renan Cacioli<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ademir da Guia<br \/>\npor Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto<\/p>\n<p>Ademir imp\u00f5e com seu jogo<br \/>\no ritmo do chumbo (e o peso),<br \/>\nda lesma, da c\u00e2mara lenta,<br \/>\ndo homem dentro do pesadelo.<\/p>\n<p>Ritmo l\u00edquido se infiltrando<br \/>\nno advers\u00e1rio, grosso, de dentro,<br \/>\nimpondo-lhe o que ele deseja,<br \/>\nmandando nele, apodrecendo-o<\/p>\n<p>Ritmo morno, de andar na areia,<br \/>\nde \u00e1gua doente de alagados,<br \/>\nentorpecendo e ent\u00e3o atando<br \/>\no mais irrequieto advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>No sobrenome ele j\u00e1 nasceu craque. Ou com diria o grande Armando Nogueira, \u201cnome, sobrenome e futebol de craque\u201d. Um sobrenome que o fez, em 1957, pegar o trem na Central do Brasil, no Rio de Janeiro e, em seguida, o \u00f4nibus rumo a General Severiano \u2013 local onde ele provaria a todos que o Da Guia, na verdade, tamb\u00e9m sabia jogar como Ferreira. \u201cNome e posi\u00e7\u00e3o\u201d, perguntava o t\u00e9cnico das categorias de base do Botafogo para aquele monte de garotos que sonhavam vestir a camisa alvinegra com a Estrela Solit\u00e1ria no peito. Na vez daquele franzino moleque de 15 anos, a resposta veio convicta: \u201cFerreira, meio-campo\u201d. E assim foram para o gramado iniciar os testes.<\/p>\n<p>Naquela tarde, Ferreira driblou, passou, chutou. O mesmo que sempre acontecia no campinho de terra batida de Bangu, sub\u00farbio carioca onde nasceu em 3 de abril de 1942. Ao final do jogo, o treinador olhou bem para aquele menino t\u00edmido e perguntou: \u201cpera\u00ed, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o filho do Domingos da Guia? P\u00f4, ent\u00e3o, vem treinar aqui no s\u00e1bado, vai ter um jogo, e tal\u201d. Pronto, seu plano havia dado errado mais uma vez. E o Ferreira percebia que jamais conseguiria passar em uma peneira simplesmente como gostaria. An\u00f4nimo. Apenas mais um Ferreira entre tantos Silva. Pegou o \u00f4nibus de volta para casa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tratava de inc\u00f4modo. Apenas um desafio. \u201cEra uma coisa que passou pela minha cabe\u00e7a de garoto. Ver se eu, sozinho, conseguiria fazer o Ferreira jogador\u201d, relata o pr\u00f3prio. \u201cMas isso, de certa forma, me ajudou muito durante a carreira\u201d. E a ajuda \u201cdivina\u201d come\u00e7ou na mesma \u00e9poca do teste no Botafogo. Na verdade, dias antes. Junto com o amigo Durval, de tantas peladas naquele campinho perto de casa, decidiram tentar a sorte no Bangu. Naquela \u00e9poca, as equipes cariocas levavam muito a s\u00e9rio os campeonatos das categorias de base. Jogar bem no infantil ou no juvenil era passaporte certo para o time de cima. \u201cNo Jornal de Esportes tinha at\u00e9 uma p\u00e1gina dedicada ao campeonato juvenil\u201d, lembra Ademir.<br \/>\nAdemir e Durval treinaram e ficaram. Novamente como aconteceria em General Severiano dias depois, ao final do teste o treinador Moacir Bueno \u2013 que havia jogado ao lado de Domingos da Guia no pr\u00f3prio Bangu \u2013 encostou no garoto e soltou a pergunta:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 filho do Domingos?<\/p>\n<p>&#8211; Sou.<\/p>\n<p>&#8211; P\u00f4, eu joguei com seu pai. Domingos \u00e9 meu amigo. Ent\u00e3o, vem na pr\u00f3xima semana, traz uns documentos, e tal&#8230;<\/p>\n<p>Assim come\u00e7ava a carreira de Ademir Ferreira da Guia, filho de um dos melhores zagueiros centrais que o Brasil viu jogar. Que por m\u00e9ritos ou n\u00e3o, teve as portas abertas pelo pai, como veremos a seguir.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o com Domingos<\/p>\n<p>Ademir sempre foi uma pessoa calada, t\u00edmida, caracter\u00edsticas que conserva at\u00e9 hoje nos depoimentos a respeito da vida pessoal e profissional. Quem ilustra um pouco do perfil dele \u00e9 Oberdan Catani, goleiro que jogou no Palmeiras durante 14 anos \u2013 de 1941 a 1955 \u2013, e que compara o jeito de Da Guia ao de outro sossegado com passagem hist\u00f3rica pelo clube: Waldemar Fi\u00fame. \u201cSe botar ele e o Ademir em uma viagem daqui ao Rio, eles chegam l\u00e1 sem saber que estavam juntos\u201d.