{"id":10408,"date":"2006-11-06T00:00:00","date_gmt":"2006-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:23","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:23","slug":"acabou-gente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/acabou-gente\/","title":{"rendered":"Acabou, gente&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Foi por volta de 1975, era rep\u00f3rter de Gazeta do Ipiranga. <\/p>\n<p>Um certo Coronel Fontenelle foi importado da Prov\u00edncia do Rio de Janeiro para tomar conta, imaginem, do tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo. O homem adotava medidas dr\u00e1sticas que causavam grande pol\u00eamica. E, como s\u00f3 e acontecer, repercutiam amplamente na Imprensa, velha de guerra. <\/p>\n<p>Uma das medidas foi mudar a m\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o de nada menos que 24 ruas do bairro do Ipiranga. Assim, numa tacada s\u00f3. Ou seja, seria alterada abruptamente &#8211; \u00f4 palavrinha, s\u00f4 &#8211; a rota de zilh\u00f5es de motoristas que passam diariamente pelas vias daquele local, que \u00e9 interface para os quatro cantos da cidade.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se foi um jovem rep\u00f3rter chamado Rodolfo perambular pelas ditas-cujas ruas. Comigo, justi\u00e7a seja feita, madrugaram o motorista Seu Eliseu e fot\u00f3grafo Cl\u00e1udi Michelli, vulgo Clamic, todos a bordo de uma valente pick-up Rural Willys, carinhosamente chamada de &quot;Lix\u00e3o&quot;.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea pode imaginar foi um caos que registramos condignamente, creio. E o editor AC manchetou assim: <\/p>\n<p>&quot;O IPIRANGA \u00c0S AVESSAS&quot; <\/p>\n<p>II. <\/p>\n<p>Anos mais tarde ouvi Caetano Velloso cantar &quot;Sampa&quot; e definir nossa cidade como &quot;o avesso do avesso do avesso&quot;. <\/p>\n<p>Achei bonito o verso e precisa a constata\u00e7\u00e3o&#8230; <\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>Ontem, ao correr os olhos pelos jornal\u00f5es e pelas revistas semanais &#8211; insisto Carta Capital \u00e9 exce\u00e7\u00e3o &#8211; tive a sensa\u00e7\u00e3o plena de que a verdade o inverso do que escreveram. Noticiam um &#8216;momento hist\u00f3rico&#8217; que est\u00e1 na cabe\u00e7a dos manda-chuvas da Imprensa &#8211; e n\u00e3o falo nem dos editoriais, n\u00e3o. <\/p>\n<p>A Veja, por exemplo, \u00e9 dr\u00e1stica. Define o primeiro mandato de Lula como &quot;p\u00edfio&quot;. Em O Estado, h\u00e1 um longu\u00edssimo artigo do soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso a declarar que as pr\u00e1ticas at\u00e9 aqui adotadas pelo Governo Lula &quot;n\u00e3o t\u00eam sido as da democracia, mas sim do populismo com pendor autorit\u00e1rio&quot;. Mas, \u00e9 na Folha que a surpresa me tolhe os sentidos. E fico sem nada entender. A colunista Danuza Le\u00e3o chama \u00e0s falas Dona Marisa e a &quot;orienta&quot; a desenvolver e se engajar em algum projeto social. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Veja. FHC. Danuza. Quem n\u00e3o os conhece&#8230; <\/p>\n<p>Desde que o jornalista Mino Carta saiu da Reda\u00e7\u00e3o da Veja, em 1976, num acordo Civitas (donos da Abril) e o ent\u00e3o ministro da ditadura, Armando Falc\u00e3o, o bom jornalismo anda \u00e0 deriva nas p\u00e1ginas da revista. <\/p>\n<p>FHC ficou oito anos em Bras\u00edlia como presidente da Rep\u00fablica. Entre sorrisos e pronunciamentos &#8216;politicamente corretos&#8217;, o Pa\u00eds patinou feio.<\/p>\n<p>Danuza, ao seu tempo, circulou pelos bastidores do Poder. Basta ler a auto-biografia, Quase Tudo. Nada consta de proveitoso. Bem, ao contr\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p>Enfins, foram tantas as preciosidades. Que senti a credibilidade da Imprensa \u00e0s avessas&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Vamos de Voltaire, meus caros&#8230;<\/p>\n<p>&quot;Posso n\u00e3o concordar com uma s\u00f3 palavra do que me diz.<br \/>\nMas defenderei sempre   o direito de diz\u00ea-lo&quot;.<\/p>\n<p>\u00c9 isso&#8230; Ou quase. Faz parte do jogo democr\u00e1tico.<br \/>\nMas, c\u00e1 para n\u00f3s, est\u00e1 na hora de os iluminados descerem do palanque. <\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o acabou, gente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi por volta de 1975, era rep\u00f3rter de Gazeta do Ipiranga. <\/p>\n<p>Um certo Coronel Fontenelle foi importado da Prov\u00edncia do Rio de Janeiro para tomar conta, imaginem, do tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10408","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10408"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10408\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17454,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10408\/revisions\/17454"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}