{"id":10375,"date":"2006-10-12T00:00:00","date_gmt":"2006-10-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:27","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:27","slug":"debate-historia-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/debate-historia-3\/","title":{"rendered":"Debate. Hist\u00f3ria 3"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Trato \u00e9 trato&quot;.<\/p>\n<p>Assim dizia o meu av\u00f4 Carlito que fazia chap\u00e9us na f\u00e1brica Ramenzzoni, ali na esquina da rua Lavap\u00e9s com a Scuvero, dentro dos limites da Rep\u00fablica Federativa do Cambuci.<\/p>\n<p>Isto posto &#8211; e sei l\u00e1 porque lembrei do meu av\u00f4 -, vamos \u00e0 terceira parte dos relatos sobre os debates eleitorais na TV brasileira. Trato \u00e9 trato&#8230;<\/p>\n<p>Ops&#8230;<\/p>\n<p>Antes de narrar o epis\u00f3dio de hoje (Collor vs. Lula em 89) quero fazer uma refer\u00eancia que, assim como chupinhamos a f\u00f3rmula dos festivais de MPB dos anos 60 do eterno Festival de San Remo na It\u00e1lia, tamb\u00e9m demos uma copiadinha no formato de debates entre presidenciais do hist\u00f3rico confronto Kennedy e Nixon, pela Presid\u00eancia dos Estados Unidos em 1960.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que o tom despojado e elegante de Kennedy lhe garantiu a vit\u00f3ria diante de um Nixon acabrunhado, um tanto troncho e, diria, entristecido.<\/p>\n<p>Esse debate marca o in\u00edcio da chamada era dos pol\u00edticos teleg\u00eanicos. No Brasil, o primeiro a tirar proveito &#8211; e como! &#8211; da TV foi mesmo o ent\u00e3o desconhecido governador das Alagoas, Fernando Collor, quase 30 anos depois.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>H\u00e1 toda uma hist\u00f3ria que o mito Collor foi projetado pela m\u00eddia &#8211; especialmente, pela Rede Globo &#8211; assustada com a possibilidade de um de seus dois desafetos chegarem ao poder. Quem eram? O caudilho Leonel Brizola e o &#8216;sapo barbudo&#8217; Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Brizola, inclusive, havia dito e redito que o primeiro ato de seu Governo, em Bras\u00edlia, seria rever a concess\u00e3o de algumas emissoras de TV que estavam &quot;a servi\u00e7o do imperialismo&quot;.<\/p>\n<p>Os outros dois candidatos, de peso, Ulysses Guimar\u00e3es e M\u00e1rio Covas tamb\u00e9m n\u00e3o inspiravam l\u00e1 muita confian\u00e7a na fam\u00edlia Marinho. <\/p>\n<p>\u00c0 parte as mazelas da Teoria da Conspira\u00e7\u00e3o, o certo \u00e9 que Collor ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional ao participar de um programa de anivers\u00e1rio de Chacrinha e depois refestelou-se em um Globo Rep\u00f3rter em que se disseminou a alcunha  de  &quot;ca\u00e7ador de maraj\u00e1s&quot;.<\/p>\n<p>Da\u00ed para frente, a hist\u00f3ria, todos conhecem&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel. A conversa foi parar  em debate eleitoral na TV? Ent\u00e3o, prepare-se, mais cedo ou mais tarde, vamos desaguar no pega de 89 entre Lula e Collor. E a\u00ed os \u00e2nimos esquentam&#8230;<\/p>\n<p>O que aconteceu?<\/p>\n<p>Segundo os \u00edndices das pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto, os candidatos estavam pr\u00f3ximos na semana que antecedeu as elei\u00e7\u00f5es, realizadas no domingo, dia 17 de dezembro. Collor e Lula se enfrentaram na quinta, dia 14. Um pool de quatro emissoras de TV (Globo, SBT, Bandeirantes e Manchete) transmitiu simultaneamente o debate que encerraria a campanha eleitoral para decidir o segundo turno.<\/p>\n<p>Foi um embate renhido, com acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas; mais de Collor em rela\u00e7\u00e3o a Lula.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios petistas reconheceram depois que Lula estava desconfort\u00e1vel, com ar cansado e hesitante. Muitos compararam a um jogo de futebol. Collor venceu por dois a um, tr\u00eas a um&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>No dia seguinte, por\u00e9m, o Jornal Nacional fez uma resenha do encontro absolutamente parcial. Mostrou Collor confiante, determinado. Lula, ao contrario. Cabisbaixo, inseguro, sem saber para onde ir.<\/p>\n<p>Quem assistisse apenas ao Jornal Nacional e ousasse emitir um palpite, usando a met\u00e1fora do futebol, n\u00e3o teria d\u00favidas. Collor: 8 x 0. S\u00f3 no primeiro tempo.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Se essa edi\u00e7\u00e3o interferiu ou n\u00e3o no resultado final das elei\u00e7\u00f5es de 89, nunca se saber\u00e1. Foi uma semana trash para Lula aquela &#8211; e as que vem pela frente. Por isso, \u00e9 bem prov\u00e1vel que eu volte ao assunto dia desses&#8230;<\/p>\n<p>De resto, lembro que o hor\u00e1rio pol\u00edtico recome\u00e7a hoje. Mas, eu e voc\u00ea, caro leitor, merecemos uma tr\u00e9g\u00fca. \u00c9 feriado, Dia das Crian\u00e7as e de Nossa Senhora Aparecida. De quebra, anivers\u00e1rio da dona Yolanda, minha m\u00e3e, filha do chapeleiro Carlito, aquele que come\u00e7ou o texto e que o encerraria agora com a c\u00e9lebre recomenda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8212; Olha, n\u00e3o se meta a fazer cortesia com o chap\u00e9u alheio&#8230;<\/p>\n<p>E, para dar um toque de modernidade e gra\u00e7a, o bom Carlito arrepiaria uma frase que a mo\u00e7ada de hoje consagrou, sempre que surge uma bola dividida:<\/p>\n<p>&#8212; Piccino, me inclua fora dessa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Trato \u00e9 trato&quot;.<\/p>\n<p>Assim dizia o meu av\u00f4 Carlito que fazia chap\u00e9us na f\u00e1brica Ramenzzoni, ali na esquina da rua Lavap\u00e9s com a Scuvero, dentro dos limites da Rep\u00fablica Federativa do Cambuci.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10375","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10375"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17481,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375\/revisions\/17481"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}