<\/p>\n<p>Assim mesmo, de poucas palavras, o Divino morava com os pais e tr\u00eas irm\u00e3os. O pai Domingos, na verdade, ele nunca viu jogar. Quando parou de encantar a torcida com sua classe refinada ao sair jogando com a bola dominada, em 1949, no mesmo Bangu onde come\u00e7ara, Ademir tinha apenas sete anos de idade.<br \/>\n\u201cEu vivi com meus pais at\u00e9 os 19 anos, quando vim para o Palmeiras. Era um garoto muito quieto, n\u00e3o dava trabalho. Ainda mais Bangu, que era um lugar tranq\u00fcilo, tinha l\u00e1 um cinema, um clube, um campo. Eu n\u00e3o era de sair, n\u00e3o ia para bailes, n\u00e3o fazia nada\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Do pai, ele n\u00e3o chega a falar com carinho ou ternura. Mas todas as vezes, com admira\u00e7\u00e3o e respeito. Estavam sempre juntos, o filho acompanhando as andan\u00e7as do pai quando este virou t\u00e9cnico de futebol e viajou para Tup\u00e3, Bauru, S\u00e3o Paulo. E foi justamente durante essa vida cigana que Domingos passou a utilizar a influ\u00eancia que conquistara, como atleta, para posicionar o filho nos grandes clubes do Estado de S\u00e3o Paulo. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o primeiro desafio de Ademir na capital foi no Corinthians. Em 1955, ele chegou de m\u00e3os dadas com Domingos no Parque S\u00e3o Jorge. Tinha 13 anos. Treinou com os garotos de 15. Ao final do dia, o t\u00e9cnico Rato, que tamb\u00e9m j\u00e1 tinha atuado ao lado de Domingos, chamou seu ex-companheiro de lado e sentenciou: \u201cOlha, Domingos, o teu garoto treinou bem mas n\u00e3o d\u00e1 para pegar ele. O campeonato \u00e9 com moleque de 15 anos, j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando, e ele tem s\u00f3 13\u201d, falou. Mal sabia que aquele garoto, anos mais tarde, seria um dos carrascos palmeirenses na decis\u00e3o do Campeonato Brasileiro de 1974 diante do rival alvinegro.<\/p>\n<p>E esta n\u00e3o foi a \u00fanica vez em que o \u201cnegro-a\u00e7o\u201d esteve perto de jogar em uma grande equipe do Estado fora o Palmeiras, onde ele consagraria-se no futebol. J\u00e1 em 1958 \u2013 quando disputava seu segundo ano como infantil no Bangu \u2013, ap\u00f3s a Copa do Mundo, seu pai queria lev\u00e1-lo novamente ao Parque S\u00e3o Jorge. \u201cNo meio do caminho, ele decidiu que n\u00e3o ir\u00edamos mais ao Corinthians. Falou que nosso destino seria o Santos. Ficamos uma semana l\u00e1. S\u00f3 que a equipe principal estava na Europa. Isso era pouco antes do Carnaval\u201d.<\/p>\n<p>Passada a semana, Domingos foi falar com o diretor, que disse:<\/p>\n<p>&#8211; Domingos, o menino interessa, ele pode ficar com a gente aqui em Santos, eu posso oferecer para ele at\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, \u00e9 o seguinte. Eu quero 13 mil cruzeiros!<\/p>\n<p>&#8211; Olha, Domingos, eu s\u00f3 posso oferecer nove. Vamos fazer o seguinte: eu n\u00e3o tenho autonomia para dar esse valor. Mas vamos esperar o Santos voltar a\u00ed eu vejo, se eles gostarem eu pago 13 mil sem problema nenhum.<br \/>\nAdemir conta que, como eles ainda precisariam aguardar a chegada do elenco do Peixe, convenceu o pai a voltar para Bangu e retornar quando houvesse uma resposta. \u201cA\u00ed voltamos para o Rio, e o que aconteceu? O Bangu convidou meu pai para ser t\u00e9cnico do infantil. Ent\u00e3o eu continuei l\u00e1. N\u00e3o ganhei nove, nem 13, nem fui para o Santos! Se eu ficasse l\u00e1, jogaria naquele time com Dorval, Meng\u00e1lvio, Coutinho, Pel\u00e9 e Pepe\u201d.