{"id":10381,"date":"2006-10-17T00:00:00","date_gmt":"2006-10-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:26","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:26","slug":"bixoruim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bixoruim\/","title":{"rendered":"Bixoruim"},"content":{"rendered":"<p>Vou contar o milagre, mas n\u00e3o o santo. Desculpem. Mas, o mo\u00e7o \u00e9 meu amigo e ainda ontem me mandou um email, lembrando os velhos e bons tempos de Reda\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que lembrei da hist\u00f3ria que narro a seguir&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Oi&#8230;<\/p>\n<p>Espantou-se. E, tal aqueles c\u00e3es de ca\u00e7a, se congelou em posi\u00e7\u00e3o de ataque. Afinal, todos os dias, era ele quem a procurava para, digamos, dizer aquelas bobagens que os marmanjos se sentem no direito de dizer quando est\u00e3o diante de uma linda mulher&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Oi&#8230; eu disse&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Oi, maraaaavilhosa!!!, derramou-se todo para mostrar claramente as inten\u00e7\u00f5es obscuras.<\/p>\n<p>&#8212; Sabe, queria conversar com voc\u00ea&#8230;. Me acompanha at\u00e9 a minha se\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8212; Claro, belezinha&#8230;<\/p>\n<p>E caminharam pelo corredor do velho pr\u00e9dio, lado a lado. A um passo da porta do Departamento de Artes, onde ela era uma esfor\u00e7ada layoutista, fez sinal que esperasse. <\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o precisa entrar, n\u00e3o. Eu queria lhe dizer que andei pensando nas coisas que voc\u00ea me diz todos os dias. E resolvi que \u00e9 hora de experimentar. O que voc\u00ea acha? Hoje \u00e0 noite est\u00e1 bom para voc\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Olhos saltados. Cora\u00e7\u00e3o a mil. As m\u00e3os suavam&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Claro, claro, ele respondeu&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, depois a gente conversa sobre assunto, ok?<\/p>\n<p>Voltou dando saltos e socos no ar, a la Pel\u00e9. O sorriso, de orelha a orelha. Entrou na Reda\u00e7\u00e3o escandalizando a todos. <\/p>\n<p>&#8212; Olha a\u00ed rapaziada. O fot\u00f3grafo aqui se deu bem. Vou derrubar a lebre e vai ser hoje. Eu sou o cara, senhores. O cara, entenderam?<\/p>\n<p>N\u00e3o, ningu\u00e9m entendeu. Por isso mesmo ele tratou de explicar. Valorizou, obviamente, o charme e a eleg\u00e2ncia com que se fez irresist\u00edvel. E que a mo\u00e7a &#8211; que, de resto, todos por ali cobi\u00e7avam inutilmente &#8211; estava a seus p\u00e9s&#8230;<\/p>\n<p>Alvor\u00e7o geral. Algumas laudas velhas jogadas ao ar. Coment\u00e1rios diversos. Alguns invejosinhos, outros s\u00f3 para bagun\u00e7ar mesmo. Foi quando no auge da, digamos, comemora\u00e7\u00e3o, ela surge na porta, envolta em mist\u00e9rio e promessas. <\/p>\n<p>Sil\u00eancio. Todos os olhares se voltam para ela&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Nardinho (olha a intimidade com que chamou Ednardo, o fot\u00f3grafo), sabe aquele nosso assunto&#8230;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m acreditou. Iria assumir publicamente o romance? <\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, s\u00f3 uma coisa&#8230; \u00e9 primeiro de abril. Dia da mentira, bobinho&#8230;<\/p>\n<p>Queixos ca\u00eddos. Todos se voltaram, como obedientes rob\u00f4s, para conferir o grande calend\u00e1rio, pendurado na parede. E, infelizmente para o meu amigo, confirmaram a data e sua inexorabilidade&#8230;<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: <\/p>\n<p>Deus nos livre das mulheres bixoruins, as que n\u00e3o t\u00eam cora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n[Texto publicado no livro &quot;Meus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es&quot;]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou contar o milagre, mas n\u00e3o o santo. Desculpem. 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