{"id":10406,"date":"2006-11-04T00:00:00","date_gmt":"2006-11-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:24","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:24","slug":"luiz-gustavo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/luiz-gustavo\/","title":{"rendered":"Luiz Gustavo"},"content":{"rendered":"<p>Certa vez, ouvi do ator Luiz Gustavo como foi sua estr\u00e9ia nos palcos da extinta TV Tupi nos idos dos anos 50.<\/p>\n<p>Ele era um garoto que andava pelos bastidores da emissora do Sumar\u00e9, em S\u00e3o Paulo, onde hoje funcionam a MTV e a ESPN Brasil. Tinha livre acesso aos est\u00fadios por ser cunhado do faz-tudo Cassiano Gabus Mendes, que depois se transformou num grande autor e diretor de novela da TV Globo. <\/p>\n<p>Luiz Gustavo chegava no in\u00edcio da tarde e s\u00f3 ia embora por volta das 23 horas quando as transmiss\u00f5es se encerravam ap\u00f3s o notici\u00e1rio Di\u00e1rio de S.Paulo na TV, com os jornalistas Tico-tico, Carlos Spera e Maur\u00edcio Loureiro Gama. <\/p>\n<p>No entanto, o que mais ele gostava de fazer era acompanhar as montagens do TV de Vanguarda que ia ao ar aos domingos, e sempre ao vivo \u2013 n\u00e3o existia v\u00eddeo-tape. A coisa era na ra\u00e7a e em preto-e-branca.<\/p>\n<p>Quase sempre o teleteatro encenava cl\u00e1ssicos da dramaturgia mundial, e os atores de ent\u00e3o \u2013 Lima Duarte, M\u00e1rcia Real, Cleide Y\u00e1conis, Hamilton Fernandes, Raul Cort\u00eas, Juca de Oliveira, Araci Balabanian, entre outros \u2013 come\u00e7avam a ensaiar na sexta para na noite de domingo enfrentarem as c\u00e2meras e o desafio da representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que os erros eram comuns. Mas, os atores improvisavam, e sempre davam um jeito de se divertir e que tudo terminasse bem.<\/p>\n<p>Um dia, o inevit\u00e1vel aconteceu. Um figurante faltou, e precisavam de algu\u00e9m que o substitu\u00edsse. Nada de especial. Ele seria um mensageiro e teria que entrar em cena num dado momento. E responder: \u201cSim, meu rei\u201c.<\/p>\n<p>Claro que sobrou para o menino Tata &#8211; apelido do ator. O cunhado, zeloso como s\u00f3 e acontecer, simplificou ainda mais.<\/p>\n<p>&#8212; Tat\u00e1, voc\u00ea entra em cena e diz apenas: \u201cSim!\u201d, ok?<\/p>\n<p>Perfeito. Nenhum mist\u00e9rio. F\u00e1cil.<\/p>\n<p>Cassiano, por\u00e9m, n\u00e3o contava com o bom-humor dos outros atores. O teleteatro era dividido em tr\u00eas atos. E o garoto nervoso esperava a vez de dar seu recado logo no in\u00edcio do terceiro e \u00faltimo ato. <\/p>\n<p>Enquanto a montagem corria solta, j\u00e1 com a TV no ar, os atores entravam e sa\u00edam de cena. Mas, antes perturbavam o pobre estreante.<\/p>\n<p>&#8212; Olha l\u00e1, j\u00e1 sabe o que vai dizer?<\/p>\n<p>&#8212; Sei. <\/p>\n<p>&#8212; Sei, n\u00e3o. \u00c9 sim. Sim, ouviu.<\/p>\n<p>Vinha outro e dizia:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o \u00e9 sim. \u00c9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o ou sim? Era sim, agora \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>Um terceiro refor\u00e7ava a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Sim, \u00e9 n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Ai, meu Deus.<\/p>\n<p>E mais um aparecia.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o, n\u00e3o p\u00f5e Cristo na Hist\u00f3ria. Estamos em Roma, lembre-se em Roma. E o n\u00e3o \u00e9 sim, entendeu&#8230;<\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o. N\u00e3o, sim. Sim. Sim. N\u00e3o. N\u00e3o. A cabe\u00e7a do menino parecia um tamborim. Chegou a hora. O mensageiro Tat\u00e1 entrou em cena e, seguro de si, resolveu dizer a frase toda.<\/p>\n<p>&#8212; Nim, meu Sei, Nim&#8230;<\/p>\n<p>(Trecho da cr\u00f4nica de Natal, &quot;Um ano SIM&quot;, republicada hoje em Parangol\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, ouvi do ator Luiz Gustavo como foi sua estr\u00e9ia nos palcos da extinta TV Tupi nos idos dos anos 50.<\/p>\n<p>Ele era um garoto que andava pelos bastidores da emissora do Sumar\u00e9,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10406"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10406\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17456,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10406\/revisions\/17456"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}