<\/p>\n<p>Por ironia do destino, a \u00faltima vez na qual Domingos interferiu na carreira de seu talentoso rebento foi justamente a mais decisiva e que, mais tarde, definiria o jovem de 19 anos como \u201c O Divino\u201d. Mais uma sombra carregada do pai, que quando deslumbrou os uruguaios do Nacional, time uruguaio que defendeu em 1933, ganhou o apelido de \u201cEl Divino Mestre\u201d. Pr\u00f3ximo a agosto de 1961, Domingos chegou em casa entusiasmado e falou que o filho recebera uma proposta do Palmeiras:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s vamos para S\u00e3o Paulo, arruma suas coisas, tem um contrato j\u00e1 aqui.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o garoto retra\u00eddo e tranq\u00fcilo demais para imaginar que aquela hist\u00f3ria de jogar bola poderia virar um caso s\u00e9rio, n\u00e3o queria sair da terra natal e vir para uma metr\u00f3pole t\u00e3o agitada. Ele relata que foi feita uma reuni\u00e3o familiar para decidir se ele iria mesmo para S\u00e3o Paulo. A decis\u00e3o foi un\u00e2nime.<\/p>\n<p>&#8211; U\u00e9, t\u00e1 bom, se voc\u00ea n\u00e3o quer ir eu vou l\u00e1 para S\u00e3o Paulo explicar a hist\u00f3ria para o diretor e a gente desfaz o neg\u00f3cio \u2013 conformou-se Domingos.<\/p>\n<p>Passados alguns dias, o pai apareceu em casa animad\u00edssimo:<\/p>\n<p>&#8211; Ademir, meus parab\u00e9ns, voc\u00ea t\u00e1 contratado, j\u00e1 t\u00e1 tudo certo! Voc\u00ea vai embora para S\u00e3o Paulo amanh\u00e3! Olha aqui, j\u00e1 t\u00f4 com um monte de dinheiro!<\/p>\n<p>Segundo palavras do pr\u00f3prio Ademir da Guia, a ida para o Parque Ant\u00e1rtica foi, na verdade, um grande susto. \u201cQuando eu fui treinar no Bangu, n\u00e3o tinha essa pretens\u00e3o de ser jogador\u201d.<\/p>\n<p>Filho de peixe&#8230;<\/p>\n<p>Mas se o meio-campista n\u00e3o vislumbrava uma carreira promissora como atleta profissional, as vit\u00f3rias sempre estiveram \u00e0 sua procura. E isso desde os tempos de nadador do Bangu, onde conquistou o Campeonato Carioca ainda na inf\u00e2ncia. \u201cNata\u00e7\u00e3o, na realidade, foi meu esporte favorito. Futebol \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 verdade?!\u201d, brinca Ademir.<\/p>\n<p>A fase de \u201cpeixe\u201d do rapaz terminou quando ele definitivamente ingressou no futebol, no time infantil do Bangu, em 1957. Disputou o campeonato da categoria em 57 e 58, tirando terceiro e segundo lugares, respectivamente. Em seguida, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos torcedores quando levantou a ta\u00e7a do torneio carioca juvenil, no ano seguinte, feito at\u00e9 ent\u00e3o quase restrito a Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. A conquista rendeu-lhe muito mais do que uma medalha. \u201cO Bangu, como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o tinha aquele t\u00edtulo e em seguida disputaria o Torneio Internacional de Nova Iorque, deu um pr\u00eamio para quatro jogadores do juvenil: viajamos junto com a equipe profissional\u201d.<\/p>\n<p>Doze clubes participaram do torneio em 1960, entre eles, o Bangu, o Estrela Vermelha, da Iugosl\u00e1via, a Sampdoria, da It\u00e1lia, o Sporting, de Portugal, e o Bayern de Munique, da Alemanha Ocidental. Os cariocas levaram o t\u00edtulo, e Ademir, o pr\u00eamio de melhor jogador da competi\u00e7\u00e3o. \u201cMe deram um envelope e disseram que tinha bastante d\u00f3lar l\u00e1 dentro. A\u00ed quando cheguei no hotel, pensei: \u2018deve ter pelo menos uns dois mil d\u00f3lares aqui\u2019. Abri aquele envelope, contei, e tinha 21 d\u00f3lares! Falei: \u2018p\u00f4, mas eu n\u00e3o fui o melhor jogador do torneio?\u2019, diverte-se o Divino.<\/p>\n<p>Quando retornou ao Brasil, o nome de Ademir da Guia j\u00e1 despertara a aten\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios boleiros da \u00e9poca. Mas um nome foi fundamental na vinda do jogador para S\u00e3o Paulo: Armando Renganeschi. Seria o in\u00edcio das Academias do Parque&#8230;<\/p>\n<p>A consagra\u00e7\u00e3o no alviverde<\/p>\n<p>O argentino Armando Renganeschi foi um dos bons zagueiros sul-americanos que passaram pelo Brasil. Depois virou t\u00e9cnico. Certa vez, o Bangu foi at\u00e9 Campinas fazer amistosos contra Ponte Preta e Guarani. O Bugre era dirigido pelo argentino, que ao maravilhar-se com o futebol de Ademir, pediu \u00e0 diretoria do Guarani a sua contrata\u00e7\u00e3o. Sem dinheiro no caixa, o time campineiro n\u00e3o p\u00f4de aceitar o apelo de \u201cRenga\u201d.