{"id":10363,"date":"2006-10-05T00:00:00","date_gmt":"2006-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:28","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:28","slug":"sozinho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sozinho\/","title":{"rendered":"Sozinho"},"content":{"rendered":"<p>Quinta-feira, dia 11 de junho de 1999.<br \/>\nChego \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga<br \/>\npara fechamento de mais uma edi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNada de anormal, ok? <\/p>\n<p>N\u00e3o por isso. Reparem a data.<br \/>\nPerceberam?<br \/>\nVejo a p\u00e1gina do Dia dos Namorados,<br \/>\num esc\u00e2ndalo de &#8216;politicamente correta&#8217;.<br \/>\nS\u00f3 casais lindos, maravilhosos, sorridentes, felizes. <\/p>\n<p>&#8212; Ei, ei a vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, n\u00e9 &#8211; pergunto a todos e a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212; Como assim?, algu\u00e9m responde.<\/p>\n<p>&#8212; E o outro lado. Jornalisticamente, precisamos ouvir o outro lado&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; O Rodolfo endoidou &#8211; ou\u00e7o disfar\u00e7adamente algu\u00e9m comentar. <\/p>\n<p>&#8212; E os caras que n\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m, insisto&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Ai, meu Deus, n\u00e3o d\u00e1 mais tempo. O jornal est\u00e1 &#8216;fechando&#8217; &#8211; diz<br \/>\na diagramadora Marina, j\u00e1 antevendo que iria sobrar para ela.<\/p>\n<p>No r\u00e1dio, ou\u00e7o a can\u00e7\u00e3o &quot;Sozinho&quot;, do intr\u00e9pido Peninha,<br \/>\nna vers\u00e3o b\u00e1sica (banquinho e viol\u00e3o) de Caetano Velloso.<br \/>\nEra o sucesso da \u00e9poca.  Subito, tenho uma id\u00e9ia que<br \/>\nvirou cr\u00f4nica e hoje transcrevo aqui<br \/>\n&#8211; e, como naquele dia, n\u00e3o ousem me perguntar<br \/>\no porqu\u00ea. Ou por quem&#8230;<\/p>\n<p>II. A cr\u00f4nica<\/p>\n<p>&quot;A vida \u00e9 a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida.&quot; <\/p>\n<p>Pois \u00e9 companheiro(a) avulso(a) que, como eu, vai passar o 12 de junho olhando as estrelas &#8212; e s\u00f3 as estrelas, se estrelas houver para voc\u00ea na noite do Dia dos Namorados. N\u00e3o tenho qualquer receita para lhe passar. Nada a recomendar. Nem quero induzi-lo a enfrentar de peito aberto a agressividade, digamos, publicit\u00e1ria institucional que a data sugere nesses dias. N\u00e3o adianta falar para voc\u00ea fingir que n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed, fugir, se esconder, viajar, entrar em \u00f3rbita. Sempre haver\u00e1 uma lua no c\u00e9u a lembrar que nem sempre foi assim. Uma lua no c\u00e9u a lembrar que \u00e9 12 de junho, Dia dos Namorados; a lembrar a dor das coisas que se perderam.<\/p>\n<p>Se quiser uma sugest\u00e3o, tente encarar com naturalidade. Pense na economia besta do presente que n\u00e3o foi preciso comprar. Imagine &#8212; ou n\u00e3o? &#8212; que o pior j\u00e1 passou e amanh\u00e3, como diz uma velha can\u00e7\u00e3o do autor da moda, Peninha, certamente eu vou ser mais feliz. <\/p>\n<p>Ah! Se me permite, agarre-se ao bom-humor. \u00c9 nossa t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Ria de tudo, inclusive se ache meio-que-r\u00eddiculo ter se imaginado que podia, fazia e acontecia. <\/p>\n<p>Eu que comecei citando Vinicius de Moraes e fui longe demais com o autor de &quot;Sozinho&quot; que Caetano consagrou, tomo agora a liberdade de narrar uma exemplar hist\u00f3ria do nosso maior cronista, Rubem Braga. A\u00ed vai&#8230;<\/p>\n<p>Certa vez, uma leitora o questionou sobre o ceticismo que sempre revelava ao falar do amor em seus textos. Braga discorreu em duas ou tr\u00eas linhas de um amor que julgou eterno. E logo a seguir se p\u00f4s a contar que a maior dor f\u00edsica que havia sentido em sua vida foi decorrente de uma bursite no ombro esquerdo. A dor lancinante lhe tirou o sono por v\u00e1rias e v\u00e1rias semanas, meses at\u00e9&#8230; Mas, um dia se foi&#8230; Pois ent\u00e3o, completou humildemente: se a leitora me quer algum bem (at\u00e9 pelas bobagens que escrevo), por favor, em suas ora\u00e7\u00f5es, pe\u00e7a a Deus que me mande outra bursite daquelas&#8230; Agora, um amor como aquele que vivi, nunca mais.&quot;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Um adendo. Fechamos no hor\u00e1rio. O jornal circulou legal. A Marina redesenhou a p\u00e1gina. As fotos dos lind\u00f5es ficaram menores. Mas, nada perderam. Todos eram um sorriso s\u00f3, de orelha a orelha. Num canto, ficou o texto que escrevi e jurei, para todos, n\u00e3o era autobiogr\u00e1fico. N\u00e3o sei se acreditaram. Hoje, talvez seja. Ando com uma dor horr\u00edvel no ombro esquerdo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinta-feira, dia 11 de junho de 1999.<br \/>\nChego \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga<br \/>\npara fechamento de mais uma edi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNada de anormal, ok? <\/p>\n<p>N\u00e3o por isso.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10363","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10363"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10363\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17491,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10363\/revisions\/17491"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}