<\/p>\n<p>Mas em 1961, j\u00e1 como treinador do Palmeiras, novamente ele insistiu na negocia\u00e7\u00e3o daquele meio-campista do Bangu. E por 3 mil e 700 cruzeiros, a diretoria do Parque Ant\u00e1rtica trouxe o sonho de consumo do t\u00e9cnico argentino. Ademir relata como foi essa recep\u00e7\u00e3o na equipe palestrina.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu cheguei, o importante foi que pude aprender bastante coisa. Eu vinha do futebol carioca, que era mais tocado, cadenciado, e aqui era uma correria s\u00f3, voc\u00ea ia para o interior jogar contra S\u00e3o Bento, XV de Piracicaba, aqueles campinhos com a torcida em cima, parecia uma guerra\u201d.<\/p>\n<p>Os problemas de adapta\u00e7\u00e3o criaram algumas dificuldades para Ademir, que al\u00e9m de precisar habituar-se a uma nova cidade totalmente diferente daquele pacato sub\u00farbio onde nasceu, ainda sofria com uma cobran\u00e7a da torcida palmeirense pela qual ele n\u00e3o esperava. \u201cEsse in\u00edcio foi complicado, at\u00e9 a torcida entender que eu poderia jogar bem ali no meio, passaram-se anos\u201d.<\/p>\n<p>Um exagero. Na verdade, desde a estr\u00e9ia, em julho de 1962, num 5 a 1 diante do Taubat\u00e9, at\u00e9 ser considerado o melhor jogador do Campeonato Paulista de 1963, foram apenas alguns meses. Neste ano, ali\u00e1s, ele conquistou tanto o torneio de aspirantes quanto o principal. Sua grande dificuldade, no princ\u00edpio, tinha o nome de Chinezinho, o \u00eddolo do time quando Ademir desembarcou no Parque. \u201cEu precisei chegar, treinar e conseguir uma vaga na equipe. E s\u00f3 consegui essa vaga porque o Chin\u00eas foi embora para a It\u00e1lia. Ele era daqueles que jogava sempre, n\u00e3o se machucava nunca, n\u00e3o dava chance\u201d.<\/p>\n<p>A partir da titularidade do jovem de 21 anos, o que se viu durante 16 anos de Palmeiras em 866 jogos \u2013 recorde do clube at\u00e9 hoje \u2013 e 153 gols, quem teve o privil\u00e9gio n\u00e3o esquece jamais. \u201dEu sempre fui f\u00e3 do futebol arte, que tenha o sentido de competi\u00e7\u00e3o mas que tamb\u00e9m seja jogado com eleg\u00e2ncia, intelig\u00eancia, habilidade e talento. E o Ademir era o resumo disso tudo. O Ademir da Guia tinha o estilo dos jogadores dos anos 20, 30, 40, parecia que tinha um \u00edm\u00e3, a bola passava obrigatoriamente por ele\u201d, lembra o colunista do Di\u00e1rio de S. Paulo, Alberto Helena Jr., que escreveu o livro \u201cPalmeiras, A Eterna Academia\u201d.<br \/>\n\u201cEu o qualificaria entre os dez melhores do mundo que vi atuar. Ele parecia ser lento, mas era rapid\u00edssimo, com passadas largas. Jogador que tinha um dom\u00ednio de bola extraordin\u00e1rio. Para transportar para os dias de hoje ele lembra muito o que \u00e9 o Zidane. Ali\u00e1s eu acho que o Ademir foi mais jogador do que o Zidane no auge. Era monumental\u201d, qualifica o narrador da R\u00e1dio Jovem Pan, Nilson C\u00e9sar.<br \/>\nCom a conquista estadual de 1963, Ademir iniciou uma trajet\u00f3ria vencedora com a camisa alviverde. Foi campe\u00e3o do Rio-S\u00e3o Paulo, em 65, do Paulista (66, 72, 74 e 76), do Brasileiro (72 e 73), do Roberto Gomes Pedrosa, o Robert\u00e3o, correspondente ao Campeonato Brasileiro da \u00e9poca (67 e 69), da Ta\u00e7a Brasil (67), dos torneios Laudo Natel, Mar del Plata e Ram\u00f3n de Carranza (ambos em 72), al\u00e9m de ser eleito Bola de Prata da Revista Placar em 1972. Os estaduais de 63 e 66, ali\u00e1s, marcaram \u00e9poca: foram os dois \u00fanicos anos em que a hegemonia do Santos de Pel\u00e9 foi quebrada durante a d\u00e9cada de 60.<\/p>\n<p>Em 1964, chegou ao Palestra It\u00e1lia aquele que seria o seu grande parceiro dentro e fora de campo, e que formaria com o Divino uma das melhores duplas de meio-campo de todos os tempos do futebol brasileiro: Dudu.<\/p>\n<p>A saudosa Academia<\/p>\n<p>\u201cJogamos juntos durante 12 anos. E a gente se completava porque \u00e9ramos totalmente diferentes. Em tudo. O que t\u00ednhamos de igual era aquela dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 profiss\u00e3o, o senso de responsabilidade. Mas em temperamento, em maneira de ser, em modo de pensar, \u00e9ramos completamente diferentes. Mas fic\u00e1vamos juntos na concentra\u00e7\u00e3o. Depois ele ainda foi meu t\u00e9cnico (na campanha do t\u00edtulo paulista de 1976)\u201d. Assim Ademir fala de Dudu, o eterno companheiro no Parque Ant\u00e1rtica.<br \/>\nAmbos passaram pelas duas vers\u00f5es das Academias ao lado de craques como Djalma Santos, Le\u00e3o, Edu, Leivinha, Julinho, C\u00e9sar, Tup\u00e3zinho, entre outros. Dudu conta que, quando chegou da Ferrovi\u00e1ria para o Palmeiras, aos 24 anos de idade, precisou adaptar seu estilo de jogo em virtude das caracter\u00edsticas do \u201cnegro-a\u00e7o\u201d. \u201cEu era um volante que jogava para frente, n\u00e3o era marcador, e precisei atuar mais atr\u00e1s porque quem apoiava o sistema ofensivo era o Ademir. Ele tinha uma capacidade t\u00e9cnica muito grande, e eu jamais iria competir com ele nessa situa\u00e7\u00e3o\u201d, revela.<\/p>\n<p>Se a parceria deu certo? \u201cA gente se conhecia tanto que eu, sem olhar a bola, j\u00e1 sabia onde ele se encontrava. Quando ela chegava no meu p\u00e9, eu dava um toque para o lado e sabia que ele estava ali porque criamos um entrosamento muito grande. Sem falar que se o jogo apertava, eu dava um bico na dire\u00e7\u00e3o dele e ele dominava com muita facilidade\u201d, lembra entre risadas. Dudu fala que a amizade aumentou ainda mais a partir da chegada do t\u00e9cnico Oswaldo Brand\u00e3o ao Palestra, em 1971, quando ele o colocou no mesmo quarto do Divino durante as concentra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem tamb\u00e9m criou um la\u00e7o especial de conviv\u00eancia com Ademir foi o atacante Leivinha, que freq\u00fcentemente convidava-o para jantar em restaurantes na companhia do zagueiro Lu\u00eds Pereira. Leiva fala sobre um fato curioso que ocorria nos treinamentos da equipe. \u201cAntes do aquecimento, a gente tinha o costume de fazer aquela rodinha de \u2018bobinho\u2019. E a gente tentava de todas as formas colocar o Ademir na roda: jogando a bola mais forte em cima dele, cheia de efeito. Olha, \u00e9 impressionante por que eu n\u00e3o me lembro, em cinco anos de Palmeiras, de ter visto o Ademir no meio da roda\u201d.<\/p>\n<p>O hoje comentarista de futebol na Sportv narra o qu\u00e3o impressionante era o controle do jogo que Ademir passava aos companheiros. \u201cEle tinha tanta consci\u00eancia do que representava para o Palmeiras, que era um jogador muito regular. Voc\u00ea n\u00e3o podia esperar dele uma coisa como \u2018olha, hoje teve um lance incr\u00edvel do Ademir\u2019. N\u00e3o. Mas aquela matada tornou-se uma coisa especial nele: quando a bola vinha alta, ele erguia a perna com aquela calma e, l\u00e1 no alto, a bola j\u00e1 colava no p\u00e9 dele\u201d.<\/p>\n<p>A partir de 1976 e 77, a Academia foi se esfacelando at\u00e9 culminar na despedida de sua maior estrela. Durante o Campeonato Paulista de 77, Ademir come\u00e7ou a sentir problemas de respira\u00e7\u00e3o que o impediam de atuar durante os 90 minutos. Operou o nariz duas vezes mas n\u00e3o conseguiu recuperar a confian\u00e7a. No dia 18 de setembro de 1977, ele saiu de um jogo disputado contra o Corinthians \u2013 que o alviverde perdeu por 2 a 0 \u2013 e n\u00e3o voltou mais.<\/p>\n<p>Seu jogo oficial de despedida s\u00f3 aconteceu seis anos depois, em 1984, entre um selecionado Paulista comandado por Rivelino e um combinado de jogadores do Palmeiras. A partida, realizada no Canind\u00e9, terminou com a derrota de 2 a 1 para o Divino. Mas a hist\u00f3ria de Ademir da Guia nos jardins suspensos do Parque Ant\u00e1rtica foi t\u00e3o marcante que, em 1986, ele recebeu um busto em sua homenagem ao lado de apenas outras duas figuras com passagens consagradoras pelo Palestra: Waldemar Fi\u00fame e Junqueira. Os tr\u00eas \u00fanicos com tal honraria.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria pela Sele\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cO problema do Zagallo era com o meu pai. Quando tinha uma convoca\u00e7\u00e3o, os rep\u00f3rteres iam questionar, e ele metia o pau, dizia que o Zagallo n\u00e3o entendia nada, e isso, e aquilo. Ent\u00e3o o problema n\u00e3o era comigo porque eu nunca falei nada do Zagallo nem vou falar\u201d.<\/p>\n<p>A frase de Ademir da Guia pode ser apenas uma das explica\u00e7\u00f5es pelo fato dele n\u00e3o ter disputado aquela fat\u00eddica Copa de 1974. Ou ao menos, ter jogado a partida inteira contra a Pol\u00f4nia, na decis\u00e3o do terceiro lugar, quando pela primeira vez na hist\u00f3ria ele atuou em um confronto de Mundiais. Mas s\u00f3 no primeiro tempo. Em seguida, Zagallo sacou-o e colocou o atacante Mirandinha. Algo que a cr\u00f4nica esportiva da \u00e9poca achou inconceb\u00edvel e n\u00e3o entende at\u00e9 hoje. \u201cO primeiro tempo em que ele jogou foi o \u00fanico momento da Copa que a Sele\u00e7\u00e3o teve organiza\u00e7\u00e3o em campo, intelig\u00eancia, tocou a bola. Terminou 0 a 0, mas o Ademir dominou o jogo\u201d, lembra Alberto Helena Jr.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, dif\u00edcil \u00e9 arrancar do Divino o que realmente acontecia na rela\u00e7\u00e3o entre ele e o Velho Lobo. \u201cN\u00e3o \u00e9 que eu fui injusti\u00e7ado. Naquela \u00e9poca, n\u00f3s t\u00ednhamos dois meios-de-campo, G\u00e9rson e Rivelino, que eram os preferidos pelos t\u00e9cnicos. E ainda tinha eu, o Dirceu Lopes, poderia ter ido qualquer um\u201d, conta timidamente.<br \/>\nO rep\u00f3rter Nelson Cilo, do Di\u00e1rio do Grande ABC, relata que certa vez ficou encarregado de fazer uma entrevista especial com Ademir. Em determinado momento do bate-papo, ele tentou de todas as maneiras extrair algo mais pol\u00eamico do Divino a respeito do epis\u00f3dio de 74. \u201cFoi a \u00fanica vez que eu vi o Ademir perder levemente a paci\u00eancia. Eu insisti tanto que ele falou que n\u00e3o adiantava eu perguntar aquilo ali pois ele n\u00e3o falaria mais nada\u201d.<\/p>\n<p>Mas Ademir deixa escapar algumas pistas que ajudam a entender melhor o que de fato ocorreu. \u201cA minha convoca\u00e7\u00e3o, por exemplo, o Zagallo n\u00e3o queria me levar. Eu n\u00e3o tenho certeza, mas parece que o Havelange (Jo\u00e3o, que acabara de ser eleito presidente da Fifa) pressionou. O Zagallo tinha uma prefer\u00eancia pelo Rivelino. Ainda que, se quisesse, poderia ter colocado n\u00f3s dois para jogarmos juntos, como ele fez naquele \u00faltimo jogo. Mas era op\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico, n\u00e9? Ent\u00e3o, na realidade, na Sele\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o tive muita oportunidade\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Zagallo disse, inclusive, que Ademir teria sa\u00eddo da partida contra os poloneses porque estava cansado. Cogitou-se, at\u00e9, que o meio-campista admitira o cansa\u00e7o nas entrevistas p\u00f3s-jogo apenas para n\u00e3o causar alguma esp\u00e9cie de pol\u00eamica, coisa da qual ele sempre manteve dist\u00e2ncia. \u201cPoderia ter falado que ele me sacaneou, me tirou, que eu estava jogando bem, que ele tinha algo contra mim. Mas n\u00e3o falei nada. Agora, na realidade, eu n\u00e3o pedi para sair, nem me machuquei\u201d, revela o Divino. Alberto Helena Jr., no entanto, tem outra vers\u00e3o para o dia daquela disputa de terceiro lugar, na qual o Brasil perdeu por 1 a 0 da Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cIsso quem me contou foi o Alfredo Mostarda e o Lu\u00eds Pereira. No dia do jogo, na hora do almo\u00e7o \u2013 o Ademir nunca tinha sido relacionado nem para o banco \u2013, ent\u00e3o ele comia \u00e0 vontade, ele e o Edu, do Santos, que eram os dois marginalizados da Sele\u00e7\u00e3o. A\u00ed o Zagallo ficou s\u00f3 observando. Quando o Ademir comia sua segunda p\u00eara, na sobremesa, o Zagallo chegou e falou \u2018\u00f4, manera que voc\u00ea vai jogar hoje, hein?!\u2019. Disseram que a p\u00eara at\u00e9 entalou, ele ficou vermelho na hora. O Alfredo Mostarda falou que teve vontade de levantar e dar um murro na cara dele\u201d.<\/p>\n<p>O comentarista da R\u00e1dio Jovem Pan, Cl\u00e1udio Carsughi, acha que o problema estava, tamb\u00e9m, na velha rivalidade entre Rio e S\u00e3o Paulo. \u201cAcredito que havia uma disputa entre o G\u00e9rson e o Ademir, com desfecho claramente favor\u00e1vel ao G\u00e9rson. Primeiro porque a CBD (atual CBF), no caso, era no Rio, e toda a imprensa carioca fazia lobby favor\u00e1vel ao G\u00e9rson. E segundo porque o Ademir nunca foi um cara de se impor. E pol\u00eamica com um s\u00f3 voc\u00ea n\u00e3o consegue\u201d.<br \/>\nInjusti\u00e7as \u00e0 parte, a primeira apari\u00e7\u00e3o de Ademir com a camisa canarinho veio em 1965, atrav\u00e9s de amistosos contra B\u00e9lgica (5 a 1), Alemanha (2 a 1), Argentina (0 a 0), e Arg\u00e9lia (foi substitu\u00eddo pelo t\u00e9cnico Vicente Feola aos 20 minutos do primeiro tempo, quando o placar anotava 3 a 0 para o Brasil). O momento m\u00e1ximo, no entanto, foi no dia 7 de setembro daquele mesmo ano, quando a CBD (atual CBF) convidou o Palmeiras para representar o pa\u00eds no amistoso diante do Uruguai, marcando as festividades c\u00edvicas e tamb\u00e9m a inaugura\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio do Mineir\u00e3o. A primeira vers\u00e3o da Academia, com a camisa amarela, venceu por 3 a 0 (gols de Rinaldo, Tup\u00e3zinho e Germano). A \u00fanica equipe que repetiu o feito de representar o pa\u00eds foi o Corinthians, em novembro do mesmo ano, contra o Arsenal, em Londres, com uma derrota por 2 a 0.<\/p>\n<p>Um disc\u00edpulo do carrossel<\/p>\n<p>O jornalista Alberto Helena Jr. conta dois epis\u00f3dios curiosos que ilustram caracter\u00edsticas do futebol jogado por Ademir da Guia e sua fama de lento. Certa vez, como chefe de reportagem do Jornal da Tarde, l\u00e1 pelos idos de 1972, ele recebeu de seu rep\u00f3rter \u2013 Jos\u00e9 M\u00e1rio Mendon\u00e7a, hoje cronista pol\u00edtico da R\u00e1dio Eldorado \u2013 a seguinte sugest\u00e3o de pauta: um ex-jogador holand\u00eas que estava fazendo um est\u00e1gio no Guarani como preparador f\u00edsico.<\/p>\n<p>Alberto conta que, naquela \u00e9poca, ouvia-se falar muito sobre o futebol holand\u00eas atrav\u00e9s do Feyenoord e do Ajax, que eram grandes fen\u00f4menos das copas europ\u00e9ias, mas que, devido \u00e0 escassez de informa\u00e7\u00f5es, ningu\u00e9m sabia ao certo como era jogado esse futebol que dizia-se t\u00e3o moderno, eficiente e revolucion\u00e1rio. Ele, ent\u00e3o, pediu que o Jos\u00e9 M\u00e1rio fosse at\u00e9 Campinas e perguntasse para o tal estagi\u00e1rio se ele conseguiria identificar em algum jogador brasileiro, a concep\u00e7\u00e3o e estilo de jogo semelhantes ao do futebol jogado na Holanda.<\/p>\n<p>Quando retornou, o rep\u00f3rter transmitiu a seguinte resposta do dito cujo: \u201c Olha, eu n\u00e3o sei por que a surpresa de voc\u00eas, brasileiros, de como \u00e9 o futebol holand\u00eas. Porque o nosso futebol \u00e9 como joga o Ademir da Guia, est\u00e1 em todo lugar ao mesmo tempo, n\u00e3o erra passes, \u00e9 um jogador m\u00faltiplo\u201d.<\/p>\n<p>Um outro caso contado pelo jornalista diz respeito \u00e0 famosa lentid\u00e3o com a qual Ademir era associado no in\u00edcio da carreira. Ele enviou um rep\u00f3rter do JT para ir at\u00e9 o Palmeiras fazer um teste: uma corrida entre Ademir e Edu Bala \u2013 considerado o \u201cfilho-do-vento\u201d daquele tempo, segundo o pr\u00f3prio Albert \u2013, numa dist\u00e2ncia de 50 metros, ambos cal\u00e7ando chuteiras. \u201cO Edu foi mais r\u00e1pido por mil\u00e9simos. O Ademir tinha aquelas pernas longas, e que compensavam a aparente lerdeza dele comendo espa\u00e7os. Era muito dif\u00edcil o cara alcan\u00e7a-lo quando ele sa\u00eda com a bola dominada do meio do campo\u201d, afirma o jornalista.<\/p>\n<p>Id\u00e9ias novas<\/p>\n<p>Ademir da Guia, ap\u00f3s abandonar a carreira de jogador e trabalhar nas categorias de base do Palmeiras, chegou at\u00e9 o campo pol\u00edtico filiando-se ao PC do B. Muito menos por agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e mais pela amizade que tem com o ministro da Coordena\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, Aldo Rebelo, palmeirense assumido, Da Guia continua sereno na C\u00e2mara de Vereadores de S\u00e3o Paulo, local onde ele concedeu a maior parte desta entrevista.<\/p>\n<p>Vindo de uma \u00e9poca em que apenas jogadores que disputavam Copas do Mundo tinham alguma chance de negociar com clubes estrangeiros \u2013 e mesmo assim, a um mercado restrito \u2013 o pr\u00f3prio Ademir nunca teve empres\u00e1rio, coisa dif\u00edcil de se imaginar no futebol globalizado dos novos tempos. Mas ele \u00e9 a favor da profissionaliza\u00e7\u00e3o do esporte atrav\u00e9s das parcerias entre os clubes e as empresas, e n\u00e3o v\u00ea problemas no caso MSI Corinthians, onde cogita-se que uma suposta lavagem de dinheiro seria respons\u00e1vel pelas compras milion\u00e1rias dos jogadores que chegaram ao Parque S\u00e3o Jorge neste ano.<\/p>\n<p>\u201cEu tamb\u00e9m n\u00e3o sei te falar de onde vem o dinheiro. Mas de algum lugar tem que vir, n\u00e9? Para fazer esse tipo de neg\u00f3cio, contratar jogadores que s\u00e3o craques no Boca Juniors, t\u00e9cnicos, precisa ter uma condi\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tivemos aqui, por exemplo, a Parmalat, que ajudou muito o Palmeiras. Eu acho a empresa muito importante para o clube e os jogadores\u201d.<\/p>\n<p>F\u00e3 de Robinho, Ronaldinho Ga\u00facho e Ronaldo (apesar de achar realmente que o Fen\u00f4meno est\u00e1 um pouco acima do peso), tr\u00eas jogadores que ele enumera como foras-de-s\u00e9rie atualmente, ele diz com bom-humor que voltaria a trabalhar no futebol, sem problema algum. \u201cAmanh\u00e3, se o Real Madrid me contratar, eu vou embora. Se eu arrumar um bom empres\u00e1rio, vou fazer um contrato, e para jogar ainda! Ali\u00e1s, n\u00e3o preciso nem jogar, pego o dinheiro e fico l\u00e1 no banco\u201d.<\/p>\n<p>Uma de suas \u00faltimas empreitadas no campo esportivo foi quando indicou o astro do futsal, Falc\u00e3o, que recentemente tentou a sorte nos gramados pelo S\u00e3o Paulo, para treinar no Palmeiras. \u201cEu assisti o Falc\u00e3o na praia, e achei que ele podia ter uma chance no futebol. Mas o contrato dele n\u00e3o permitia que ele ficasse mais do que uma semana, e o Palmeiras queria a perman\u00eancia dele durante um m\u00eas. Ent\u00e3o ele preferiu n\u00e3o arriscar\u201d, conta. Antes mesmo da nova experi\u00eancia de Falc\u00e3o dar errado no Tricolor, Ademir j\u00e1 profetizava: \u201cAgora, o que eu acho muito importante: o Falc\u00e3o n\u00e3o vai conseguir ser, no campo, o grande jogador que foi no sal\u00e3o. Ent\u00e3o, para ele, talvez n\u00e3o interesse ser mais um se ele puder ser o melhor\u201d.<\/p>\n<p>Melhor, assim como Ademir foi no seu tempo. Simplesmente, um divino Ferreira. Como ele sempre quis ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Autor: Renan Cacioli<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ademir da Guia<br \/>\npor Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto<\/p>\n<p>Ademir imp\u00f5e com seu jogo<br \/>\no ritmo do chumbo (e o peso),<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uns-e-outros"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10362"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18509,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10362\/revisions\/18509"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}